Roraima
A reconstrução depois do abalo: o desafio humanitário, econômico e político da Venezuela
A Venezuela entra agora na fase mais difícil de uma catástrofe: sobreviver ao dia seguinte. Depois dos dois terremotos que atingiram o país na noite de quarta-feira (24), o primeiro desafio foi retirar pessoas com vida dos escombros. O segundo, que começa antes mesmo do fim das buscas, é impedir que a tragédia se multiplique por falta de água, energia, atendimento médico, abrigo, comida, transporte e comunicação.
Até aqui, o país lida com um balanço oficial ainda preliminar: pelo menos 164 mortos e 971 feridos. Mas a existência de desaparecidos, áreas sem levantamento completo e prédios colapsados indica que os números podem subir. A tragédia, neste momento, ainda está sendo contada no escuro — às vezes literalmente.
La Guaira, Caracas e outras regiões do norte venezuelano concentram os danos mais visíveis. Edifícios desabaram, hospitais foram pressionados, moradores passaram a noite nas ruas e serviços essenciais sofreram interrupções. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, em Maiquetía, estratégico para Caracas e para o recebimento de ajuda externa, também aparece entre os pontos de atenção.
A prioridade das próximas horas é localizar sobreviventes. Em terremotos, as primeiras 72 horas são decisivas. Depois disso, as chances diminuem, embora não desapareçam. Por isso, a chegada de equipes especializadas em busca e salvamento urbano pode ser determinante.
Essas equipes trabalham com cães farejadores, sensores acústicos, câmeras térmicas, equipamentos de corte, escoramento de estruturas e protocolos para evitar que novos desabamentos matem sobreviventes e socorristas.
Mas resgate não é apenas retirar pessoas dos escombros. É também garantir atendimento imediato aos feridos, organizar triagem hospitalar, montar abrigos, distribuir água potável e evitar surtos sanitários.
O risco humanitário cresce quando há:
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falta de energia;
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interrupção no abastecimento de água;
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hospitais danificados ou sobrecarregados;
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ruas bloqueadas;
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famílias sem abrigo;
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dificuldade de comunicação;
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medo de novas réplicas.
A tragédia, portanto, não termina quando a terra para de tremer. Ela continua nas filas de hospital, nos abrigos improvisados, nos bairros sem luz e nas famílias que ainda não sabem onde estão seus parentes.
A reconstrução de US$ 200 milhões
A presidente interina Delcy Rodríguez anunciou a criação de um fundo de US$ 200 milhões para reconstrução da infraestrutura do país, com recursos associados ao Fundo Monetário Internacional.
O anúncio tem peso simbólico e prático. Simbólico porque indica o reconhecimento de que os danos são profundos. Prático porque a Venezuela precisará reconstruir, ao mesmo tempo, moradias, prédios públicos, hospitais, escolas, vias, sistemas elétricos, redes de abastecimento e estruturas logísticas.
Mas o valor inicial pode ser apenas o começo. Em desastres de grande escala, os custos reais costumam ultrapassar rapidamente as primeiras estimativas. A reconstrução exige engenharia, fiscalização, transparência, planejamento urbano e capacidade administrativa.
Há ainda uma pergunta inevitável: reconstruir como?
A Venezuela terá de decidir se apenas repõe o que caiu ou se aproveita a tragédia para reduzir vulnerabilidades. Reconstruir prédios frágeis no mesmo lugar, com os mesmos padrões e os mesmos riscos, é plantar a próxima catástrofe.
Impacto econômico
Os terremotos atingem um país que já vinha de anos de crise econômica, deterioração de infraestrutura, migração em massa, instabilidade institucional e dificuldade de acesso a financiamento internacional.
