Boa Vista
Quadrilhas encerram disputa do Grupo de Acesso com espetáculos de fé, cultura e emoção em Boa Vista
A última noite de apresentações do Concurso de Quadrilhas do Grupo de Acesso reuniu fé, tradição e muita animação neste sábado (30), no Palco Aderval da Rocha Ferreira, em Boa Vista. Seis grupos subiram ao tablado levando enredos inspirados na cultura popular, na religiosidade e nas raízes do sertão brasileiro.
A abertura ficou por conta da quadrilha Beija-Flor, que apresentou o tema “Caldeirão de Emoções”. Com figurinos inspirados nas cores da bandeira do Amazonas, o grupo levou ao palco referências aos bois Caprichoso e Garantido.
Para o animador Samuel Albuquerque, a apresentação representou a superação de meses de preparação.
“Enfrentamos muita dificuldade até chegar aqui e apresentar o que a gente ensaia há meses. Terminar a apresentação dentro do tempo e sem erros é muito gratificante. Agora é esperar o resultado”, afirmou.
Representando o município de Bonfim, a Império São Vicente levou ao tablado o tema “Da Tristeza do Sertão a Flor do Mandacaru se Tornou Alegria do São João”, exaltando a força e a esperança do povo sertanejo.
Na sequência, a Sinhá Benta emocionou o público com o enredo “Fé e Resistência”, retratando os desafios enfrentados durante a seca e a renovação trazida pela chegada da chuva.
A Joaninha Caipira apresentou “A Maldição – Nem Tudo Que Reluz é Ouro”, espetáculo que abordou valores como solidariedade, bondade e humildade. Já a Coração do Sertão destacou um dos principais símbolos da culinária brasileira com o tema “Na Safra da Mandioca”.
Encerrando a noite, a Luar do Sertão levou ao público o enredo “Da Tristeza do Sertão à Alegria do São João”, celebrando a essência das festas juninas por meio da dança, das cores e da tradição popular.
Público lota arquibancadas
As apresentações foram acompanhadas por torcidas organizadas e por centenas de espectadores que lotaram o espaço para prestigiar os grupos.
A técnica em enfermagem Juliana Araújo levou o filho Ravi, de apenas um ano, para conhecer pela primeira vez o clima do arraial.
“Eu amo esse espetáculo no Boa Vista Junina. Sempre que posso venho assistir. Hoje trouxe meu filho e tenho certeza que ele vai gostar tanto quanto eu. É tudo muito bonito e mostra o esforço de muita gente”, disse.
Classificação será definida neste domingo
A apuração das notas do Grupo de Acesso está marcada para este domingo (31), a partir das 18h. Os quatro grupos mais bem colocados garantirão vaga no Grupo Especial em 2027, passando a disputar o concurso principal do Boa Vista Junina.
Segundo o diretor do concurso, Chiquinho Santos, uma das novidades desta edição foi a implantação de um sistema sonoro para auxiliar os grupos no controle do tempo de apresentação.
“Trouxemos todas as quadrilhas do Grupo de Acesso para o Palco Aderval da Rocha Ferreira e as quatro melhores estarão automaticamente classificadas para o Grupo Especial do próximo ano. Também implantamos uma sirene para auxiliar no controle do tempo das apresentações”, explicou.
Boa Vista Junina começa em 13 de junho
Com o tema “O arraial que cresce junto com você”, o Boa Vista Junina 2026 ocorrerá entre os dias 13 e 19 de junho, na Praça Fábio Marques Paracat.
A programação contará com shows nacionais de Dorgival Dantas e da dupla Marcos & Belutti, além de mais de 30 artistas locais. O comentarista carnavalesco Milton Cunha também participará da festa.
Neste ano, 28 quadrilhas integram a programação, distribuídas entre os grupos de Acesso, Especial e Diamante, categoria criada nesta edição.
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Boa Vista
Arthur percorre Alto Alegre e Sampaio mobiliza apoiadores em Boa Vista durante agenda de campanha
Os candidatos ao Governo de Roraima intensificaram as agendas de campanha neste sábado (30), com compromissos voltados a diferentes segmentos do eleitorado. Enquanto Arthur Henrique (PL) concentrou atividades no município de Alto Alegre, ouvindo agricultores, comerciantes e lideranças indígenas, o governador e candidato à reeleição, Soldado Sampaio (Republicanos), cumpriu agenda em Boa Vista com visitas a trabalhadores da Feira do Pintolândia e participação em um encontro com mulheres.
Em Alto Alegre, Arthur percorreu áreas urbanas e comunidades indígenas, onde ouviu demandas relacionadas à agricultura familiar, infraestrutura, educação e desenvolvimento econômico. O candidato destacou o potencial produtivo do município e defendeu investimentos voltados ao fortalecimento da economia local.
