Boa Vista
Câmara dos Deputados debate plano nacional para proteger línguas, tradições e culturas indígenas
A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados realizou na quinta-feira (11) audiência pública para discutir o Plano Nacional de Valorização das Culturas Indígenas. O debate reuniu representantes de povos originários, pesquisadores e integrantes do poder público, que defenderam a aprovação da proposta em tramitação na Casa.
A discussão foi realizada como desdobramento da audiência anunciada pela comissão para tratar das diretrizes da política voltada à valorização e proteção das expressões culturais dos povos indígenas.
O projeto prevê a criação de uma política nacional voltada ao fortalecimento das culturas indígenas, com foco na preservação de tradições, línguas, conhecimentos ancestrais, manifestações artísticas e formas próprias de organização social.
Um dos principais pontos defendidos durante a audiência foi a participação direta dos povos indígenas em todas as etapas das políticas culturais voltadas às suas comunidades. A proposta também estabelece que o poder público deve ampliar o acesso de indígenas aos mecanismos de fomento à cultura previstos em lei.
Durante o debate, a representante do Ministério dos Povos Indígenas, Giovana Mandulão, afirmou que a valorização das culturas originárias faz parte de um processo de reparação histórica.
“Por séculos, as políticas do Estado brasileiro operaram uma lógica do apagamento cultural, da assimilação forçada, do silenciamento das nossas línguas e da criminalização das nossas espiritualidades”, disse.
Segundo ela, a cultura indígena não deve ser tratada apenas como folclore, mas como parte do modo de vida de cada povo, envolvendo território, memória, espiritualidade, educação, cuidado com a saúde, produção de alimentos e preservação ambiental.
A audiência foi solicitada pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Durante o encontro, a parlamentar pediu que representantes indígenas analisem o substitutivo apresentado ao projeto e contribuam com sugestões antes da votação.
“Não vamos votar um texto sem que vocês opinem”, afirmou a deputada.
O texto também prevê apoio a iniciativas de documentação, preservação e revitalização de línguas indígenas. A artista e ativista Daiara Tukano chamou atenção para os impactos das políticas de apagamento cultural ao longo do século 20 e defendeu que o Estado contribua para o fortalecimento das línguas e tradições dos povos originários.
De acordo com a representante do Museu Nacional dos Povos Indígenas, Juliana Tupinambá, o Brasil tem 391 povos indígenas e 295 línguas faladas. Para ela, preservar as culturas indígenas é também preservar a diversidade cultural brasileira.
O projeto segue em análise na Câmara dos Deputados.
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Boa Vista
Brasil estreia com empate diante do Marrocos na Copa do Mundo de 2026
O Brasil começou sua caminhada na Copa do Mundo de 2026 com um empate por 1 a 1 diante do Marrocos, neste sábado (13), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Vinicius Júnior marcou o gol da Seleção Brasileira, enquanto Saibari balançou as redes para os marroquinos.
O resultado deixa a equipe comandada por Carlo Ancelotti com um ponto no Grupo C. O próximo compromisso da Seleção será contra o Haiti, na sexta-feira (19), no Lincoln Financial Field, na Filadélfia.
Empurrado por mais de 80 mil torcedores presentes no estádio, o Brasil encontrou dificuldades nos minutos iniciais diante de um Marrocos organizado e perigoso nos contra-ataques. Logo aos seis minutos, Mazraoui avançou pela esquerda e encontrou El Aynaoui na entrada da área, mas Bruno Guimarães conseguiu afastar o perigo. Na sequência, Hakimi também assustou em chute cruzado.
A primeira boa chegada brasileira aconteceu aos 13 minutos. Raphinha iniciou a jogada e acionou Vinicius Júnior pela esquerda. O atacante cruzou na medida para Igor Thiago, que não conseguiu alcançar a bola.
Apesar de buscar maior controle da posse, o Brasil viu o adversário abrir o placar aos 20 minutos. Após recuperação de bola no meio-campo, Brahim Díaz lançou Saibari, que avançou livre e finalizou na saída de Alisson para fazer 1 a 0.
A reação brasileira veio ainda na primeira etapa. Aos 31 minutos, Bruno Guimarães puxou o contra-ataque e encontrou Vinicius Júnior pela esquerda. O camisa 7 cortou a marcação e bateu cruzado para empatar a partida com um belo gol. O atacante chegou ao décimo gol pela Seleção Brasileira justamente em sua 50ª partida pela equipe nacional.
Antes do intervalo, o Brasil quase virou. Aos 46 minutos, Douglas Santos cruzou para Lucas Paquetá, que acertou uma bonita finalização de voleio. O goleiro Bono fez grande defesa e evitou o segundo gol brasileiro.
Na volta para o segundo tempo, Carlo Ancelotti promoveu as entradas de Danilo e Fabinho nas vagas de Ibañez e Casemiro. As mudanças deram mais consistência ao sistema defensivo brasileiro, que passou a controlar melhor as investidas marroquinas.
Com mais posse de bola e presença ofensiva, o Brasil criou as principais oportunidades da etapa final. Aos 32 minutos, Matheus Cunha lançou Vinicius Júnior, que serviu Raphinha dentro da área. O atacante finalizou, mas Bono voltou a aparecer com uma defesa importante.
