Boa Vista
MPF cobra R$ 1,7 bilhão de envolvidos em esquema de cassiterita ilegal na Terra Yanomami
O Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública contra dez réus por envolvimento na extração ilegal de cassiterita e ouro na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A ação tem valor de R$ 1,7 bilhão e busca a recuperação das áreas degradadas, o pagamento de indenizações e a adoção de medidas para controlar a origem da cassiterita comercializada.
Segundo o MPF, a extração ocorreu entre março de 2021 e dezembro de 2022 na região do Pupunha, localizada na bacia do Rio Mucajaí. Entre os réus estão a White Solder Metalurgia e Mineração, a Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil, a Coopertin, a Cataratas Poços Artesianos e a Tarp Táxi Aéreo.
Em pedido de urgência, o MPF quer que sejam adotados mecanismos para comprovar a origem do minério adquirido e comercializado. Entre as medidas estão diligências na cadeia de fornecimento da cassiterita, indicação de responsáveis pela conformidade, contratação de auditoria independente e envio periódico de informações à Justiça.
Caso as determinações sejam concedidas e descumpridas, o MPF pede que as atividades dos envolvidos possam ser suspensas.
A ação também cobra a recuperação das áreas atingidas pelo garimpo. O MPF solicita a elaboração de um plano de recuperação ambiental aprovado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas, além de consulta prévia ao povo Yanomami.
Dos valores pedidos como indenização, pelo menos R$ 53,1 milhões são referentes aos danos ao patrimônio mineral da União. Outros R$ 25 milhões são cobrados por dano ambiental residual e R$ 1,62 bilhão por danos morais coletivos.
Para a White Solder, o MPF pede ainda a implantação de um programa permanente e documentado de controle da cadeia de fornecimento da cassiterita. Em relação à Coopertin, a ação solicita um sistema permanente para verificar a origem do minério.
Os pedidos ainda serão analisados pela Justiça Federal e os réus poderão apresentar defesa.
Minério recebia aparência de origem legal
A ação tem como base investigações realizadas pela Polícia Federal durante a Operação Forja de Hefesto. Conforme a apuração, o esquema envolvia desde a retirada da cassiterita dentro da Terra Indígena Yanomami até a transformação do minério e sua posterior comercialização.
Segundo a investigação, escavadeiras eram utilizadas para abrir frentes de lavra, enquanto aviões e uma pista clandestina serviam ao transporte do material.
Em seguida, a cassiterita seria registrada pela cooperativa como produção de cooperados, com emissão de notas fiscais. O minério era encaminhado à metalúrgica, transformado em lingotes de estanho certificados e depois comercializado no Brasil e no exterior com aparência de origem legal.
Documentos contábeis apreendidos registraram a movimentação de 525 toneladas de cassiterita e R$ 54,2 milhões apenas entre maio e agosto de 2021.
Em um período de cinco meses, segundo o MPF, a White Solder teria transferido R$ 166,3 milhões à Coopertin. A investigação aponta, porém, que a filial da cooperativa em Boa Vista não possuía cooperados, empregados ou lavra em funcionamento.
Fornecimento continuou nos anos seguintes
De acordo com o MPF, documentos apresentados pela própria White Solder mostram que a Coopertin permaneceu como principal fornecedora de cassiterita da empresa em 2022, 2023 e 2024.
Nesse período, foram fornecidos mais de 12,4 milhões de quilos do minério, inclusive após o cumprimento de busca e apreensão pela Polícia Federal na sede da empresa.
Quando foi cobrada a comprovar a procedência da cassiterita, segundo a ação, a cooperativa declarou produção inferior ao volume que a metalúrgica informou ter adquirido. Também não foram apresentados documentos como licenças ou relatórios de lavra capazes de demonstrar a origem do material.
O MPF aponta ainda que o garimpo avançou em direção ao Parque Nacional dos Campos Amazônicos. O minério seria transportado pela chamada Estrada do Estanho em direção à cidade onde ficam a fundição e a matriz da cooperativa.