Segundo Arthur, setores como agricultura, turismo, comércio e produção indígena podem impulsionar o crescimento do município. Durante a passagem pela comunidade indígena Sucuba, na região do Alto Cauamé, ele também recebeu reivindicações ligadas à melhoria de estradas, escolas e apoio à produção rural.
“Viemos ouvir os anseios das comunidades, porque é assim que vamos planejar e executar as ações necessárias para melhorar a qualidade de vida nas áreas indígenas”, afirmou.
O candidato também defendeu o fortalecimento da agricultura familiar e o incentivo à piscicultura como alternativas de geração de renda para as comunidades do interior.
Agenda na capital
Já em Boa Vista, Soldado Sampaio iniciou o dia na Feira do Pintolândia, uma das mais tradicionais da capital. Ao lado da candidata a vice-governadora, deputada estadual Tayla Peres (Republicanos), percorreu bancas, conversou com feirantes e ouviu reivindicações relacionadas à infraestrutura, limpeza e segurança do local.
Durante a visita, Sampaio afirmou que pretende receber representantes dos trabalhadores para discutir melhorias no espaço.
“Quem vive a realidade da feira todos os dias conhece melhor do que ninguém os desafios do local. Quero ouvir cada reivindicação e construir soluções que atendam os trabalhadores e a população que frequenta a feira”, declarou.
À noite, o candidato participou do evento “Elas por Roraima”, realizado no bairro Asa Branca. O encontro reuniu mulheres de diferentes regiões da capital e contou com a presença de lideranças políticas e apoiadores.
Durante o evento, Sampaio destacou a participação feminina em sua gestão e apresentou propostas voltadas à área da saúde, entre elas a construção de um pronto-socorro na zona oeste de Boa Vista e de uma unidade de pronto-atendimento infantil no município de Rorainópolis.
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Boa Vista
Tráfego é restabelecido na RR-171 após danos em ponte causados pelas chuvas no Uiramutã
O tráfego de veículos na RR-171, principal via de acesso ao município do Uiramutã, foi restabelecido neste domingo (31) após serviços emergenciais realizados no trecho da ponte sobre o igarapé Cambaru, danificada pelas fortes chuvas que atingem a região.
A estrutura, com cerca de 50 metros de extensão, teve parte da cabeceira arrastada pela força da correnteza na madrugada de sábado (30), interrompendo a ligação terrestre entre o município e o restante do Estado.
Para permitir a passagem de veículos, equipes que atuam na recuperação da rodovia abriram uma passagem molhada ao lado da ponte comprometida. A medida garante, de forma provisória, a circulação de moradores, transporte de suprimentos e veículos de emergência.
Além do trecho afetado no igarapé Cambaru, outros pontos da malha viária do município também registraram problemas em decorrência do volume de chuvas dos últimos dias. Os locais passam por avaliação para identificação de danos e definição das intervenções necessárias para restabelecer as condições de tráfego.
Os trabalhos incluem a desobstrução de trechos alagados, reforço de passagens e instalação de linhas de bueiros em áreas consideradas críticas.
O Uiramutã é um dos municípios mais afetados pelas chuvas neste período do ano, quando o aumento do volume dos rios e igarapés costuma comprometer estradas e pontes da região, dificultando o deslocamento de moradores e o acesso a serviços essenciais.
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Boa Vista
“Só sabe o tamanho do governo quem senta na cadeira”: Arthur Henrique fala sobre o desafio de governar Roraima
Governar Roraima por apenas cinco meses e meio. Em um estado marcado por sucessivas crises políticas, trocas de comando e desafios históricos na saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento econômico, a missão parece desproporcional ao tempo disponível.
É justamente a partir dessa realidade que o ex-prefeito de Boa Vista e candidato ao governo, Arthur Henrique (PL), procura construir seu discurso para a eleição suplementar marcada para junho. Longe de prometer obras grandiosas ou transformações imediatas, ele afirma que a principal missão de um eventual governo será colocar ordem na máquina pública e preparar o Estado para o próximo ciclo administrativo. Em entrevista ao Roraima1, falou sobre as perspectivas de um pretenso governo-tampão para colocar o Estado em ordem.
“Meu sonho não era ser governador de Roraima por cinco meses e meio. Gostaria de ter quatro anos para trabalhar e alcançar de verdade a vida das pessoas. Mas o que está posto hoje é um mandato de transição”, afirmou durante entrevista.
A expressão “organizar a casa” aparece repetidamente ao longo da conversa e sintetiza aquilo que Arthur considera ser o maior desafio do próximo governador.
“Não dá para prometer coisas impossíveis de serem alcançadas. O primeiro passo é conhecer a estrutura do governo. Só sabe o tamanho de um governo quem está sentado naquela cadeira.”
A realidade por trás dos números
Ao falar sobre a situação financeira do Estado, Arthur demonstra cautela. Segundo ele, existem versões conflitantes sobre a saúde das contas públicas.
