Roraima
Nove em cada dez moradores de comunidade reprovam operações violentas
Nove em cada dez moradores de comunidades do Rio reprovam operações policiais com confronto armado, nos moldes das que vêm sendo realizadas nos últimos anos, na capital fluminense.
Os dados são de uma pesquisa inédita realizada por seis organizações da sociedade civil, que ouviu moradores de quatro comunidades sobre essas operações.
O levantamento Por que moradores de favelas aprovam ou reprovam operações policiais com confronto armado? foi divulgado nesta quarta-feira (20).
Foram entrevistados presencialmente 4.080 moradores do Complexo do Alemão, Complexo da Penha e da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, além da Rocinha, na zona sul, entre os dias 13 e 31 de janeiro deste ano, distribuídos de forma igualitária: 1.020 entrevistados em cada uma das comunidades. O estudo foi coordenado pela diretora fundadora da Redes da Maré, Eliana Sousa Silva.
O confronto bélico que vem se estabelecendo ao longo do tempo motivou a realização desse estudo. Somente na Maré, entre 2023 e 2025, ocorreu um total de 92 operações policiais com confronto, mortes e pessoas feridas.
Segundo Eliana Silva, “não se pode pensar que o morador que reside ali, que precisa sair todos os dias para trabalhar, levar o filho na escola, que ele aprova esse tipo de operação simplesmente, sem entender e contextualizar. Nos preocupa que essa ideia seja generalizada dessa maneira”, expôs à Agência Brasil.
Brutalidade
Os resultados mostram que 73% dos moradores dos complexos do Alemão e da Penha, da Maré e da Rocinha não concordam com o atual tipo de operação policial, enquanto 25% disseram concordar e 2% não responderam.
Quando questionados se as operações devem ser realizadas seguindo o modelo atual, 92% reprovaram, 68% disseram que as operações precisam ser realizadas de outra forma e, para 24%, não deveriam ser realizadas operações policiais em favelas.
Mesmo entre os que concordam com as operações, apenas 20% defendem o modelo atual. Eliana ressaltou a necessidade de se entender o processo para além do modo como esse tipo de intervenção foi sendo considerada, historicamente, como a única forma atuação da polícia nas favelas.
Eliana destacou que para boa parte da população, os moradores de favelas são representados de forma muito negativa. Isso acaba levando à crença de que o confronto armado é a melhor forma de se enfrentar o crime nessas regiões. No entanto, os efeitos dessas operações na vida cotidiana dos moradores não é considerado.
Para 91% dos moradores há excessos e ilegalidades por parte da polícia nessas operações. A percepção é compartilhada por 85% daqueles que apoiam as operações. Para 90% dos entrevistados, os excessos são inaceitáveis. Dentre os que discordam das operações, 95% repudiam a brutalidade.
Já entre os que concordam com operações nas favelas, 74% condenam os excessos policiais: “Ou seja, concordar com as operações não significa aceitar violência”, indica a pesquisa.
Não há, segundo Eliana Silva, uma solução para o enfrentamento ao crime organizado se não se pensar a cidade de uma maneira mais ampliada e coletiva.
“Ela está focalizada. O problema são as favelas. E os próprios moradores acabam influenciados por essa visão que é passada também pela mídia”, apontou.
No entanto, quando questionados sobre os abusos policiais e as violações de direitos, a maioria dirá que não concorda.
Direitos
O objetivo do levantamento, segundo os realizadores, é pensar como esse trabalho de combate ao crime vem afetando os moradores das comunidades que, muitas vezes, ficam sem condições de sair para o trabalho ou para a escola.
Desde 2016, as organizações de base comunitária que atuam diretamente nos territórios pesquisados vêm tentando identificar a forma como esses confrontos impactam essas comunidades e produzir conhecimento em torno dessa questão.
“A gente vê uma escalada em relação a esses enfrentamentos, à maneira como a violência vem acontecendo e, também, à naturalização disso”, comentou Eliana Silva.
A coordenadora do estudo cita o impacto na educação. Com 140 mil habitantes, o Complexo da Maré, por exemplo, consolidou um conjunto de escolas municipais para atender a comunidade.
