Boa Vista
Nome que aparecerá na urna da candidatura do PT ao Governo de Roraima na eleição suplementar é o de Antônia Pedrosa
Dando continuidade à série do Roraima 1 que apresenta os candidatos que aparecerão nas urnas eletrônicas no próximo domingo (21) na disputa pelo Governo de Roraima na eleição suplementar, o nome de hoje é o da candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), Antônia Pedrosa.
Professora das redes estadual e municipal de ensino, ela foi a candidata registrada pelo Partido dos Trabalhadores para disputar o Governo de Roraima na eleição suplementar. A chapa tem como candidato a vice-governador Bartô Macuxi (Psol) e disputa o pleito com o número 13.
Embora o nome que aparecerá na urna eletrônica seja o de Antônia Pedrosa, a candidata da Federação Brasil da Esperança na eleição suplementar é a socióloga Nelita Frank.
A mudança ocorreu após decisões judiciais relacionadas às regras de desincompatibilização, que determinam o prazo mínimo de afastamento de cargos públicos para quem pretende disputar eleições.
Inicialmente, Antônia Pedrosa foi registrada como candidata ao Governo de Roraima pela federação formada por PT, PCdoB e PV, em aliança com PSOL e Rede Sustentabilidade.
No entanto, após decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) passou a aplicar os prazos de desincompatibilização previstos na Lei da Inelegibilidade, que exigem afastamento de três a seis meses antes da eleição, a depender do cargo exercido.
Antônia Pedrosa, que é professora das redes estadual e municipal de ensino, havia se afastado da função após a convenção partidária realizada em 15 de maio. Com isso, a candidatura passou a ser questionada por não atender ao prazo mínimo exigido pela legislação eleitoral.
Posteriormente, Flávio Dino autorizou a substituição imediata de candidatos atingidos pela mudança nas regras. Com isso, a Federação Brasil da Esperança oficializou a candidatura da socióloga Nelita Frank para encabeçar a chapa ao lado de Bartô Macuxi.
Apesar da substituição, o nome de Antônia Pedrosa permanecerá na urna eletrônica durante a votação. Os votos registrados para a chapa serão contabilizados para Nelita Frank, que assumiu a candidatura após a decisão da Justiça Eleitoral.
Trajetória política
Antônia Pedrosa foi a candidata registrada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, em aliança com PSOL e Rede Sustentabilidade, para disputar o Governo de Roraima na eleição suplementar de 2026, ao lado de Bartô Macuxi, candidato a vice-governador.
Propostas
O programa de governo apresentado pela candidatura afirma que foi elaborado a partir do compromisso da Federação PT, PCdoB e PV, em aliança com PSOL e Rede Sustentabilidade, e propõe um projeto voltado para desenvolvimento sustentável, justiça social, participação popular e fortalecimento dos serviços públicos.
Entre os eixos prioritários está a educação. O plano prevê valorização de professores e servidores da educação, fortalecimento da gestão democrática nas escolas, ampliação do ensino em tempo integral, reformas e modernização das unidades escolares, além da expansão da educação profissional e tecnológica.
Na área da saúde, a candidatura propõe mutirões permanentes de consultas, exames e cirurgias eletivas, valorização dos profissionais da saúde, criação de policlínicas regionais, ampliação da telessaúde e fortalecimento das políticas de saúde mental.
O programa também apresenta propostas voltadas ao combate à fome e à segurança alimentar, incluindo ampliação de restaurantes populares, cozinhas comunitárias, bancos de alimentos e fortalecimento da agricultura familiar.
Na área econômica, a candidatura defende geração de emprego e renda, incentivo ao empreendedorismo, fortalecimento da economia de fronteira, apoio a micro e pequenas empresas, ampliação do crédito e investimentos em energia, logística e infraestrutura.
O programa também prevê ações voltadas à preservação ambiental, combate ao garimpo ilegal, fortalecimento da bioeconomia e enfrentamento das mudanças climáticas.
Na segurança pública, as propostas incluem criação de postos de policiamento comunitário, integração entre as forças policiais, fortalecimento da inteligência policial e programas de prevenção à violência.
A candidatura também apresenta propostas voltadas à proteção dos povos indígenas, com ações nas áreas de educação, saúde, segurança alimentar, combate ao garimpo ilegal e fortalecimento de atividades econômicas sustentáveis.
Ficha da chapa
- Nome que aparecerá na urna: Antônia Pedrosa
Candidata que assumiu a chapa: Nelita Frank
Vice-governador: Bartô Macuxi
Partido: PT
Número na urna: 13
Por que haverá uma nova eleição?
A eleição suplementar foi convocada após a cassação definitiva da chapa eleita para o Governo de Roraima em 2022. Antonio Denarium (PP) e Edilson Damião (União Brasil) venceram as eleições daquele ano. Ao longo dos anos seguintes, a chapa foi alvo de decisões da Justiça Eleitoral que resultaram na cassação dos mandatos.
