Boa Vista
Condenado por chacina no Cauamé recebe pena de 66 anos de prisão
O Tribunal do Júri condenou um réu a 66 anos de prisão, em regime inicial fechado, pela participação na chacina do Cauamé, em Boa Vista. A decisão foi tomada nesta quarta-feira, 30, após julgamento na 1ª Vara do Tribunal do Júri e da Justiça Militar. De acordo com a sentença, o conselho de sentença reconheceu a prática de sete homicídios consumados e duas tentativas de homicídio, todos com qualificadoras como motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas.
Os jurados rejeitaram a absolvição e confirmaram que o acusado participou diretamente das ações que resultaram nas mortes e nas tentativas. Em todos os casos analisados, houve reconhecimento das qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público.
A sentença considerou que as vítimas foram surpreendidas, algumas enquanto dormiam, o que reduziu qualquer possibilidade de defesa. Também foi apontado que os crimes foram cometidos com violência intensa, o que fundamentou o reconhecimento do meio cruel.
Os fatos ocorreram em 5 de novembro de 2000, por volta de 1h, às margens do rio Cauamé. Segundo o processo, o grupo envolvido buscava um alvo específico, conhecido como “Voador”, e as demais vítimas foram mortas por estarem no mesmo local. A investigação também apontou que o crime ocorreu em um contexto de disputa entre grupos, classificado pela Justiça como motivo fútil.
A pena foi fixada em 66 anos de reclusão. O juiz determinou o início imediato do cumprimento em regime fechado e negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade, com decretação de prisão preventiva. A defesa apresentou recurso de apelação, que será analisado pelo Tribunal de Justiça de Roraima.
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Boa Vista
A promessa que não resistiu a uma semana
Governar e disputar uma eleição ao mesmo tempo exige um cuidado que vai muito além da agenda administrativa. Exige prudência, senso de oportunidade, e, sobretudo, a capacidade de compreender que determinados atos, embora possíveis do ponto de vista operacional, podem ser desastrosos do ponto de vista eleitoral.
Foi exatamente isso que aconteceu com o anúncio do pagamento dos salários dos servidores estaduais para este sábado, 20 de junho, um dia antes da eleição suplementar para governador de Roraima.
O governador interino e candidato Soldado Sampaio (Republicanos) anunciou a antecipação do pagamento como uma boa notícia para os cerca de 30 mil servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado. A informação foi divulgada publicamente. Como antecipado por esse colunista, em se tratando de Soldado Sampaio, “Prometer é fácil. Entregar é outra história”.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) precisou intervir para alertar sobre aquilo que deveria ter sido considerado desde o primeiro momento: pagar salários na véspera da eleição pode ser interpretado como abuso de poder político e econômico. O resultado foi constrangedor. O governador interino precisou se justificar publicamente e anunciar que não vai mais pagar porque o MPE não deixou. A verdade é que o pagamento foi adiado exclusivamente porque o Ministério Público Eleitoral considerou inadequado realizá-lo às vésperas da votação. É a lei.
Ninguém percebeu isso antes? É difícil acreditar que uma gestão inteira, cercada por assessores jurídicos, equipe política e especialistas em legislação eleitoral, não tenha discutido os riscos de uma medida tão sensível em pleno fim de campanha.
O risco era conhecido, mas acreditou-se que valeria a pena avançar até que alguém reagisse. Uma manobra que não passou despercebida. O episódio produz um desgaste desnecessário justamente no momento em que Soldado Sampaio tenta consolidar a imagem de equilíbrio administrativo e respeito às instituições. Não tem.
Ao anunciar algo que precisou ser desfeito dias depois, o governador-candidato acabou transformando uma notícia positiva para os servidores em uma crise evitável. Mais do que isso, entregou aos eleitor uma percepção óbvia: o de que a máquina pública estava sendo movimentada perigosamente perto da linha que separa a administração legítima da vantagem eleitoral.