“Essas escolas existem, mas não funcionam dentro da qualidade que precisam porque fecham e ficam 30 dias sem aulas, 40 dias sem aulas”.
Para Eliana Silva, a pesquisa quer mostrar que o morador dessas comunidades precisa ser preservado como um sujeito que tem o direito à cidade.
A restrição de circulação aparece como o mais recorrente impacto das operações policiais na vida dos moradores, apontado por 51% dos que discordam das operações e por 41,5% entre os que concordam.
Em seguida, aparece a invasão ou violação de domicílio, estabelecimento comercial ou veículo, citado por 37,5% entre os que discordam e 22,9% entre os que concordam com as operações.
Tiroteios recorrentes e balas perdidas foram apontados por 30,5% dos que discordam e por 20,7% dos moradores que disseram concordar com essas intervenções policiais.
Ano eleitoral
Somente em 2025, a letalidade na Maré aumentou 58% em relação a 2024. Eliana Sousa Silva defende que é preciso pensar em maneiras alternativas de combate ao crime nas favelas sem o emprego de mais armas e mais fuzis.
Eliana Silva citou o direcionamento de emendas parlamentares para compra de fuzis, por exemplo, para a polícia do Rio de Janeiro.
“É muito questionável quando a gente vê que o dinheiro público, que deveria ser direcionado para aumentar a capacidade e o acesso das pessoas a políticas públicas está sendo destinado à compra de mais armas para a polícia”.
Na operação mais letal que a capital fluminense registrou – nos complexos do Alemão e da Penha, em outubro do ano passado, com 122 mortos –, ficou claro que o morador de favela não corrobora e nem concorda com esse tipo de confronto, assegurou a diretora fundadora da Redes da Maré.
”Eu acho que todos nós, que temos origem na favela, ficamos muito incomodados com esse processo”.
Perguntados se operações semelhantes devem se repetir 85% dos moradores disseram que não, 7% responderam que às vezes e 7% afirmaram que sim.
Para Eliana Silva, neste ano eleitoral, a questão da segurança pública deve ter bastante repercussão.
“Porque nós temos candidatos que já pensam que a questão da segurança pública é entrar nas favelas querendo destruir lá o traficante ou a milícia, mas eles não querem saber do morador. E é exatamente isso que tem que ser trabalhado”.
Ela defende a importância de o eleitor conhecer os projetos dos candidatos no que se refere à violência e ao enfrentamento ao crime organizado e desconfiar do que está sendo prometido.
Racismo
Eliana Silva destaca que embora as políticas públicas e os recursos públicos devessem ser distribuídos entre toda a população de forma isonômica, não é isso que ocorre. Com isso, o que se observa é uma condição de subalternidade de alguns cidadãos, como os moradores de favela, que têm seu principal direito – o direito à vida – ameaçado durante operações com confronto bélico.
“No caso dos moradores de favela, das pessoas empobrecidas, há claramente um projeto de enfrentamento que gera, em muitos casos, processos genocidas, processos de chacina. Então, a gente chama atenção também para isso, porque está lutando muito pelo direito à vida”.
Observando o recorte racial dos entrevistados, percebe-se que a discordância em relação às operações policiais alcança 81% entre as pessoas pretas, embora seja majoritária entre todos os grupos raciais. Já a concordância com esses operações teve o maior percentual (30%) registrado entre as pessoas brancas.
O estudo revela também que a percepção de racismo nas operações policiais é majoritária. Questionados se há racismo no modo como as operações são planejadas e realizadas nas favelas, 61% disseram que sim, 13% às vezes e 25% que não.
Os mais jovens são os que mais discordam das operações policiais nas favelas. Entre aqueles de 18 a 29 anos, atinge 79% são contra. De acordo com o estudo, esse número pode estar relacionado à maior exposição (direta ou indireta) às dinâmicas da violência motivadas pelas operações policiais.