Já nos acréscimos, após cobrança de escanteio, Danilo Santos recebeu na entrada da área e bateu colocado. Novamente Bono salvou o Marrocos.
Nos minutos finais, Alisson também precisou trabalhar. O goleiro brasileiro fez duas defesas decisivas em sequência, primeiro em chute de El Aynaoui e depois no rebote finalizado por Amaimouni, garantindo o empate da Seleção na estreia.
Com o resultado, Brasil e Marrocos somam um ponto cada na classificação do Grupo C. A Seleção volta a campo na próxima sexta-feira (19), quando enfrenta o Haiti em busca da primeira vitória no Mundial.
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“Meu nome está na urna”, diz Arthur Henrique ao acusar adversário de tentar tirá-lo da disputa
Faltando oito dias para a eleição suplementar ao Governo de Roraima, o candidato Arthur Henrique (PL) afirmou nesta sexta-feira (13) que sua candidatura permanece válida e que não existe nenhuma decisão judicial que tenha interrompido sua participação na disputa.
Durante agenda de campanha, Arthur disse que seguirá informando a população sobre qualquer eventual mudança em sua situação eleitoral e destacou que tem respeitado todas as determinações da Justiça.
“Não houve nenhuma decisão judicial que tenha interrompido minha candidatura. E se houver qualquer decisão que mude algo, eu serei o primeiro a trazer aqui pra vocês. Eu respeito a lei, respeito as regras, não tem caminho torto comigo, e nada fica por baixo dos panos”, declarou.
O candidato também comentou os embates jurídicos envolvendo sua candidatura e afirmou que enfrenta uma disputa que vai além da campanha nas ruas.
“Vocês estão acompanhando a nossa luta, não tá sendo fácil, mas eu sigo em frente. O nosso adversário está usando todas as artimanhas possíveis na Justiça para que a eleição tenha um único candidato. Que democracia é essa, gente?”, questionou.
Arthur voltou a defender a necessidade de renovação na política estadual e afirmou que continuará fazendo campanha até o dia da votação.
“Roraima quer um novo jeito de fazer política, e por isso eu sigo firme. Meu nome tá na urna.”
O candidato também destacou que permanece realizando atividades de campanha em diferentes regiões do estado.
“Eu estou na rua, trabalhando, faltam oito dias para a eleição”, afirmou.
A eleição suplementar para o Governo de Roraima está marcada para o próximo dia 21 de junho. Atualmente, Arthur Henrique segue autorizado a realizar atos de campanha, conceder entrevistas, participar de debates e do horário eleitoral gratuito enquanto aguarda o julgamento definitivo dos recursos relacionados ao registro de candidatura.
Assista ao vídeo:
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Quem tem medo das urnas espalha boatos
A eleição suplementar de Roraima entrou em uma fase perigosa. Não pela disputa de ideias, nem pelo confronto de projetos. Mas pela tentativa de substituir o debate político por boatos, vídeos gerados por Inteligência Artificial (I.A.) e desinformação.
Nos últimos dias, multiplicaram-se mensagens, montagens e conteúdos produzidos com inteligência artificial afirmando que Arthur Henrique (PL) está fora da eleição. A intenção é clara, criar no eleitor a sensação de que a disputa acabou antes mesmo de o processo judicial ser concluído.
Mas a realidade é mais simples do que os produtores de boatos gostariam. O caso continua sendo discutido na Justiça. Existem decisões desfavoráveis ao candidato, é verdade. Porém também existem recursos, manifestações judiciais pendentes e uma discussão jurídica que ainda não chegou ao seu capítulo final. Não cabe a grupos políticos, militantes digitais ou fabricantes de vídeos falsos decretarem o resultado de um processo que ainda tramita nos tribunais.
O mais curioso é que aqueles que dizem defender a democracia parecem sentir enorme desconforto quando se deparam com a possibilidade de enfrentar o julgamento das urnas. Em vez de convencer eleitores, preferem tentar confundi-los. Em vez de apresentar propostas, apostam na dúvida. Em vez de disputar votos, tentam eliminar adversários na narrativa.
Roraima merece mais do que isso. A democracia não é feita de correntes de WhatsApp. Não é feita de vídeos produzidos por I.A. Não é feita de manchetes recortadas para enganar quem não teve acesso à informação completa. Democracia é o direito de o eleitor conhecer os fatos e decidir por si mesmo.
Quem acredita ter o melhor projeto para o estado não precisa espalhar boatos. Quem confia na própria candidatura não precisa torcer para que o adversário desapareça por decreto das redes sociais.
A população de Roraima já demonstrou maturidade suficiente para distinguir informação de propaganda e notícia de torcida organizada. O eleitor sabe que processos judiciais são decididos nos tribunais, não em grupos de mensagens.
Até que haja uma decisão definitiva, o que existe é uma disputa em andamento. E numa democracia saudável, cabe ao povo (e não aos disseminadores de desinformação) a palavra final sobre quem merece governar.
Quem confia nas urnas disputa votos. Quem não confia nelas tenta disputar versões.
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