O mais curioso é que o recuo não prejudica apenas a imagem do governador-candidato. Também gera frustração para milhares de servidores que organizaram compromissos financeiros acreditando na data anunciada oficialmente. Em uma eleição acompanhada de perto por tribunais, Ministério Público e órgãos de controle, não há espaço para movimentos mal calculados ou irresponsabilidades jurídicas.
Governar exige responsabilidade administrativa. Disputar uma eleição exige prudência política. E quem ocupa simultaneamente as duas posições precisa compreender que cada decisão será observada sob as lentes da legalidade, da ética e do discernimento.
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Boa Vista
Prazo de inscrição no Sisu+ termina nesta sexta-feira (19)
Os candidatos interessados nas vagas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu+), a etapa inédita e complementar do Sisu, podem se inscrever até as 23h59 desta sexta-feira (19), no horário de Brasília.
Os estudantes devem ter participado de uma ou mais edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos últimos três anos e ter concorrido a vagas na etapa regular do Sisu 2026.
O sistema amplia as chances de acesso à educação superior pública dentro do mesmo processo seletivo, porque oferece eventuais vagas disponíveis para ingresso no segundo semestre de 2026 em instituições públicas de ensino superior que aderiram ao processo
Nesta primeira edição do Sisu+, 34 instituições, como universidades e institutos federais, aderiram ao processo seletivo.
Inscrições
Para se inscrever no Sisu+, os interessados devem acessar o Portal Único de Acesso ao Ensino Superior.
No momento da inscrição, o candidato poderá escolher até dois cursos, de modo independente das escolhas feitas em janeiro deste ano.
Se necessário, os estudantes que participaram da etapa regular podem atualizar informações socioeconômicas e alterar modalidades de concorrência.
É preciso indicar a primeira e segunda opção de preferência dos cursos. Até o fim do período de inscrição, o candidato pode alterar sua inscrição quantas vezes quiser.
Em cada uma delas, o estudante poderá visualizar o curso escolhido, o local de oferta, a instituição de ensino, o turno, o grau, eventuais ações afirmativas próprias da instituição (quando houver) e as modalidades de concorrência nas quais estará inscrito.
Confira o passo a passo para inscrição informado pelo Ministério da Educação (MEC):
- acesse o Portal Único de Acesso ao Ensino Superior;
- faça o login na plataforma com a sua conta Gov.br;
- informe todos os dados de cadastro, como informações de contato, nome social e endereço;
- preencha o questionário de informações sociais e econômicas para que o MEC possa identificar as modalidades de cotas disponíveis;
- escolha o curso e a instituição desejadas;
- o sistema considerará a maior nota desde o Enem 2023 para classificar o candidato;
- com curso e opções definidos, e após verificar as modalidades de vagas disponíveis, é só confirmar a escolha e a inscrição no Sisu+ estará concluída.
Notas de corte
As notas de corte para a vaga pretendida já podem ser consultadas diretamente nas páginas do Sisu Aluno e do Sisu Vagas. As notas devem ser utilizadas pelos candidatos apenas como uma referência da situação em que se encontram para a vaga selecionada e não como uma garantia de seleção, avisa o MEC.
Restrições
Se o candidato aprovado na chamada regular do Sisu 2026 estiver matriculado em curso de graduação de instituição pública de ensino superior, pode participar normalmente do Sisu+, desde que opte por apenas uma das vagas, pois a legislação proíbe que uma mesma pessoa ocupe duas vagas simultaneamente.
Cronograma do Sisu+
A divulgação da única chamada regular com os nomes dos pré-selecionados será feita em 24 de junho na página eletrônica do Sisu.
Para quem precisar recorrer à lista de espera porque não está entre os pré-selecionados, o prazo para manifestação de interesse será de 24 a 26 de junho.
De acordo com o edital, o processo de matrícula para os selecionados na chamada regular começará a partir de 25 de junho. Por fim, a matrícula dos convocados por meio da lista de espera terá início a partir de 1º de julho.