O impacto econômico pode aparecer em várias camadas:
-
Infraestrutura pública
Danos em hospitais, escolas, prédios administrativos, rodovias, pontes, sistemas de energia e abastecimento. -
Moradia
Famílias desabrigadas ou vivendo em imóveis estruturalmente inseguros. -
Logística
Interrupções em aeroportos, portos, estradas e transporte urbano. -
Saúde pública
Sobrecarga hospitalar, falta de medicamentos, necessidade de atendimento emergencial e risco sanitário em abrigos. -
Comércio e serviços
Lojas fechadas, mercados danificados, perda de renda e interrupção de atividades. -
Petróleo e energia
Mesmo que instalações estratégicas não tenham sofrido dano inicial severo, apagões, dificuldades logísticas e instabilidade operacional podem afetar a produção e a distribuição. -
Dívida e financiamento externo
A reconstrução exigirá recursos internacionais, cooperação técnica e capacidade de execução em um país já pressionado financeiramente.
O terremoto não cria todas essas fragilidades. Ele as revela. É como uma radiografia brutal: mostra, de uma vez, as fraturas que a rotina escondia.
A política da tragédia
Toda catástrofe natural também produz um teste político. Governos são avaliados pela velocidade da resposta, pela transparência dos dados, pela coordenação das equipes, pela comunicação pública e pela capacidade de aceitar ajuda sem transformar socorro em disputa ideológica.
Delcy Rodríguez pediu união nacional e afirmou que o foco é salvar vidas. A oposição, por sua vez, cobra rapidez, dados confiáveis e mobilização ampla para atender os atingidos.
Em momentos assim, a disputa política não desaparece. Mas a tragédia impõe uma regra moral: a vida precisa vir antes do palanque.
A Venezuela terá de lidar com três frentes simultâneas:
-
resposta emergencial;
-
gestão da informação;
-
reconstrução institucional e material.
A forma como o governo conduzir essas frentes pode redefinir a percepção interna e externa sobre sua capacidade de resposta.
O papel da ajuda internacional
A resposta internacional começou rapidamente. Países como Brasil, México, Estados Unidos, China, Catar, França, Espanha, Equador e Índia manifestaram solidariedade ou disposição para colaborar com apoio humanitário.
A ajuda pode incluir:
-
equipes de busca e salvamento;
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médicos e enfermeiros;
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hospitais de campanha;
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água potável;
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alimentos;
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tendas;
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geradores;
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medicamentos;
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kits de higiene;
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equipamentos de engenharia;
-
apoio logístico.
O desafio será coordenar tudo isso. Em grandes desastres, excesso de ajuda desorganizada também pode gerar gargalos. Aeroportos precisam funcionar. Estradas precisam estar livres. Autoridades precisam definir prioridades. Doações precisam chegar ao lugar certo.
Ajuda humanitária sem logística é solidariedade presa no aeroporto.
Brasil e Roraima
O Brasil tem papel especial nessa crise por três razões. A primeira é geográfica. A Venezuela é país vizinho e faz fronteira direta com Roraima. O impacto humano de uma tragédia venezuelana nunca fica totalmente do outro lado da linha internacional.
A segunda é migratória. Milhares de venezuelanos vivem no Brasil, muitos deles em Roraima. Para essas famílias, a notícia não é estrangeira. É doméstica. É o bairro onde nasceu a mãe, a cidade onde ficou o irmão, a casa onde ainda mora a avó.
A terceira é diplomática. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que orientou o Itamaraty a avaliar medidas de assistência. A resposta brasileira pode envolver apoio humanitário, cooperação com organismos internacionais, eventual envio de especialistas e articulação com autoridades venezuelanas.
Para Roraima, os desdobramentos precisam ser acompanhados de perto. Pode haver aumento na busca por informações, deslocamento de familiares, pressão sobre redes de acolhimento e necessidade de atuação consular.
A fronteira, nesses momentos, deixa de ser linha no mapa. Vira ponte, ferida e corredor de urgência. Os terremotos na Venezuela não são apenas um desastre natural. São uma tragédia humanitária, urbana, econômica e política.
A terra tremeu por segundos. Mas suas consequências vão atravessar meses, talvez anos. O país terá de resgatar sobreviventes, enterrar mortos, acolher desabrigados, reconstruir cidades e recuperar uma confiança que também ficou soterrada.
