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Boa Vista

A confiança do cidadão na Justiça entrou em julgamento

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A crise que hoje atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) não deveria ser tratada apenas como mais um embate entre ministros em Brasília. Quando a mais alta Corte do país passa a enfrentar questionamentos públicos sobre seus próprios integrantes e sobre a forma como lida com conflitos internos, existe uma consequência que ultrapassa os limites do STF: a confiança do cidadão na Justiça. E confiança é um patrimônio difícil de construir e muito fácil de perder.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra que 48% dos brasileiros dizem não confiar no STF, o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 2012. O número chama atenção porque o aumento da desconfiança no Supremo ocorreu enquanto o descrédito em relação à maioria das demais instituições pesquisadas permaneceu estável ou apresentou redução.

Mas o que uma crise entre ministros em Brasília tem a ver com quem vive em Boa Vista, Caracaraí, Rorainópolis, Pacaraima ou qualquer outro município de Roraima? Mais do que pode parecer.

Para a maioria das pessoas, as divisões institucionais do Judiciário são muito menos claras do que são para quem trabalha com Direito. STF, tribunais superiores, tribunais estaduais e juízes de primeira instância fazem parte, aos olhos de parcela da sociedade, de uma mesma estrutura: a Justiça.

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Por isso, existe um risco evidente quando a instituição situada no topo dessa estrutura atravessa uma crise de credibilidade. O desgaste pode não permanecer restrito ao Supremo. Pode alimentar uma percepção mais ampla de que decisões judiciais são influenciadas por interesses políticos, relações pessoais ou disputas de poder. Isso é especialmente delicado em Roraima.

Nos últimos anos, o roraimense acompanhou decisões judiciais com consequências diretas sobre a política estadual. Mandatos, candidaturas, eleições e disputas pelo comando do Estado passaram repetidamente pelos tribunais. Em alguns momentos, decisões tomadas a milhares de quilômetros daqui produziram efeitos imediatos na vida política de Roraima.

Não se trata de discutir, neste espaço, se determinada decisão foi correta ou equivocada. Esse debate exige análise individual dos processos, das provas e da legislação.

O cidadão ainda confia em quem decide? Uma democracia não exige que a população concorde com todas as decisões judiciais. Isso seria impossível. Exige, entretanto, que as pessoas reconheçam legitimidade nas instituições responsáveis por tomá-las.

Quando alguém perde uma ação, seu candidato tem o registro negado ou uma decisão judicial contraria seus interesses, é natural haver insatisfação. O problema começa quando a discordância deixa de ser com a decisão e passa a ser com a legitimidade de quem julga.

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Se decisões passam a ser interpretadas exclusivamente conforme quem ganha e quem perde, a Justiça deixa de ser percebida como árbitro e começa a ser enxergada como participante da disputa. E não existe democracia saudável quando cada lado só reconhece a Justiça nos dias em que vence.

Também seria precipitado afirmar que a atual crise do STF provocou uma crise de confiança no Judiciário de Roraima. Para chegar a essa conclusão, seriam necessários levantamentos específicos e comparáveis ao longo do tempo. Mas ignorar a possibilidade de contaminação institucional seria igualmente um erro.

O Judiciário brasileiro enfrenta desafios que antecedem a atual turbulência no Supremo: morosidade, milhões de processos pendentes, questionamentos sobre supersalários, transparência, decisões monocráticas e dificuldade de acesso à Justiça. A crise do STF acrescenta a esse cenário uma questão ainda mais sensível: a credibilidade de quem está no topo do sistema. Roraima não está isolado desse debate.

Ao contrário. Em um Estado no qual decisões judiciais frequentemente ocupam o centro da vida política, preservar a confiança nas instituições deveria ser preocupação de todos, desde magistrados, a advogados, passando pelo Ministério Público, Defensoria, imprensa, políticos e na sociedade.

Recuperar confiança não se faz exigindo que a população simplesmente confie. Faz-se com transparência, com decisões compreensíveis, com regras claras de impedimento e suspeição. Faz-se ainda com prestação de contas e tratamento igual diante de situações semelhantes. Mas, principalmente, com instituições capazes de reconhecer que autoridade jurídica e confiança pública não são exatamente a mesma coisa. A primeira decorre da Constituição, a segunda precisa ser conquistada todos os dias.

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A crise do Supremo poderá passar. Ministros também passarão. Só que quando essa crise terminar, quanto da confiança do brasileiro na Justiça terá ficado pelo caminho?

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Repórter do NEWS Roraima, com foco em política, cotidiano e direitos sociais. Acompanha de perto os fatos que moldam a realidade local. Busca sempre o relato humano por trás das notícias. Informação com agilidade e credibilidade.

