Boa Vista
Conselho Indigenista pede inconstitucionalidade de lei sobre Marco Temporal
O Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI) formalizou uma ofensiva institucional contra a Lei 14.701/2023, que instituiu a tese do Marco Temporal, e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a declaração imediata de sua inconstitucionalidade. As resoluções foram publicadas no Diário Oficial da última quinta-feira, 26. O documento oficial explicita o agravamento da tensão entre o Ministério dos Povos Indígenas e o Congresso Nacional em torno dos direitos territoriais originários.
Segundo o relatório da força-tarefa multidisciplinar, o Conselho sustenta que a lei afronta diretamente o artigo 231 da Constituição Federal. O dispositivo reconhece que os direitos indígenas sobre suas terras são originários, isto é, anteriores à própria formação do Estado brasileiro. Para o CNPI, a norma aprovada pelo Legislativo contraria entendimento já firmado pelo STF no Tema 1031.
O julgamento citado refere-se ao Recurso Extraordinário 1.017.365, no qual o STF rejeitou a fixação de qualquer marco cronológico para a demarcação de terras indígenas. Mesmo assim, o Congresso aprovou a lei que passou a condicionar o reconhecimento territorial à ocupação em 5 de outubro de 1988. De acordo com o Conselho, a vigência da norma tem paralisado processos administrativos e criado um cenário de insegurança jurídica.
Pressão sobre o STF e reação às PECs
A recomendação formal do CNPI é para que o STF declare a inconstitucionalidade da Lei 14.701/2023 de forma imediata. O Conselho sustenta que a legislação representa afronta a decisão com repercussão geral, cujos efeitos devem orientar todas as instâncias do Judiciário. A avaliação técnica apresentada nas resoluções indica que a manutenção da lei compromete o fluxo regular das demarcações.
Paralelamente, o relatório identifica resistência jurídica a três Propostas de Emenda à Constituição em tramitação no Congresso. A PEC 48/2023 busca inscrever o Marco Temporal no próprio texto constitucional, enquanto a PEC 36/2024 trata do arrendamento de terras indígenas e a PEC 10/2024 aborda a exploração econômica desses territórios. O Conselho exige o arquivamento definitivo das três propostas.
A fundamentação jurídica apresentada é a de que os direitos indígenas configuram cláusulas pétreas, por integrarem o núcleo essencial dos direitos fundamentais. Segundo os juristas do CNPI, por estarem ligados à dignidade humana e à sobrevivência física e cultural dos povos originários, tais direitos não podem ser suprimidos nem reduzidos, mesmo por emendas constitucionais aprovadas por maiorias parlamentares.
Violência, memória e metas climáticas
O relatório também traz denúncia sobre ataques contra comunidades Guarani Kaiowá na Reserva de Dourados, no Mato Grosso do Sul. De acordo com o documento, em 27 de novembro de 2024 indígenas foram atacados pela Polícia Militar (PM-MS) durante protesto pacífico que reivindicava o restabelecimento do abastecimento de água. O CNPI solicitou ao Ministério Público Federal (MPF) a apuração da responsabilidade dos executores e motivadores do episódio.
Além disso, o Conselho recomendou que o STF, no âmbito da ADPF 1059, exija do Estado do Mato Grosso do Sul um plano de reestruturação da Segurança Pública para reduzir a violência policial em territórios indígenas. A medida é apresentada como resposta institucional diante do agravamento de conflitos locais. O caso é tratado como parte do contexto mais amplo de vulnerabilidade territorial.
No campo da memória e da reparação histórica, o relatório detalha a proposta de criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade (CNIV). O objetivo é apurar e reparar violações cometidas pelo Estado durante a ditadura militar, período em que o Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade de 2014 reconheceu a morte de pelo menos 8.350 indígenas. As violações mencionadas incluem esbulho territorial, remoções forçadas, contágio por doenças, prisões e torturas.
A publicação ainda estabelece conexão entre demarcação territorial e compromissos ambientais assumidos pelo Brasil. Dados citados indicam que 49% das emissões de gases de efeito estufa do País decorrem do desmatamento. Em contraste, a conversão de vegetação nativa em terras indígenas foi de 1,2% nos últimos 40 anos, frente a 14,8% no restante do território nacional.
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Boa Vista
Seminário gratuito em Roraima debate alternativas para recuperação e reinserção de presos
A Escola Nacional da Magistratura (ENM) e a Escola Judicial de Roraima (Ejurr) realizam, no dia 14 de setembro, um seminário gratuito sobre a implantação e o fortalecimento do Método APAC no sistema prisional. O evento será híbrido, com 30 vagas presenciais em Boa Vista e transmissão on-line.
As atividades ocorrerão das 9h às 12h e das 14h às 16h, no horário de Roraima. A programação é voltada a magistrados, defensores públicos, integrantes do sistema de Justiça, estudantes e demais interessados na área de execução penal.