“Seja porque são eles que estão nos espaços públicos no momento em que a polícia entra, seja porque são alvos de processos de criminalização, ou ainda pela proximidade com outros jovens – faixa etária que concentra a maioria das vítimas nesses casos”, cita a pesquisa.
Medo
O medo da polícia também foi abordado no levantamento. “Eu lembro quando o blindado começou a ser utilizado como a única forma de ficar na favela e ele foi chamado de caveirão. A gente fez muitas conversas com as crianças sobre isso e o próprio nome quer passar um sentimento de medo”, recorda Eliana.
No total, 78% dos moradores das quatro favelas declararam sentir pouco ou bastante medo da polícia nas operações, alcançando 85% entre aqueles que são contrários às operações e 59% entre os favoráveis.
Há uma evidente inversão na percepção do papel do Estado na proteção do cidadão, que se repete quando os moradores são questionados sobre indignação ou revolta em relação às operações: 50% dos entrevistados disseram sentir bastante indignação, 25% um pouco e 24% afirmaram não sentir indignação ou revolta.
Entre os que concordam com as operações, 61% afirmaram sentir indignação ou revolta em relação aos grupos armados. Chama a atenção, entretanto, que nesse mesmo grupo, o medo das forças policiais (59%) supere o medo dos grupos armados (53%).
Isso evidencia que, mesmo entre quem apoia as operações, a polícia é vista como fonte de medo mais frequente do que os próprios grupos armados que as operações visam combater. O que se deduz disso é que os moradores de favelas convivem com duas formas de violência: dos policiais e dos criminosos.
Entidades
A pesquisa foi feita pela organizações Fala Roça (Rocinha), Frente Penha, Instituto Papo Reto (Alemão), Instituto Raízes em Movimento (Alemão), Redes da Maré e A Rocinha Resiste, que têm atuação direta nos territórios pesquisados.
O estudo teve apoio da Cátedra Patrícia Acioli da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), Fundação Tide Setúbal, Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni) da Universidade Federal Fluminense (UFF), Instituto Fogo Cruzado, Laboratório de Análise da Violência, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Open Society Foundations.
Roraima
Árbitro Daniel Alejandro Hidalgo Blanco convocado para Vitória x Grêmio, pela Série A
A arbitragem roraimense está convocada para primeira divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol 2026, o árbitro Daniel Alejandro Hidalgo Blanco e filiado à Federação Roraimense de Futebol (FRF) vai trabalhar no duelo entre Vitória x Grêmio, às 20h desta segunda-feira (7), no estádio Manoel Barradas, o Barradão, em Salvador.
Pela 26° rodada do Brasileirão, o Vitória (BA) recebe o Grêmio (RS), às 19h de Boa Vista e 20h de Brasília e local da partida.
Os dois times vivem situações semelhantes na tabela de classificação, os baianos estão em 13° lugar com 29 pontos, e os gaúchos logo abaixo, em 15°, com 28 pontos. A partida é de “6 pontos” e o couro vai “comer”, pois o Tricolor Gaúcho briga para não amargar seu terceiro rebaixamento de sua história. O Vitória busca os três pontos para continuar sonhando com permanência na elite e por vaga na Copa Sulamericana.
O árbitro Daniel Alejandro Hidalgo Blanco destacou a importância de mais um desafio que é apitar uma partida de equipes de ponta do futebol nacional.
“É um dia épico para mim, eu trabalhei muito para que esse dia se tornasse realidade. São milhares de árbitros espalhados pelo país e a gente vem trabalhando, buscando nosso espaço, e ao mesmo tempo o espaço da arbitragem roraimense no cenário no cenário nacional”, frisou Daniel Alejandro Hidalgo Blanco.
O árbitro Daniel Alejandro Hidalgo Blanco chega a seu quinto jogo pela Série A, já trabalhou nas partidas de Série A, do Fluminense, no estádio do Maracanã, do Palmeiras, no Allianz Parque e do Santos na Vila Belmiro, em grandes palcos do futebol brasileiro.
