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Jovem Yanomami usa tecnologia para ajudar a proteger território e comunidades na Amazônia

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Aos 21 anos, a jovem Yanomami Clara Santos Goes encontrou na tecnologia uma nova aliada na defesa de seu território. Moradora da comunidade Maturaka, na Terra Indígena Yanomami, ela passou a integrar uma rede de monitores indígenas que utilizam um sistema de alertas para registrar e comunicar situações de risco em uma das maiores áreas protegidas do país.

A iniciativa reúne indígenas de diferentes comunidades e busca fortalecer a proteção territorial por meio do monitoramento colaborativo. A ferramenta permite registrar invasões, queimadas, problemas ambientais, crises de saúde, falta de água e outras emergências, facilitando o encaminhamento das informações aos órgãos responsáveis.

Clara participou de uma oficina de capacitação realizada em São Gabriel da Cachoeira (AM), onde cerca de 20 indígenas aprenderam a utilizar o Sistema de Alertas. Para ela, o projeto representa uma oportunidade de ampliar o protagonismo das próprias comunidades na vigilância do território.

“O que eu acho mais importante é que os próprios moradores estejam monitorando o território. Muitas vezes a gente não vê quando os invasores estão chegando. Então eu acho que esse sistema vai facilitar muito a vida do povo Yanomami”, afirma.

Acostumada à rotina da floresta, Clara divide os dias entre os afazeres da família e o trabalho de apoio à associação de mulheres da comunidade, ajudando na organização e comercialização de cestarias produzidas pelas indígenas. Ela destaca o orgulho de viver em Maturaka e manter vivas as tradições de seu povo.

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“Eu me sinto muito bem na minha comunidade. A gente come comida tradicional, convive muito com a família e pratica nossa cultura, nossas danças e cantos”, relata.

A tecnologia utilizada pelos monitores funciona mesmo em áreas sem acesso à internet. Por meio de um aplicativo, os usuários podem registrar informações, marcar a localização por GPS, gravar áudios e fotografar situações de risco. Os dados são enviados automaticamente quando o aparelho encontra conexão.

Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), parceiro da iniciativa, o objetivo é garantir que as próprias comunidades sejam protagonistas na produção de informações sobre o que acontece em seus territórios. Desde o início do projeto, em 2023, mais de 180 monitores indígenas já foram capacitados em diferentes regiões da Terra Yanomami.

O vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami, Dário Vitória Kopenawa, destaca que o sistema também contribui para dar visibilidade aos desafios enfrentados pelas comunidades.

“Esse sistema é muito importante porque mostra a realidade do que está acontecendo na Terra Yanomami. Ele ajuda a encaminhar denúncias e mostrar os problemas para as autoridades”, afirma.

Com quase 10 milhões de hectares distribuídos entre Roraima e Amazonas, a Terra Indígena Yanomami abriga mais de 33 mil indígenas em 417 comunidades. Nos últimos anos, a região enfrentou problemas como o avanço do garimpo ilegal, a contaminação de rios, crises sanitárias e insegurança alimentar.

Clara lembra que enchentes recentes afetaram comunidades próximas e comprometeram o acesso à água potável. Para ela, a nova ferramenta pode ajudar a acelerar o socorro em situações semelhantes.

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“As águas ficaram muito barrentas e as comunidades ficaram assustadas porque não tinha água para beber. Agora, se acontecer novamente, talvez a gente consiga fazer um alerta e os órgãos possam ajudar”, diz.

Ao final da capacitação, os participantes retornaram às comunidades levando celulares, materiais de apoio e novos conhecimentos. Mais do que aprender a usar uma ferramenta tecnológica, Clara afirma que a experiência fortaleceu sua confiança para dialogar e compartilhar informações com outros jovens indígenas.

“Eu aprendi a dialogar mais e compartilhar o que eu sei. Isso me ajudou bastante”, conta.

Agora, ela espera que o trabalho continue avançando e contribuindo para a proteção das famílias e do território Yanomami.

“Espero que esse trabalho siga em frente. E que as pessoas possam ver que esse trabalho realmente está acontecendo.”

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Repórter do NEWS Roraima, com foco em política, cotidiano e direitos sociais. Acompanha de perto os fatos que moldam a realidade local. Busca sempre o relato humano por trás das notícias. Informação com agilidade e credibilidade.