Área degradada
Segundo o MPF, a atividade garimpeira causou destruição ao longo de aproximadamente 1,5 quilômetro de um igarapé e degradou mais de 20 hectares.
A ação também relata assoreamento de cursos d’água e utilização de mercúrio na extração de ouro.
Os danos, conforme o órgão, ocorreram durante o período mais grave da crise humanitária enfrentada pelo povo Yanomami. Até agora, segundo o MPF, nenhuma medida de recuperação da área degradada foi realizada.
A ação foi apresentada pelo 2º Ofício da Amazônia Ocidental, especializado no enfrentamento à mineração ilegal no Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia.
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Boa Vista
Menino de 12 anos é atropelado por carreta de combustível em Boa Vista
Um menino de 12 anos foi atropelado por uma carreta de transporte de combustível na manhã desta quarta-feira (28), na avenida General Ataíde Teive, no bairro Alvorada, zona Oeste de Boa Vista. Segundo a Polícia Militar, o motorista deixou o local antes da chegada da equipe policial.
De acordo com o relato do adolescente aos policiais, ele seguia de bicicleta pela calçada quando desviou de um poste e acessou a pista de rolamento. Nesse momento, foi atingido pelas rodas da carreta, que trafegava no sentido bairro-centro.
Com o impacto, o menino caiu e sofreu diversas escoriações pelo corpo. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestou os primeiros socorros e o encaminhou ao Hospital Geral de Roraima (HGR).
Quando os policiais chegaram, o condutor da carreta já havia saído do local em direção desconhecida. Por isso, não foi possível identificá-lo naquele momento nem colher sua versão sobre o acidente. A perícia também não foi realizada no local.
A ocorrência foi registrada pela Companhia Independente de Policiamento de Trânsito Urbano e Rodoviário da Polícia Militar.
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Boa Vista
TCE aponta indícios de sobrepreço em transporte escolar de Alto Alegre; rota prevê R$ 55 por km para um aluno
O Tribunal de Contas de Roraima (TCE-RR) apontou indícios de sobrepreço e irregularidades em uma contratação de R$ 1,6 milhão para o transporte escolar de alunos da rede municipal de Alto Alegre. Entre os problemas identificados está uma rota de 15 quilômetros, destinada ao transporte de apenas um estudante, com valor previsto de R$ 55,40 por quilômetro rodado. A decisão foi publicada no Diário Eletrônico do Tribunal desta quarta-feira (28).
O caso envolve o Credenciamento nº 001/2026, realizado pela Prefeitura de Alto Alegre, com valor estimado de R$ 1.640.331,42 para seis meses de prestação dos serviços, o equivalente a aproximadamente R$ 273,3 mil mensais.
Segundo a decisão, o valor previsto para a rota de um aluno resulta da aplicação de um multiplicador de quatro vezes sobre o preço de referência de R$ 13,85 por quilômetro. O município justificou a utilização desses fatores pelas condições das estradas rurais, como trechos sem pavimentação, atoleiros, erosões, dificuldades de acesso e maior desgaste dos veículos.
O TCE, entretanto, identificou falta de documentação técnica suficiente para demonstrar como os custos foram calculados e justificar os valores estabelecidos para cada rota. A análise também apontou deficiências na pesquisa de preços, baseada em uma contratação anterior do próprio município.
O Tribunal ressaltou que as condições das estradas podem justificar preços diferenciados, mas que a administração municipal precisa demonstrar a relação entre essas dificuldades e os valores cobrados. Nesta fase, não foi possível confirmar a existência de sobrepreço ou prejuízo aos cofres públicos.
Contratação também apresenta falhas no planejamento
A investigação começou após uma representação apresentada pela empresa Ana Paula N. Almeida Ltda., que questionou o procedimento utilizado pela Prefeitura para contratar os serviços.
Além dos valores, o TCE identificou problemas na escolha do credenciamento, modalidade que permite a contratação de prestadores que atendam a condições previamente estabelecidas, sem a disputa tradicional de preços.