Roraima
1° Copa Sensei Paulo Cezar de Oliveira Ferreira vai reunir mais de 160 judocas no Hélio Campos
Muita bravura em jogo e os melhores competidores do judô estarão frente a frente nos tatames. A primeira edição da Copa Sensei Paulo César de Oliveira Ferreira será disputada neste sábado (5), a partir das 9 horas da manhã, no ginásio Poliesportivo Senador Hélio Campos, em Boa Vista.
A disputa é uma organização da Federação de Judô do Estado de Roraima (Fejurr), em uma parceria com o Instituto de Desporto, Juventude e Lazer de Roraima (IDJUV). Foram inscritos 164 competidores de 13 academias, de três estados RR, AM e PR.
Em 2026, surgiu a ideia por parte dos dirigentes de academias de judô de Boa Vista, junto aos sucessores da Fejurr, pela realização da Copa Sensei Paulo de Oliveira Ferreira, homengeando o ex-presidente da entidade maior de judô do Estado de Roraima, após 20 anos de mandato e legado de amor ao esporte.
Conforme explica a sensei de judô da Academia Uchima Kaizen, a Copa Sensei Paulo de Oliveira Ferreira é uma homenagem mais que merecida, além de promover o calendário da modalidade e o retorno de revelação de novos talentos.
“Estamos seguindo o legado dele como alunos, descobertos por ele, e agora a gente está seguindo, fazendo a mesma coisa, em homenagem a ele, que essa competição vai se tornar uma das mais importantes, porque ela conta pontos para o ranking nacional, virão outras academias de Manaus, Paraná e aí essa competição se tornou e vai se tornar uma competição a nível nacional”, disse a sensei Brenda.
O sensei Paulo (Paulo Cézar de Oliveira Ferreira), presidente da Federação de Judô do Estado de Roraima (FEJURR) faleceu em 30 de junho de 2026, aos 68 anos, em Boa Vista, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Trajetória e Legado
Liderança Esportiva: Presidiu a FEJURR desde o ano de 2000, liderando o desenvolvimento da modalidade em Roraima por mais de três décadas.Graduação: Possuía o título de Kodansha 7º dan, uma das patentes mais altas e tradicionais do esporte para mestres experientes.
Arbitragem: Conquistou a graduação de árbitro FIJA, a patente máxima da Federação Internacional de Judô na arbitragem mundial
Academia Kodokan: Foi um dos fundadores da Academia Kodokan de Roraima, onde formou mais de 100 faixas-pretas — marco que inclui a formação do primeiro atleta faixa-preta com Síndrome de Down no estado.A partida do Sensei Paulo gerou comoção e notas oficiais de pesar da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) e de diversas federações estaduais do país.
Entrada franca
Para os amantes da modalidade, a entrada é franca, com portões abertos a partir das 8h30, no ginásio Hélio Campos.
Roraima
3ª Etapa do Campeonato Amigos do Arraes reúne mais de 70 pilotos no Mucajaí
Preparem os ouvidos, vai ter muita adrenalina e ronco de motores. Vem aí a 3ª Etapa do Campeonato Pista Amigos do Arraes de Motocross, que será disputada a partir das 14h, deste domingo (6), na Vicinal Tamandaré, em Mucajaí, município distante 54 quilômetros da capital Boa Vista.
A disputa tem apoio e chancela da Federação de Motociclismo de Roraima (Femorr).
A disputa vai ser acirrada e não irá faltar adrenalina em seis categorias: Nacional pro, nacional B, nacional C, importada, kids e mirim.
Conforme explica o organizador da competição, Denilton Arraes, não vai faltar equilíbrio técnico entre os competidores, que virão de todos os estados vizinhos da região Norte.
“Irão dar um show, estarão presentes os melhores pilotos da região Norte, escolha seu piloto e venha torcer, traga sua família para um ambiente bem agradável e curtir uma adrenalina bem diferente, os pilotos estão bem afiados para mais uma prova”, destacou Denilton Arraes.
As inscrições poderão ser feitas até à 0h de domingo, no dia da prova, interessados podem entrar em contato pelo 95 9123-2801.
Para os interessados em prestigiar o evento, o ingresso custa apenas R$ 10, promoção de preço único de incentivo ao esporte.
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