“O governador que saiu fala que deixou R$ 10 bilhões. O atual diz que encontrou pouco mais de R$ 80 milhões. A verdade só será conhecida quando estivermos sentados na cadeira.”
Por isso, ele afirma que uma das primeiras medidas seria avaliar contratos, revisar despesas e identificar possíveis desperdícios.
A ideia, segundo o candidato, é construir um diagnóstico real da administração estadual antes de lançar novos projetos.
“Precisamos eliminar qualquer desperdício de dinheiro público e deixar um plano consistente para a próxima gestão.”
Um Estado de duas realidades
A experiência de percorrer os municípios do interior durante a campanha reforçou uma percepção que Arthur diz já ter desenvolvido enquanto prefeito: existem duas realidades distintas em Roraima.
De um lado está Boa Vista, que concentra a maior parte dos investimentos públicos e dos serviços disponíveis. Do outro, comunidades rurais e indígenas que ainda convivem com dificuldades básicas.
Segundo ele, a maior dificuldade não é apenas a falta de recursos, mas a ausência de planejamento de longo prazo.
“Às vezes quem vive na cidade não percebe a realidade de quem mora no interior. É por isso que precisamos construir um plano para que essas pessoas sejam alcançadas.”
O servidor como peça central
Se eleito, Arthur afirma que pretende adotar uma postura de diálogo com os servidores estaduais.
Para ele, a sucessão de governos e as mudanças constantes de comando criaram um ambiente de insegurança dentro da máquina pública.
“O servidor já teve três chefes em poucos meses e pode ter um quarto. Isso gera instabilidade para quem está lá dentro.”
O candidato defende que os servidores sejam tratados como aliados do processo de reconstrução administrativa.
“Governador passa, secretário passa. O servidor fica. São eles que conhecem a história e a realidade do Estado.”
Ele promete ampliar o diálogo com categorias e sindicatos e diz que pretende repetir o modelo adotado na Prefeitura de Boa Vista durante as negociações de planos de carreira.
Potencial econômico ainda inexplorado
Quando o assunto é desenvolvimento econômico, Arthur demonstra convicção de que Roraima está diante de uma oportunidade histórica.
Para ele, a pavimentação da estrada que liga Boa Vista a Georgetown, na Guiana, poderá mudar a posição estratégica do Estado nos próximos anos.
“O grande entrave para o desenvolvimento de Roraima sempre foi o isolamento.”
Na avaliação do candidato, a proximidade com mercados internacionais pode transformar a economia local, principalmente nos setores agrícola, pesqueiro e industrial.
Hoje, segundo ele, o desafio não é apenas produzir mais.
“O próximo passo é industrializar, agregar valor e conectar Roraima aos mercados consumidores.”
Arthur também aponta o turismo como uma atividade subaproveitada.
“O potencial turístico é impressionante. Temos lavrado, serra, floresta, cachoeiras, comunidades indígenas, pesca esportiva. O problema é que ainda somos um destino caro e difícil de acessar.”
Tecnologia como ferramenta de transformação
Conhecido por defender a inovação como instrumento de gestão, Arthur também fala sobre a necessidade de preparar o Estado para as transformações provocadas pela inteligência artificial.
Ele considera que a tecnologia pode ser uma das principais ferramentas para reduzir desigualdades entre capital e interior.
“O jovem do interior já nasce com um celular na mão. O que falta é ensinar como transformar isso em oportunidade de trabalho e renda.”
O candidato afirma que pretende expandir iniciativas semelhantes às desenvolvidas pelo Centro de Ciência, Tecnologia e Inovação de Boa Vista e fortalecer a Universidade Estadual de Roraima.
“Estamos vivendo uma mudança que ficará marcada na história da humanidade. Quem não se adaptar à inteligência artificial vai ficar para trás.”
Um governo para reconstruir a estabilidade
Ao longo da entrevista, Arthur retorna diversas vezes ao mesmo conceito: estabilidade.
Ele lembra que Roraima vive ciclos recorrentes de crises políticas e interrupções de mandatos.
“Nós tivemos três governadores em poucos meses. Nosso Estado convive com instabilidade há décadas.”
Na avaliação dele, o maior desafio não será apenas administrar um mandato curto, mas reconstruir a confiança da população nas instituições.
“Quero fazer diferente. Trabalhar com respeito às pessoas, respeito ao dinheiro público e sem que a gestão seja cercada por escândalos.”
Ao final, Arthur resume aquilo que considera ser sua principal missão caso seja eleito.
“Não é um projeto pessoal. É uma responsabilidade.”
Para um Estado que volta às urnas em meio a mais uma crise política, a eleição suplementar pode definir mais do que um governador para cinco meses. Pode determinar qual modelo de gestão será colocado à prova para o futuro de Roraima.
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