Para o Brasil, especialmente para Roraima, o drama venezuelano é mais que uma notícia internacional. É uma dor de vizinhança. É fronteira em luto. É a lembrança incômoda de que, quando um país vizinho desaba, parte do nosso chão também se move.
Leia as duas primeiras partes da nossa reportagem especial sobre os terremotos na Venezuela:
PARTE 1 – NOITE DE PÂNICO, PRÉDIOS NO CHÃO E UM PAÍS INTEIRO SOB OS ESCOMBROS
PARTE 2 – POR QUE A VENEZUELA TREMEU: A CIÊNCIA POR TRÁS DO DUPLO TERREMOTO
Roraima
Mormaço Cultural terá shows e espetáculos de dança no Teatro Municipal de Boa Vista
O Teatro Municipal de Boa Vista recebe, a partir de 9 de setembro, uma etapa da programação do Mormaço Cultural 2026. Shows de artistas locais e espetáculos de dança ocuparão a área externa e a Sala Roraimeira nos dias 9, 11, 12 e 13. Todas as apresentações têm classificação indicativa livre.
A abertura será na quarta-feira, 9, às 19h, com Denison Siqueira na área externa. Às 20h, o Coletivo de Compositoras de Roraima apresenta o show Som das Manas na Sala Roraimeira.
Na sexta-feira, 11, Rubinho Gleydson se apresenta às 19h, no espaço externo. Em seguida, às 20h, a Focus Cia. de Dança, do Rio de Janeiro, leva à Sala Roraimeira o espetáculo de dança contemporânea “As canções que você dançou pra mim”.
A companhia volta ao palco com a mesma montagem no sábado, 12, e no domingo, 13, sempre às 20h. A programação musical desses dois dias terá Banda Badcore e MK, respectivamente, às 19h, na área externa.
Espetáculo infantil será apresentado no domingo
Além das sessões noturnas, a Focus Cia. de Dança apresenta “Bichos Dançantes”, voltado ao público infantil, no domingo, às 11h. O material de divulgação não especifica em qual espaço do teatro ocorrerá essa apresentação.
A agenda informada também não traz atividades para quinta-feira, 10, nem detalhes sobre ingressos, retirada de entradas ou condições de acesso.
Confira a programação
| Data | Horário | Atração | Local |
|---|---|---|---|
| Quarta-feira, 9/9 | 19h | Denison Siqueira | Área externa |
| Quarta-feira, 9/9 | 20h | Coletivo de Compositoras de Roraima — Som das Manas | Sala Roraimeira |
| Sexta-feira, 11/9 | 19h | Rubinho Gleydson | Área externa |
| Sexta-feira, 11/9 | 20h | “As canções que você dançou pra mim” — Focus Cia. de Dança | Sala Roraimeira |
| Sábado, 12/9 | 19h | Banda Badcore | Área externa |
| Sábado, 12/9 | 20h | “As canções que você dançou pra mim” — Focus Cia. de Dança | Sala Roraimeira |
| Domingo, 13/9 | 11h | “Bichos Dançantes” — Focus Cia. de Dança | Espaço não informado |
| Domingo, 13/9 | 19h | MK | Área externa |
| Domingo, 13/9 | 20h | “As canções que você dançou pra mim” — Focus Cia. de Dança | Sala Roraimeira |
SERVIÇO
Evento: Mormaço Cultural 2026 — programação no Teatro Municipal
Local: Teatro Municipal de Boa Vista
Datas: 9, 11, 12 e 13 de setembro
Classificação indicativa: livre
Ingressos e acesso: condições não informadas no material de divulgação
Roraima
TRE-RR rejeita impugnação e aprova coligação de Soldado Sampaio e Shéridan
O Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) aprovou, por unanimidade, o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) da coligação “Roraima Segue em Frente”, que apresenta Soldado Sampaio (Republicanos) como candidato a governador e Shéridan Ramos (Podemos) como candidata a vice-governadora nas eleições de 2026.
Ao acompanhar o parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE), o tribunal rejeitou a impugnação apresentada pela Federação União Progressista, que questionava a participação do Podemos e do Agir na aliança. As duas siglas permanecem na composição, ao lado de Republicanos, PSD e da própria federação, formada por União Brasil e Progressistas.