O edital prevê 12 rotas principais, além de rotas de reserva, com a possibilidade de alternância mensal entre os prestadores. Para o Tribunal, a Prefeitura não demonstrou suficientemente por que esse modelo seria mais vantajoso do que uma contratação com empresas responsáveis por rotas fixas.
Outra irregularidade identificada foi a ausência de publicação do edital no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), exigência prevista na legislação.
Em manifestação apresentada ao TCE, o prefeito e os agentes de contratação reconheceram a falta de publicação e atribuíram o problema a limitações estruturais e tecnológicas do município. Eles defenderam a regularidade do procedimento e argumentaram que a suspensão poderia comprometer o transporte dos estudantes.
A empresa denunciante também levantou suspeitas de favorecimento de participantes e retaliação durante o credenciamento. Contudo, a análise preliminar não encontrou provas suficientes para sustentar essas alegações.
TCE dá prazo de dez dias úteis para Prefeitura apresentar documentos
Apesar das irregularidades identificadas, o conselheiro Antônio Mecias Pereira de Jesus decidiu não suspender imediatamente a contratação. A justificativa foi o risco de prejudicar os estudantes que dependem do transporte escolar, principalmente nas comunidades rurais.
A decisão cautelar autorizou, de forma excepcional, a continuidade dos serviços indispensáveis até o encerramento do ano letivo de 2026, sem permitir a prorrogação automática dos contratos para 2027.
O TCE determinou que a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Educação apresentem, no prazo de dez dias úteis, a relação das empresas credenciadas, os contratos firmados, as rotas atendidas, a quantidade de alunos transportados e os valores já pagos.
Também deverão ser entregues planilhas de custos que justifiquem os preços por quilômetro, documentos sobre a publicação do procedimento e informações sobre o planejamento do transporte escolar para 2027.
A área técnica do Tribunal continuará acompanhando o caso para verificar a legalidade da contratação, a formação dos preços e a eventual ocorrência de prejuízo aos cofres públicos.
A decisão, registrada no processo nº 003078/2026, ainda será submetida à análise do órgão colegiado competente e não representa julgamento definitivo das irregularidades apontadas.
Outro lado
A reportagem procurou a Prefeitura de Alto Alegre para questionar os critérios utilizados na definição dos valores do transporte escolar, especialmente na rota destinada a um único aluno, e as medidas adotadas diante das irregularidades apontadas pelo TCE-RR. O espaço segue aberto para manifestação.
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Boa Vista
Condenado a mais de 22 anos por estupro de três adolescentes é preso em Boa Vista
Um homem condenado a 22 anos, dois meses e seis dias de prisão por estupro de vulnerável contra três adolescentes foi preso na tarde desta terça-feira (27), no bairro São Francisco, em Boa Vista. A prisão foi realizada pela Polícia Interestadual (Polinter), após a Justiça expedir um mandado definitivo para o cumprimento da pena.
Segundo a Polícia Civil de Roraima (PCRR), os crimes ocorreram entre 2020 e 2022, em uma residência no bairro São Bento. O condenado tinha vínculo familiar com as três vítimas.
Conforme a sentença, uma das adolescentes, que tinha entre 12 e 13 anos na época, ficava sob os cuidados do homem e da esposa enquanto a mãe trabalhava à noite. Os abusos ocorreram repetidamente entre novembro de 2021 e março de 2022.
As outras duas vítimas, que tinham 13 e 16 anos à época dos fatos, frequentavam a residência da família. De acordo com o processo, os crimes ocorreram em ocasiões diferentes, quando elas dormiam no imóvel.
Durante o julgamento, a Justiça analisou os depoimentos das vítimas, os relatos de testemunhas e outras provas reunidas no processo. O homem foi condenado pelos três crimes, com pena de 22 anos, dois meses e seis dias de reclusão, em regime inicial fechado.
A condenação transitou em julgado, o que significa que não cabe mais recurso contra a decisão. Com isso, foi expedido o mandado definitivo de prisão.
Após ser localizado pelos policiais, o condenado foi encaminhado à sede da Polinter, onde foram realizados os procedimentos legais. Na manhã desta quarta-feira (28), ele foi apresentado em audiência de custódia.
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