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Decisão de Flávio Dino sobre eleição em Roraima ganha repercussão nacional por impacto sobre exclusão de candidaturas

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A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a revisão das regras da eleição suplementar para o Governo de Roraima, ultrapassou as fronteiras do estado e passou a ocupar espaço de destaque na cobertura política nacional.

Nos últimos dias, veículos de alcance nacional passaram a tratar o caso não apenas como uma controvérsia jurídica, mas como uma decisão com potencial para alterar significativamente o cenário eleitoral em Roraima.

A liminar manteve a realização da eleição direta marcada para 21 de junho, mas determinou que o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) reavaliasse os prazos de desincompatibilização dos candidatos, considerando os períodos previstos na legislação eleitoral para eleições ordinárias.

A decisão afeta diretamente pré-candidatos que deixaram cargos públicos com base nas regras excepcionais aprovadas pelo TRE-RR, que haviam flexibilizado os prazos em razão do caráter extraordinário da eleição suplementar.

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Foco na relação política

A repercussão ganhou força após reportagem da Folha de S.Paulo destacar que a ação foi apresentada por um ex-integrante do PCdoB, partido ao qual Flávio Dino foi filiado por décadas antes de ingressar no STF.

A publicação chamou atenção para a relação política anterior entre o autor da ação e o ministro, ressaltando que a decisão teve como consequência o enfraquecimento de candidaturas consideradas competitivas no pleito estadual.

Embora a reportagem não aponte irregularidades ou favorecimento, o enquadramento adotado pelo jornal colocou a imparcialidade institucional no centro do debate político.

Impacto na disputa

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Já o portal Poder360 concentrou sua análise nos efeitos eleitorais da decisão.

O veículo destacou que a aplicação dos prazos tradicionais de desincompatibilização pode inviabilizar candidaturas que seguiram as regras estabelecidas inicialmente pelo TRE-RR, alterando o equilíbrio da disputa poucos dias após o início do calendário eleitoral.

A publicação também ressaltou argumentos apresentados por partidos que contestam a decisão, segundo os quais a mudança reduz a competitividade da eleição e cria insegurança jurídica ao modificar critérios após a definição do cronograma do pleito.

Debate sobre eleições suplementares

Outro ponto explorado pela imprensa nacional foi a discussão jurídica em torno das eleições suplementares.

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Reportagens destacaram que esse tipo de eleição possui características distintas das disputas ordinárias justamente por ocorrer de forma imprevisível, o que historicamente levou a Justiça Eleitoral a flexibilizar alguns prazos para garantir a participação dos candidatos.

A decisão de Flávio Dino, nesse contexto, passou a ser interpretada por analistas como um posicionamento mais restritivo em relação à elegibilidade dos concorrentes.

A discussão envolve questões sensíveis como segurança jurídica, regras eleitorais, atuação do Supremo Tribunal Federal e os limites da intervenção judicial em processos eleitorais já em andamento.

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Concurso de Quadrilhas começa com arquibancadas cheias e apresentações emocionantes em Boa Vista

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A emoção deu o tom da primeira noite do Concurso de Quadrilhas do Grupo Acesso do Boa Vista Junina 2026. Realizada nesta sexta-feira (29), na Praça Aderval da Rocha Ferreira, no bairro Nova Canaã, a competição reuniu dezenas de brincantes e atraiu um público que acompanhou apresentações marcadas por fé, cultura popular, homenagens e mensagens sociais.

Subiram ao tablado as quadrilhas Arrasta Pé, Coração Alegre, Estrela Junina, Guerreiros de Jorge, Macedão e Namoro Caipira, abrindo oficialmente a disputa que pode levar quatro grupos ao Grupo Especial do maior arraial da Amazônia.

A noite começou com a Estrela Junina, que levou para a arena uma história de amor ambientada no universo das vaquejadas. Com o tema inspirado na devoção a Nossa Senhora Aparecida, a apresentação combinou religiosidade e tradição sertaneja, arrancando aplausos do público.

Na sequência, os Guerreiros de Jorge transformaram o tablado em um retrato das tradições amazônicas ao homenagear o município paraense de Oriximiná. Barcos cenográficos, figurinos coloridos e referências ao carimbó ajudaram a contar a história da cidade banhada por rios e marcada pela diversidade cultural.

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Um dos temas mais atuais da noite foi apresentado pela Arrasta Pé. A quadrilha propôs uma reflexão sobre o excesso de tempo diante das telas e o distanciamento das brincadeiras tradicionais da infância. A encenação resgatou memórias afetivas e valorizou o convívio familiar em tempos de hiperconexão.