Boa Vista

Pé-de-Meia começa novo pagamento com parcelas de R$ 200 para estudantes do ensino médio

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A Caixa Econômica Federal iniciou nesta segunda-feira (21) o pagamento de uma nova parcela do Programa Pé-de-Meia. Estudantes do Ensino Médio Regular recebem R$ 200 referentes ao Incentivo-Frequência, enquanto os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) têm direito a R$ 225. 

Neste ciclo, também serão pagos mais de 38 mil parcelas do Incentivo-Conclusão e mais de 1 mil do Incentivo-Enem. Ao todo, cerca de 4 milhões de estudantes receberão pelo menos um dos incentivos previstos pelo programa. 

Os valores são depositados em contas Poupança CAIXA Tem abertas automaticamente em nome dos estudantes. O pagamento ocorre de forma escalonada, conforme o mês de nascimento de cada beneficiário.

Como movimentar o dinheiro

Os recursos podem ser movimentados pelo aplicativo CAIXA Tem, sem necessidade de comparecimento a uma agência. O estudante também pode solicitar gratuitamente o cartão Pé-de-Meia pelo aplicativo para fazer compras e pagamentos.

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Outra opção é sacar o dinheiro em casas lotéricas e terminais de autoatendimento. O saque pode ser feito sem cartão, mediante identificação biométrica previamente cadastrada.

Consulta dos pagamentos

Informações sobre a situação escolar, regras do programa e status dos pagamentos podem ser consultadas na plataforma Consulta Pé-de-Meia, no site do Ministério da Educação.

Os dados sobre os pagamentos também estão disponíveis nos aplicativos CAIXA Tem e Benefícios Sociais CAIXA.

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Receita Federal apreende roupas e celulares falsificados em loja de Boa Vista

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A Receita Federal apreendeu 97 volumes de produtos falsificados durante uma fiscalização realizada nesta segunda-feira (21) em um estabelecimento comercial de Boa Vista. Entre os materiais apreendidos estão roupas e celulares.

A ação foi realizada pela FERA Nacional, pelo TOR da Polícia Militar de Roraima e pela Equipe de Vigilância e Repressão da Receita Federal em Boa Vista, com apoio logístico do Exército Brasileiro. A fiscalização teve como foco o combate ao contrabando e à comercialização de produtos falsificados. 

O material foi recolhido e será submetido aos procedimentos administrativos previstos na legislação, com a formalização do processo correspondente.

A apreensão faz parte das ações de fiscalização contra a entrada, circulação e comercialização de mercadorias em desacordo com a legislação.

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Boa Vista

Homem é preso no Cantá suspeito de ameaçar matar ex-companheira e levar filho do casal

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Um homem de 37 anos foi preso preventivamente na manhã desta segunda-feira (21), na zona rural do Cantá, suspeito de ameaçar de morte a ex-companheira e descumprir reiteradamente medidas protetivas de urgência. A prisão foi cumprida por equipes da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), por volta das 10h, na região da Olaria Vila Vintém.

Segundo a Polícia Civil, a vítima, de 31 anos, procurou ajuda após receber mensagens de texto e áudios enviados pelo ex-companheiro, que havia sido recentemente solto depois de cumprir prisão por descumprimento de medida protetiva. O caso chegou à DEAM na sexta-feira (18), após uma denúncia anônima ser comunicada à Casa da Mulher Brasileira por uma assistente social. 

A mulher relatou que o investigado teria ameaçado matá-la e levar o filho do casal, de três anos, quando retirasse a tornozeleira eletrônica. Ele também teria afirmado que sabia onde ela estava.

Como a vítima mora em uma região rural de difícil acesso, a delegada responsável pelo caso realizou a oitiva de forma remota. Ainda na sexta-feira, a Polícia Civil pediu a prisão preventiva do investigado. A Justiça deferiu o pedido no sábado (19), e o mandado foi cumprido nesta segunda.

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Segundo a investigação, o homem possui cerca de dez registros judiciais, a maioria relacionada a ocorrências de violência doméstica e familiar contra a mulher.

Após a prisão, ele foi levado à DEAM, onde teve a prisão formalizada. O investigado será apresentado em audiência de custódia nesta terça-feira (22) e permanecerá à disposição da Justiça.

A Polícia Civil informou que a prisão ocorreu após a vítima buscar ajuda por meio de aplicativo de mensagens junto à equipe da Casa da Mulher Brasileira, que acionou a rede de proteção e comunicou o caso à DEAM.

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