Em 30 de abril deste ano, o Tribunal Superior Eleitoral concluiu o julgamento definitivo do caso, confirmou a cassação da chapa e declarou Antonio Denarium inelegível por oito anos. A decisão também determinou a realização de uma nova eleição para governador e vice-governador.
O que decidiu o TSE?
O plenário do Tribunal Superior Eleitoral confirmou a cassação da chapa por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Entre os fatos analisados durante o processo estavam a distribuição de benefícios sociais e gastos com publicidade institucional. Além da perda dos mandatos, Antonio Denarium foi declarado inelegível por oito anos.
Após confirmar a cassação da chapa eleita em 2022, a maioria dos ministros optou pela realização de uma eleição suplementar direta.
Quanto tempo dura o mandato?
Os candidatos eleitos tomarão posse em julho de 2026 e permanecerão nos cargos até 31 de dezembro deste ano. O mandato terá duração aproximada de seis meses, período restante do mandato iniciado após as eleições de 2022.
Quem pode votar na eleição suplementar?
Podem votar na eleição suplementar os eleitores que estejam em situação regular perante a Justiça Eleitoral, da mesma forma que ocorre em uma eleição regular. O voto é obrigatório para brasileiros alfabetizados com idade entre 18 e 70 anos. Já para jovens de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e analfabetos, o voto é facultativo.
Para participar, o eleitor deve estar com o título eleitoral regular e constar no cadastro da Justiça Eleitoral. No dia da eleição, é necessário apresentar um documento oficial com foto ou utilizar o aplicativo e-Título, caso a fotografia esteja habilitada.
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Boa Vista
Homem condenado a mais de 35 anos por crimes sexuais contra sobrinha-neta é preso em Boa Vista
A Polícia Civil de Roraima prendeu, nesta quarta-feira (23), em Boa Vista, um homem de 29 anos condenado a 35 anos, 2 meses e 16 dias de prisão por crimes de violência sexual contra uma sobrinha-neta. A prisão ocorreu no bairro Airton Rocha, na região do Pérola, e foi cumprida por agentes da Polinter (Delegacia de Polícia Interestadual).
O mandado de prisão definitiva foi expedido pela Vara de Crimes contra Vulneráveis do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR). A condenação estabelece regime inicial fechado e também prevê o pagamento de R$ 10 mil de indenização mínima por danos morais à vítima.
Segundo informações do processo, os crimes ocorreram em dois períodos. O primeiro episódio ocorreu entre outubro de 2014 e 2016, quando a vítima tinha entre 7 e 10 anos. O segundo ocorreu em 2021, quando ela tinha 14 anos. Os fatos aconteceram na residência de familiares, no bairro Pérola, em Boa Vista.
Vítima revelou violência durante atendimento
Conforme consta no processo, a violência teria começado quando a vítima ainda era criança e ocorrido de forma reiterada em períodos em que os pais não estavam em casa. A investigação apontou que o condenado, tio-avô da vítima, frequentava a residência da família.
Em 2021, quando a vítima já era adolescente, o pai percebeu mudanças em seu comportamento e buscou atendimento psicológico para ela. Durante o acompanhamento, a adolescente revelou a violência sexual que havia sofrido e relatou que era ameaçada para permanecer em silêncio.
O homem negou as acusações durante o processo. Após a investigação e a instrução judicial, ele foi condenado pelos dois crimes.
A pena inicialmente estabelecida era de 37 anos, 2 meses e 15 dias de reclusão. Em recurso, a Câmara Criminal do TJRR acolheu parcialmente o pedido da defesa apenas para ajustar a dosimetria da pena e o valor relacionado à reparação por danos morais. A condenação definitiva ficou em 35 anos, 2 meses e 16 dias, em regime fechado.
Prisão
O mandado foi assinado em 21 de setembro de 2026, com determinação para que o condenado fosse localizado e encaminhado ao sistema prisional.
Após ser preso nesta quarta-feira, ele foi levado à sede da Polinter, onde a prisão foi formalizada. O condenado será apresentado à audiência de custódia nesta quinta-feira (24) e, posteriormente, deverá ser encaminhado ao sistema prisional.
A prisão foi coordenada pelo delegado Vinícius Souza, titular da Polinter.
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Boa Vista
Justiça condena produtores e empresa a pagar R$ 750 mil por pulverização de agrotóxicos perto de comunidade indígena em Boa Vista
A Justiça Federal condenou dois agropecuaristas e uma empresa de aviação agrícola ao pagamento de R$ 750 mil por danos morais coletivos à Comunidade Indígena Morcego, na Terra Indígena Serra da Moça, em Boa Vista. A decisão responsabiliza os réus pela pulverização de agrotóxicos nas proximidades do território indígena.
A sentença foi proferida na última sexta-feira (18) pela 1ª Vara Federal Cível de Roraima, em ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF). Ainda cabe recurso.
Além do pagamento da indenização, a Justiça confirmou uma liminar que proíbe os produtores e a empresa de realizar pulverização por aeronaves ou outros veículos aéreos na Fazenda Paricarana e nas proximidades da Terra Indígena Serra da Moça quando a atividade estiver em desacordo com as normas ambientais e de segurança.