O Método APAC, sigla para Associação de Proteção e Assistência aos Condenados, propõe um modelo de cumprimento de pena voltado à responsabilização, à recuperação e à reinserção social das pessoas privadas de liberdade.
Durante o seminário, especialistas e representantes de instituições ligadas à execução penal discutirão os fundamentos da metodologia, experiências já desenvolvidas no país e os caminhos necessários para a criação de novas unidades e o fortalecimento das APACs existentes.
A programação também abordará a integração do método com políticas públicas de saúde, educação, assistência social, trabalho e outras áreas consideradas essenciais para a reinserção social.
Programação
O credenciamento dos participantes começa às 9h. A abertura institucional está prevista para as 9h30, com a participação da diretora da Ejurr, desembargadora Tânia Vasconcelos; do diretor-presidente da ENM, desembargador Nelson Missias de Morais; do presidente do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), desembargador Leonardo Cupello; e do secretário estadual de Justiça e Cidadania, coronel Dagoberto Gonçalves, além de outras autoridades convidadas.
Das 10h às 11h, a diretora-geral da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC), Tatiana Flávia Faria de Souza, apresentará a palestra “O Método APAC em perspectiva: fundamentos, experiências e possibilidades”.
Em seguida, das 11h às 12h, o secretário-geral da ENM e desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Caetano Levi Lopes, falará sobre “Execução penal e os caminhos para o fortalecimento do Método APAC”.
No período da tarde, das 14h às 16h, será realizada a mesa-redonda “Construindo caminhos para a implementação e o fortalecimento das APACs”.
Participarão do debate os desembargadores Nelson Missias de Morais e Caetano Levi Lopes; a diretora-geral da FBAC, Tatiana Flávia Faria de Souza; o presidente do Conselho Deliberativo da FBAC e promotor de Justiça em Minas Gerais, Henrique Nogueira Macêdo; a defensora pública Ana Paula de Carvalho Souto; e a diretora de Metodologia da APAC Manhuaçu, Denise Rodrigues de Oliveira.
Inscrições
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pela página do evento.
Para a participação presencial, estão disponíveis 30 vagas na sede administrativa do TJRR, localizada na avenida Capitão Ene Garcez, nº 1.696, 4º andar, bairro São Francisco, em Boa Vista. Depois do preenchimento das vagas presenciais, as inscrições permanecerão abertas apenas para participação on-line.
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Boa Vista
Prefeitura de Caroebe pode gastar até R$ 27 milhões com perfuração de poços
A Prefeitura de Caroebe pode gastar até R$ 27 milhões com a perfuração de poços tubulares profundos no município. O valor consta no resultado de uma licitação publicado no Diário Oficial dos Municípios de Roraima (DOM-RR) desta quarta-feira (9).
A empresa ANAPM Comércio e Serviços Ltda foi declarada vencedora da Concorrência SRP nº 004/2026, vinculada ao Processo nº 061/2026, com valor total de R$ 27.000.023,34. O objeto é a eventual contratação de empresa especializada em engenharia para execução de serviços de perfuração de poços tubulares profundos.
Como o procedimento foi realizado por meio de sistema de registro de preços e a própria publicação fala em eventual contratação, o valor de R$ 27 milhões representa o limite previsto no resultado divulgado. O documento não confirma que todo esse montante será efetivamente gasto pela Prefeitura.
A publicação também não informa quantos poços estão previstos, quais localidades de Caroebe serão atendidas ou qual a origem dos recursos destinados aos serviços.
A reportagem procurou a Prefeitura de Caroebe para esclarecer quantos poços serão perfurados, quais regiões serão contempladas e a origem dos recursos. Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação por meio do jornalismo@roraima1.com.br.
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Boa Vista
PF investiga uso de cargos públicos para pressionar apoio político em Roraima
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta feira (9), a Operação Nomenclator para investigar a possível utilização de cargos e funções públicas para constranger ou influenciar pessoas a participar de atividades de natureza política e eleitoral em Roraima.
A investigação também apura a eventual oferta de vantagens vinculadas ao apoio a uma candidatura submetida ao pleito. A PF não informou, no comunicado divulgado nesta quarta feira, qual candidatura é investigada, quem teria participado do esquema ou quais vantagens teriam sido oferecidas.
Durante a operação, os agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Eleitoral. A medida foi autorizada após representação apresentada pela própria Polícia Federal e busca reunir provas relacionadas aos fatos investigados.
Segundo a PF, a investigação começou a partir de uma denúncia encaminhada ao Disk Denúncia Eleitoral da instituição. O relato indicou a possível utilização da estrutura de cargos e funções públicas para interferir na participação de pessoas em atividades de caráter político e eleitoral.
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