O que é o Sisu+
Coordenado pelo MEC, o Sisu regular tem o objetivo de democratizar o acesso ao ensino superior em instituições públicas que aderiram ao processo seletivo.
Já o Sisu+ não constitui novo processo seletivo, mas sim uma extensão do Sisu 2026. Foi desenhado pelo MEC para ser uma ferramenta mais eficiente a fim de aperfeiçoar a seleção de candidatos a vagas no ensino superior.
O ministério projeta que o Sisu+ seja usado em cursos tradicionalmente com alta rotatividade, onde o estudante é admitido, mas desiste da vaga ou muda de área, o que gera para as universidades públicas a necessidade da organização de sucessivas chamadas para preenchimento de vagas.
Com o Sisu+, a instituição pode adotar a estrutura automatizada do Sisu para rodar as listas de espera de forma mais rápida, garantindo que a vaga não fique ociosa.
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Boa Vista
Em mensagem, Papa Leão XIV manifesta apoio ao povo Yanomami durante assembleia em Roraima
A 8ª Assembleia Geral da Associação Hutukara Yanomami recebeu uma mensagem de apoio do Papa Leão XIV durante encontro realizado nesta semana em Roraima. Encaminhado por meio da Secretaria de Estado do Vaticano, o texto reafirma a proximidade da Igreja Católica com os povos indígenas e destaca a importância da preservação de seus direitos, culturas e territórios.
A mensagem foi enviada ao bispo da Diocese de Roraima, dom Evaristo Spengler, e lida durante a programação da assembleia, que reuniu lideranças Yanomami, representantes de organizações parceiras e integrantes de organismos internacionais de direitos humanos.
No documento, assinado pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, o pontífice manifesta alegria pela realização do encontro e assegura suas orações para que a assembleia fortaleça a união dos povos em torno de seus valores e tradições.
O Papa destaca ainda que esses valores estão fundamentados na dignidade humana e reconhece a riqueza cultural, espiritual e social dos povos originários. Ao final da mensagem, Leão XIV concede sua bênção aos participantes e, de forma especial, ao povo Yanomami.
Assembleia debate impactos do garimpo ilegal
O encontro ocorreu em meio à visita oficial da Relatoria Especial sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (REDESCA), vinculada à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que esteve em Roraima para ouvir relatos sobre os impactos da mineração ilegal na Amazônia.
A missão integra a elaboração de um relatório regional sobre mineração ilegal de ouro e seus reflexos nos direitos humanos em territórios da Amazônia e do Escudo Guianense. A delegação foi liderada pelo relator especial Javier Palummo.
Durante a assembleia, lideranças indígenas relataram problemas associados à presença de garimpeiros ilegais na Terra Yanomami, entre eles a contaminação de rios por mercúrio, aumento de doenças, violência, exploração sexual, circulação de armas e degradação ambiental.
Participaram do encontro o líder indígena Davi Kopenawa, o vice-presidente da Hutukara Yanomami, Dário Kopenawa, além de representantes de organizações da sociedade civil e comunidades afetadas pela atividade garimpeira.
Igreja reafirma compromisso com os povos indígenas
Representando a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), o presidente da entidade e bispo de Roraima, dom Evaristo Spengler, destacou que a Igreja seguirá acompanhando as demandas dos povos indígenas e apoiando a defesa de seus direitos.
Segundo ele, os relatos apresentados durante a assembleia evidenciam os desafios enfrentados pelas comunidades diante dos impactos provocados pela exploração ilegal de recursos naturais em seus territórios.
A REPAM também reafirmou seu compromisso com a proteção da vida, da floresta e dos direitos dos povos originários, defendendo ações que garantam condições dignas de saúde, educação e preservação cultural às comunidades indígenas da Amazônia.
A visita da REDESCA e a mensagem enviada pelo Papa Leão XIV reforçam a visibilidade internacional da situação enfrentada pelos Yanomami e ampliam o debate sobre a proteção dos direitos humanos e ambientais na região amazônica.
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