Roraima
Governo de Roraima reúne instituições para discutir segurança alimentar
O Governo de Roraima, por meio da Setrabes (Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social), realizou nesta sexta-feira, 16, o 1º Seminário do Dia Mundial da Alimentação, no auditório da Secretaria, em Boa Vista. O encontro reuniu representantes de instituições públicas, conselhos e organizações parceiras para discutir os desafios da segurança alimentar e nutricional no Estado.
Organizado pela Caisan-RR (Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional de Roraima), o seminário abordou a alimentação saudável nas escolas, o consumo de produtos ultraprocessados, a valorização da agricultura familiar e a desnutrição na primeira infância, especialmente entre populações indígenas e migrantes.
A nutricionista da Policlínica Coronel Mota e palestrante do evento, Fabíola Alves, destacou que o acesso à alimentação saudável depende da disponibilidade de alimentos e de preços acessíveis. Ela também ressaltou a importância da atuação conjunta de diferentes setores.
“Um dos maiores desafios é o acesso a essa alimentação saudável, porque, para você ter acesso, tem que ter um alimento disponível para o seu consumo a um preço mais acessível também. Uma instituição sozinha não consegue trabalhar a segurança alimentar e nutricional, então ela precisa da intersetorialidade”, ressaltou.
A representante do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), Tila Galantini, chamou a atenção para a influência da publicidade de alimentos ultraprocessados sobre crianças e adolescentes.
“O Unicef em Roraima tem uma frente muito importante, que é o Selo Unicef, uma forma de trabalhar com cada um dos municípios, olhando para a promoção de políticas públicas para a infância. É uma forma de trabalhar também com os municípios, o Estado e o Governo Federal para que cada criança tenha condições de desenvolver seu potencial”, pontuou.
Avanços na política estadual
Roraima conta com a adesão dos 15 municípios ao Sisan (Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) e aprovou, em junho de 2026, o primeiro Plano Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional.
O Sisan articula o poder público e a sociedade civil na elaboração de políticas de combate à fome e promoção da alimentação saudável, com participação da União, dos estados e dos municípios.
A Caisan-RR presta apoio técnico às prefeituras na implantação de estruturas municipais de segurança alimentar. O trabalho inclui oficinas e visitas técnicas, além de ações de formação para cerca de 250 merendeiras da rede estadual de ensino. A secretária executiva da Caisan-RR, Rita Mello, destacou a adesão dos municípios ao sistema.
“Nosso Estado teve 100% de adesão ao Sisan dentro da segurança alimentar. Isso foi uma conquista muito grande. Nós fomos um dos primeiros Estados que conseguimos fazer essa adesão, 100%”, afirmou.
Para municípios roraimenses, está prevista a implantação de tecnologias sociais voltadas à produção de alimentos. Entre os modelos apresentados está o Sisteminha, que pode combinar compostagem com criação de peixes e aves, conforme as condições das comunidades atendidas.
Roraima
GINGA E RESISTÊNCIA Capoeira une esporte, cultura e formação cidadã no Centro de Convivência da Juventude
Aulas gratuitas de capoeira promovem esporte, cultura e formação cidadã.
Com movimentos que exigem força, equilíbrio e flexibilidade, a capoeira vai além da atividade física: preserva e valoriza a história e a cultura afro-brasileira, além de contribuir para a formação de crianças e adolescentes. Em Roraima, esse papel social e cultural é reconhecido pela Lei nº 1.778/2023, que instituiu o dia 18 de outubro como o Dia Estadual do Capoeirista e do Ofício de Mestre de Capoeira.
A legislação incentiva entidades representativas da capoeira a desenvolverem ações de preservação, divulgação e valorização da modalidade, incluindo atividades nas escolas da rede estadual. Além disso, estabelece que as comemorações sejam realizadas ao ar livre, sem cobrança de ingressos ou taxas de participação.
O presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, deputado Jorge Everton, ressalta o papel do Parlamento na valorização das manifestações culturais e na preservação da história do povo. A lei é um exemplo de iniciativa voltada ao reconhecimento da capoeira e à valorização de sua importância para a sociedade.
O Presidente da ALERR, deputado Jorge Everton, destaca a importância de leis que valorizem a cultura e preservem a história do povo.