Cinco pulverizações registradas
Segundo as apurações do MPF, os dois agropecuaristas eram responsáveis pela exploração agrícola da Fazenda Paricarana e teriam contratado a empresa de aviação para realizar a aplicação de agrotóxicos. A propriedade fica a menos de 300 metros da Comunidade Morcego, onde vivem indígenas das etnias Macuxi e Wapichana.
O MPF registrou cinco pulverizações aéreas na região a partir de 2021. As aplicações continuaram mesmo depois de uma fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que havia aplicado autos de infração e determinado a suspensão da atividade.
Na primeira vistoria, os fiscais constataram o uso de produto classificado como agrotóxico em aplicação aérea considerada irregular. Foram aplicados R$ 205 mil em multas e determinada a suspensão da atividade.
Após novos registros, o Ibama realizou outra fiscalização em julho de 2022 e confirmou a reincidência. Com os novos autos de infração, as multas chegaram a R$ 307,5 mil.
Um relatório do órgão também apontou que uma roça comunitária localizada dentro da Terra Indígena Serra da Moça foi atingida por agrotóxico em maio de 2022, provocando a perda da plantação.
Indígenas relataram problemas de saúde
Durante uma diligência realizada pelo MPF em maio de 2022, moradores da comunidade relataram sintomas que atribuíram ao contato com os agrotóxicos. Entre os problemas mencionados estavam ardência no corpo, dificuldade para respirar, dor de cabeça, náusea, coceira e irritação nos olhos.
O Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) do Leste de Roraima confirmou registros de atendimentos de saúde que poderiam estar relacionados à exposição aos produtos lançados por aeronaves.
Os relatos também apontaram impactos sobre a vegetação e os cultivos da comunidade. Uma moradora afirmou ao MPF que a plantação de hortaliças foi perdida após a contaminação. Segundo ela, mesmo quando o produto era aplicado na área da fazenda, a chuva poderia carregar resíduos para o solo da comunidade.
Réus contestaram responsabilidade
Durante o processo, os réus alegaram que a aplicação dos defensivos agrícolas seguia normas técnicas e regulamentares. Também sustentaram que não havia provas suficientes para estabelecer relação entre a atividade agrícola e os problemas de saúde relatados pelos indígenas.
Na sentença, porém, o magistrado considerou que os autos de infração do Ibama, os relatórios do Dsei e os depoimentos reunidos no processo demonstraram a contaminação da área e o risco à saúde humana.
A decisão aplicou os princípios da precaução e do poluidor-pagador para responsabilizar os envolvidos. O caso também teve desdobramento na esfera criminal.
Os dois agropecuaristas foram denunciados pelo MPF à Justiça Federal por crime relacionado ao uso, transporte ou descarte irregular de agrotóxicos.
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Boa Vista
MPRR abre inquérito para apurar possíveis irregularidades na criação de secretaria extraordinária
O Ministério Público de Roraima (MPRR) abriu um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades na criação da Secretaria de Estado Extraordinária de Atração de Investimentos (SEEAI). A investigação cita uma alegada sobreposição de atribuições da pasta com a Secretaria de Estado da Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi).
A abertura do inquérito consta no Diário Eletrônico do MPRR desta quarta-feira (23). O caso é conduzido pela 2ª Titularidade da Promotoria de Justiça de Defesa da Probidade Administrativa e do Patrimônio Público de Boa Vista.
O procedimento já tramitava no Ministério Público e agora foi convertido em inquérito civil. No extrato publicado, o MPRR não informa quais atribuições das duas secretarias estariam sobrepostas nem detalha quais fatos motivaram a apuração.
A SEEAI
A SEEAI foi criada em fevereiro de 2023. Documentos encaminhados pelo próprio Poder Executivo à Assembleia Legislativa apontam que a pasta foi regulamentada em 14 de fevereiro daquele ano.
Inicialmente, a secretaria tinha duração temporária. Desde então, o funcionamento da pasta vem sendo prorrogado. Em abril deste ano, uma nova lei estendeu a duração da SEEAI por mais um ano. A norma estabeleceu efeitos retroativos a 13 de fevereiro de 2026.
Governo diz que não foi notificado
Procurado pela reportagem, o Governo de Roraima informou, por meio da Casa Civil, que ainda não recebeu notificação formal do Ministério Público sobre a abertura da investigação.
A Casa Civil afirmou ainda que a SEEAI foi criada em fevereiro de 2023, durante a gestão passada, e informou que o Governo prestará os esclarecimentos necessários quando for oficialmente notificado.
“O Governo de Roraima, por meio da Casa Civil, informa que não recebeu qualquer notificação formal do Ministério Público Roraima referente à eventual abertura de investigação sobre irregularidades na criação da Secretaria de Estado Extraordinária de Atração de Investimentos.”
Segundo a resposta, “tão logo seja notificado, o Governo prestará todos os esclarecimentos pertinentes”.
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