A Macedão apostou na música nordestina para emocionar a plateia. O grupo homenageou Dominguinhos, um dos maiores nomes da sanfona brasileira, relembrando momentos marcantes da trajetória do artista e sua ligação com a cultura popular.

Já a Coração Alegre trouxe ao palco uma mensagem de conscientização. Com o tema voltado ao enfrentamento das drogas, a apresentação abordou os desafios da dependência química e destacou a importância do apoio familiar e da solidariedade no processo de recuperação.

Encerrando a programação, a Namoro Caipira celebrou a essência das festas juninas. Em uma apresentação leve e colorida, o grupo valorizou elementos tradicionais como a chita, o casamento matuto e os passos que atravessam gerações nos arraiais brasileiros.

Tradição passada de geração em geração

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Entre uma apresentação e outra, o público mostrou que o São João também é feito de memórias. O casal Renato Silva e Íris Andrade acompanhou a programação ao lado da família e relembrou os tempos em que participava das quadrilhas.

Hoje, o objetivo é transmitir a tradição para os filhos.

“Queremos inserir as crianças no meio junino. Acompanhar as quadrilhas já faz parte da nossa rotina em família”, contou Renato.

Competição continua neste sábado

O Concurso de Quadrilhas do Grupo Acesso segue neste sábado (30) com apresentações das quadrilhas Beija-Flor, Coração do Sertão, Joaninha Caipira, Luar do Sertão, São Vicente e Sinhá Benta.

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A apuração que definirá os quatro grupos promovidos ao Grupo Especial será realizada no domingo (31).

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Emergência não pode significar cheque em branco

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O decreto de situação de emergência assinado pelo Governo de Roraima para Bonfim e Uiramutã levanta uma discussão que vai muito além das chuvas. A questão central não é se há problemas causados pelo inverno, eles existem e precisam ser enfrentados. O debate necessário é outro: quais mecanismos de controle serão adotados durante os próximos 180 dias?

O prazo chama atenção. São seis meses de vigência, período que atravessa integralmente uma eleição suplementar e outra ordinária para governador. E não uma eleição qualquer. O decreto foi assinado por um governador interino que também é candidato ao cargo, nas duas.

Em situações excepcionais, a legislação permite procedimentos mais ágeis para que o poder público responda rapidamente a crises. Isso é razoável. Quando uma ponte cai, uma comunidade fica isolada ou uma estrada é interrompida, a burocracia não pode impedir o atendimento à população.

Mas justamente por flexibilizar regras, um decreto de emergência exige fiscalização redobrada.

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Na prática, o reconhecimento da situação de emergência abre caminho para contratações mais rápidas, aquisição emergencial de bens e serviços e dispensa de determinados procedimentos licitatórios. Não significa ausência de controle, mas reduz etapas que normalmente funcionam como barreiras de proteção ao dinheiro público.

Por isso, a pergunta a ser feita é: a extensão dos danos justifica um estado de emergência de 180 dias?

Roraima enfrenta períodos chuvosos todos os anos. Estradas vicinais ficam comprometidas, rios transbordam e comunidades enfrentam dificuldades de acesso. Trata-se de uma realidade conhecida do estado. Se os danos atuais são extraordinários a ponto de justificar um regime excepcional por meio ano, os laudos técnicos, relatórios hidrológicos, levantamentos da Defesa Civil e estudos de impacto precisam ser amplamente divulgados.

Transparência, neste momento, não é uma opção, é uma obrigação. Mais do que nunca, órgãos de fiscalização precisam acompanhar cada ato decorrente desse decreto. Tribunal de Contas, Ministério Público, Controladoria-Geral e Assembleia Legislativa têm o dever institucional de monitorar contratos, gastos, transferências de recursos e obras executadas sob o argumento da emergência.

A vigilância não deve ser interpretada como oposição ao atendimento da população atingida. Pelo contrário. Quanto maior a necessidade social, maior deve ser a proteção dos recursos públicos destinados a ela.

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A história política de Roraima mostra que alguns dos maiores escândalos envolvendo recursos públicos ocorreram justamente sob o manto da urgência. Emergências reais não podem servir de justificativa para flexibilizações permanentes ou para a redução da transparência.

Se as chuvas exigem uma resposta extraordinária, que ela venha acompanhada de uma transparência igualmente extraordinária. Porque uma situação de emergência pode ser temporária, mas a obrigação de prestar contas é permanente.

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