“A criação de leis que valorizam a nossa cultura e preservam a história do nosso povo é fundamental para manter vivas as nossas tradições e garantir que elas sejam conhecidas pelas novas gerações. A capoeira representa resistência, identidade e cidadania, e reconhecer essa manifestação é também valorizar as pessoas que mantêm essa história viva”, frisa.
No Centro de Convivência da Juventude (CCJuv), da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), a modalidade é oferecida gratuitamente e reúne alunos de diferentes idades.
A superintendente de Programas Especiais, Marília Pinto, destaca que a prática proporciona benefícios físicos e aproxima os participantes das raízes históricas do país. Para ela, ampliar o acesso à modalidade também é uma forma de valorizar essa manifestação cultural e combater ideias equivocadas que ainda afastam algumas famílias das aulas.
Marília Pinto, superintendente de Programas Especiais, classifica a capoeira como expressão cultural e ferramenta de inclusão.
“A capoeira trabalha vários elementos e traz toda uma história, um ritual, nos remete às tradições africanas e às origens da nossa cultura. Às vezes, as pessoas não conseguem compreender como arte e confundem isso com algo espiritualista. Essa falta de compreensão acaba limitando a inclusão de mais crianças”, avalia.
Aprendizado dentro e fora da roda
Com 35 anos de vivência na capoeira e quatro anos como professor, o mestre Mayc Araújo vê na modalidade uma oportunidade de desenvolver habilidades físicas e valores que acompanham os alunos no cotidiano. Para ele, o trabalho não se resume aos movimentos, mas também envolve disciplina e formação humana.
“A capoeira é uma arte que encanta e recebe muitas pessoas. Para mim, é resistência. Hoje, ela também está ajudando muita gente a encontrar um caminho melhor”, enfatiza.
O professor Mayc Araújo ressalta a importância da capoeira na formação de cidadãos e no desenvolvimento humano
Conforme o professor, as aulas são voltadas à formação de pessoas conscientes de suas escolhas e de seu papel na sociedade.
“Aqui, a gente aprende principalmente a ser um ser humano, uma pessoa de valor, que quer alguma coisa para o futuro. Eu quero formar cidadãos, pessoas de bem”, afirma.
Entre os alunos, os relatos mostram como a prática contribui para a confiança, o bem-estar e a valorização da própria cultura.
Paulo Gabriel tem 15 anos e pratica capoeira há dois anos. Ele conta que, além de desenvolver os movimentos, aprendeu a compreender melhor o significado cultural da modalidade, apesar de já ter ouvido comentários preconceituosos.
“Existe muito preconceito. Falam que capoeira é macumba, mas, para mim, ela não tem religião, é uma cultura. Praticar me deixa mais leve”, relata.
Alessandra Rodrigues, de 13 anos, também frequenta as aulas há dois anos. Incentivada pelo pai, começou a praticar para aprender movimentos de defesa e acabou descobrindo uma atividade com a qual se identifica.
Alessandra Rodrigues encontrou na capoeira uma oportunidade de aprender a se defender.
“Eu vi que os movimentos eram bonitos, que era legal. Meu pai me colocou para aprender a me defender, e eu gostei. Aqui eu me sinto bem”, garante.
Já Isabelly Lima, de nove anos, participa há dois anos e meio. Ela conheceu a modalidade por meio da mãe e, com o tempo, percebeu que havia encontrado uma atividade com a qual se identificava.
“Eu sinto uma energia boa e me sinto bem. Depois que comecei na capoeira, fiquei com uma energia muito melhor. Hoje, é um dos meus esportes favoritos”, comemora.
Aos nove anos, Isabelly Lima comenta sua identificação com a prática da capoeira.
Como se inscrever?
A sede do CCJuv funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, no prédio da Superintendência de Programas Especiais, localizado na avenida Ataíde Teive, nº 3510, bairro Buritis. Informações adicionais podem ser obtidas pelo Call Center da ALERR, no 0800 006 0670, das 8h às 20h.
O CCJUV conta ainda com uma plataforma online onde podem ser consultadas as modalidades, polos e horários disponíveis.