Na impugnação, a União Progressista sustentava que a inclusão do Podemos e do Agir dependia de aprovação expressa de sua direção estadual. A federação alegava que a entrada das duas legendas teria ocorrido formalmente após uma decisão de 19 de agosto, o que alteraria a composição original da coligação e justificaria a reabertura do prazo para contestações.
O plenário julgou a impugnação improcedente e manteve a composição apresentada à Justiça Eleitoral. O deferimento do DRAP reconhece a regularidade dos atos partidários relacionados à formação da aliança e à apresentação de seus candidatos.
Sampaio comemora decisão
Após o julgamento, Soldado Sampaio afirmou que a coligação cumpriu as exigências da legislação eleitoral e que aguardava uma decisão favorável.
“Nossa coligação respeitou todos os prazos legais e tínhamos confiança na justiça de que o registro seria deferido”, declarou.
O candidato também destacou a realização de reuniões, caminhadas e bandeiradas em Boa Vista e nos municípios do interior. Segundo ele, a campanha tem recebido novas adesões enquanto a administração estadual mantém suas atividades.
Sampaio atribuiu essa mobilização ao desempenho de sua gestão e afirmou perceber crescimento do apoio à chapa. A avaliação foi apresentada pelo próprio candidato.
Pesquisa aponta 48% de aprovação
Levantamento da Quaest divulgado pela Rede Amazônica apontou que 48% dos entrevistados aprovam a gestão de Soldado Sampaio, enquanto 35% desaprovam. Os percentuais também foram divulgados pelo perfil da Quaest.
A aprovação administrativa mede a percepção dos entrevistados sobre o governo e não corresponde ao percentual de intenção de voto do candidato.
Roraima
TSE rejeita ação para derrubar imagem de Bolsonaro feita por IA
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta terça-feira (1º) rejeitar uma ação protocolada pelo PT contra a divulgação de um vídeo do ex-presidente Jair Bolsonaro feito por inteligência artificial (IA).
O caso veio à tona após o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) usar a simulação de um pronunciamento do pai, que está em prisão domiciliar, durante o evento de lançamento da sua candidatura, realizado em agosto.
Por maioria de votos, os ministros entenderam que o caso não se caracteriza como propaganda eleitoral irregular porque foi divulgado durante a convenção partidária de Flávio.
Deep Fake
Apesar de liberar o vídeo de Bolsonaro por IA, os ministros aproveitaram o julgamento do caso para definir o conceito de deep fake, tipo de conteúdo artificial proibido pelo TSE nas campanhas eleitorais.
O tribunal definiu que deep fake é caracterizado pela produção de IA, com grau de realidade capaz de alterar imagem e voz de pessoa viva, falecida ou fictícia.
O entendimento deverá aplicado aos processos semelhantes que estão em tramitação na Justiça Eleitoral.
Regras
Em março deste ano, o TSE aprovou regras sobre utilização de inteligência artificial durante as eleições gerais de outubro.
As normas valem para candidatos e partidos. Os ministros proibiram que provedores de IA permitam, ainda que solicitado pelos usuários, sugestões de candidatos para votar. O objetivo é evitar a interferência de algoritmos na livre escolha dos eleitores.
Para combater a misoginia digital, o TSE proibiu postagens nas redes sociais com montagens envolvendo candidatas e fotos e vídeos com nudez e pornografia.
A Corte eleitoral também reafirmou que os provedores de internet poderão ser responsabilizados pela Justiça se não retirarem perfis falsos e postagens ilegais de seus usuários.
Eleições
O primeiro turno será realizado no dia 4 de outubro, quando serão eleitos deputados federais, estaduais, distritais, governadores, senadores e o presidente da República.
O segundo turno está marcado para o dia 25 e pode ocorrer na disputa para os cargos de governador e presidente. Os eleitores voltarão às urnas se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos válidos, excluindo brancos e nulos, no primeiro turno.
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