Texto: Monica Gizele
Fotos: Jader Souza
SupCom ALERR – 18.10.2026
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Roraima
Governo de Roraima avança em cronograma e perfura novos poços artesianos na capital e no interior
O Governo de Roraima, por meio da Caer (Companhia de Águas e Esgotos de Roraima) está perfurando dois novos poços artesianos no CRD (Centro de Reservação e Distribuição) Pintolândia, na zona oeste de Boa Vista. Com vazão prevista de até 100 mil litros de água por hora, o primeiro poço teve a perfuração concluída nesta sexta-feira, 16, e a sondagem do segundo está prevista para os próximos dias.
As novas estruturas vão reforçar o abastecimento dos bairros Pintolândia, Senador Hélio Campos, Santa Luzia e adjacências. A iniciativa integra o cronograma de perfuração de 35 poços artesianos em Roraima, sendo 10 na capital e 25 no interior.
As obras estão inseridas no plano estadual de contingência e fazem parte das medidas proativas adotadas pelo Governo do Estado para ampliar a oferta de água e minimizar os impactos da forte estiagem associada ao fenômeno El Niño, além de melhorar os sistemas de captação e distribuição de água da Companhia.
Segundo o presidente da Caer, James Serrador, a Companhia intensificou os investimentos em infraestrutura para garantir maior segurança hídrica à população.
“Além dos poços do CRD Pintolândia, outros dois já foram perfurados nos bairros Vila Jardim e João de Barro. O nosso cronograma também prevê novas perfurações nos bairros Cidade Satélite, Senador Hélio Campos, São Bento, Dr. Airton Rocha/Pérola e Jardim Primavera”, destacou Serrador.
Na próxima semana, a Companhia iniciará a perfuração de um poço no bairro São Bento, em uma área cedida pela Prefeitura de Boa Vista, dentro da Escola Municipal Ioládio Batista da Silva.
Ações no interior
Os 25 poços artesianos previstos para o interior vão reforçar o abastecimento e reduzir consideravelmente os impactos da estiagem nos municípios.
Em Uiramutã, dois poços já foram perfurados e estão em plena operação. Na próxima semana, está prevista a perfuração de uma unidade no Amajari, em substituição a um poço antigo que apresentou problemas estruturais.
O cronograma contempla ainda os municípios de Normandia e Bonfim, além de Rorainópolis, onde serão perfurados quatro novos poços. Enquanto os serviços estão em fase de execução, o município do sul do Estado conta com o apoio de dois caminhões-pipa da Caer para reforçar o abastecimento da população.
Roraima
Sesau participa de oficina sobre impactos da estiagem na saúde
A Sesau (Secretaria de Saúde), por meio da CGVS (Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde), participa nesta semana de uma oficina promovida pelo Ministério da Saúde para avaliar os riscos à saúde pública relacionados à seca e à estiagem.
A atividade apresenta a ferramenta Star (Strategic Toolkit for Assessing Risks), desenvolvida pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para auxiliar na avaliação de riscos de emergências. Em Roraima, o trabalho considera as condições da estiagem que afeta o Estado.
O técnico do Cievs (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde) de Roraima, Luiz Henrique da Silva Júnior, explica que a metodologia permite avaliar o cenário de risco no estado de Roraima para diversas possibilidades.
“Hoje estamos trabalhando especificamente com a análise de risco de seca e estiagem, que é o que estamos passando neste momento. O aprendizado dessa ferramenta permite entender melhor os cenários de risco e nos preparar para quando esse tipo de situação ocorrer”, afirmou.
Participam da oficina integrantes da Rede Cievs estadual, equipes de vigilância em saúde e representantes dos Dseis (Distritos Sanitários Especiais Indígenas) Yanomami e Leste. Também estão presentes profissionais de Boa Vista e representantes das áreas de defesa civil, segurança e meio ambiente.
Para o enfermeiro e representante do município de Boa Vista, Tiago Bonates, a atividade ajuda a preparar a capital para possíveis emergências.
“É uma oficina de extrema importância para o nosso município, tendo em vista que é uma nova estratégia de avaliação de risco para emergências em saúde pública. É uma forma estratégica de antecipar os potenciais riscos e se preparar para possíveis emergências em nossa capital”, destacou.
Sobre a ferramenta
A Star é uma metodologia da OMS, com apoio da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), que ajuda autoridades a avaliar riscos à saúde pública. O resultado contribui para definir prioridades e preparar os serviços de saúde para possíveis emergências.
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