Roraima
PREVENÇÃO E AUTOCUIDADO Dor não é normal: março reforça alerta para a saúde da mulher
Durante o mês de março, as discussões sobre saúde feminina ganham ainda mais visibilidade em todo o país. Em Roraima, a Assembleia Legislativa (ALERR) tem fortalecido políticas públicas voltadas à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao enfrentamento de doenças que afetam diretamente a saúde da mulher, como o câncer de colo do útero e a endometriose.
Entre as iniciativas aprovadas pelo Parlamento estadual estão leis que incentivam campanhas educativas, ampliam o acesso à informação e estimulam a realização de exames preventivos, considerados fundamentais para reduzir complicações e salvar vidas.
O presidente da Casa, deputado Soldado Sampaio (Republicanos), destacou que a atuação do Legislativo tem como objetivo fortalecer ações permanentes de cuidado e conscientização.
“Quando o Legislativo aprova leis que incentivam a prevenção, a informação e o acesso aos exames, estamos contribuindo diretamente com a saúde pública. Nosso compromisso é continuar fortalecendo políticas que garantam mais cuidado, qualidade de vida e dignidade para as mulheres de Roraima”, afirmou.
Segundo o parlamentar, ampliar o debate sobre doenças como o câncer de colo do útero e a endometriose é fundamental para que mais mulheres reconheçam sinais de alerta e procurem atendimento médico precocemente.
“A Assembleia tem trabalhado para criar mecanismos legais que ampliem as campanhas educativas e incentivem o diagnóstico precoce. Esse é um trabalho que contribui para salvar vidas e fortalecer a rede de atenção à saúde no estado”, completou.
Foi justamente a busca por respostas para sintomas persistentes que levou a servidora pública Magida Khatab, de 44 anos, a enfrentar uma longa jornada até descobrir a causa das dores intensas que sentia durante o período menstrual.
As crises não eram cólicas comuns. Eram episódios fortes e incapacitantes, que dificultavam atividades simples do dia a dia. Trabalhar, cumprir compromissos ou manter a vida social tornaram-se desafios diante da intensidade dos sintomas.
Por muito tempo, Magida tentou conviver com aquilo que mais tarde descobriria não ser normal. Sem entender o que estava acontecendo, passou por diversos profissionais até conseguir um diagnóstico definitivo.
As dores começaram no período menstrual. Não eram cólicas comuns. Eram crises intensas e incapacitantes, que impediam a realização de atividades simples do dia a dia. Trabalhar, cumprir compromissos ou até mesmo manter a vida social tornaram-se desafios diante da intensidade dos sintomas.
“Até eu achar um profissional que fez esse diagnóstico da endometriose demorou um pouquinho, e eu fiquei sofrendo alguns anos com essas dores muito fortes”, contou.
Naquela época, segundo ela, as informações sobre a doença ainda eram limitadas, o que tornava o processo ainda mais difícil. Após o diagnóstico, Magida iniciou tratamento e conseguiu recuperar a qualidade de vida por um período. Anos depois, porém, as dores retornaram com maior intensidade, levando a um novo diagnóstico: endometriose profunda. Hoje, com acompanhamento médico adequado, ela afirma ter retomado a rotina e reforça a importância de buscar ajuda diante de sintomas persistentes.
“Um conselho que eu posso deixar para as mulheres que têm dores muito intensas no período menstrual é que procurem um médico, porque não é normal”, alertou.
Legislação garante prevenção e diagnóstico precoce
Entre as iniciativas aprovadas pelo Poder Legislativo para garantir cuidado e qualidade de vida para as roraimenses está a Lei Ordinária nº 1.111, de 24 de outubro de 2016, que institui a Semana Estadual de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose. A norma busca ampliar o debate sobre a doença, promover ações educativas e estimular o diagnóstico precoce.
Em 2020, também foi sancionada a Lei Ordinária nº 1.379, que dispõe sobre a realização de exames ginecológicos preventivos para todas as mulheres no âmbito do Estado de Roraima, reforçando a prevenção como principal ferramenta no combate a doenças como o câncer de colo do útero.
Mais recentemente, foi aprovada a Lei Ordinária nº 2.322, de 12 de janeiro de 2026, que institui a Política Estadual de Conscientização e Atenção Integral à Saúde das Mulheres no Climatério e na Menopausa.
Outra legislação importante é a Lei Ordinária nº 1.195, de 11 de julho de 2017, que beneficia homens e mulheres ao garantir o direito a uma folga anual para a realização de exames preventivos de câncer de pele, mama, colo do útero, próstata e pulmão.
Conscientização e prevenção
As campanhas “Março Lilás” e “Março Amarelo” se consolidam como instrumentos de alerta e conscientização. O Março Lilás chama atenção para o câncer de colo do útero, doença silenciosa e de evolução lenta, mas amplamente prevenível quando diagnosticada precocemente. Já o Março Amarelo busca dar visibilidade à endometriose, condição inflamatória crônica que afeta milhares de mulheres e pode comprometer a qualidade de vida, a saúde emocional e até a fertilidade.
Ao falar sobre o câncer de colo do útero, a ginecologista Indra Freitas destacou que a doença pode ser evitada com medidas simples, como a vacinação e a realização do exame preventivo. “O câncer de colo de útero acomete principalmente mulheres das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Lembrando que é um câncer completamente prevenível”, afirmou.
A médica explicou que a prevenção ocorre em diferentes níveis e que a combinação de estratégias é fundamental. “A gente tem a vacina, que é uma prevenção primária, e tem a coleta do preventivo, que é uma prevenção secundária”, frisou.
Segundo a especialista, o câncer de colo do útero costuma permanecer silencioso por anos, o que faz com que os sintomas apareçam apenas em fases mais avançadas. “Os principais sintomas, quando a paciente já está em um grau mais avançado, podem ser dor na relação sexual, sangramento fora do período menstrual e dores pélvicas”, explicou.
Ao abordar a endometriose, Indra Freitas afirmou que se trata de uma doença crônica, relacionada à ação do estrogênio, que pode atingir mulheres em idade reprodutiva. A principal característica é a dor, muitas vezes intensa e incapacitante.
“Aquela paciente que sente cólica, que falta ao trabalho, que não consegue praticar atividade física e fica de cama. São dores incapacitantes que causam impacto na qualidade de vida”, exemplificou.
Ela também alertou para os casos em que a doença é descoberta a partir da dificuldade para engravidar. “Pacientes que têm infertilidade, que estão tentando engravidar há um, dois ou três anos e não conseguem, devem investigar a possibilidade de endometriose”, destacou.
Tratamento e acompanhamento
O tratamento tanto do câncer de colo do útero quanto da endometriose depende do estágio da doença, da intensidade dos sintomas e das condições clínicas de cada paciente. Nos casos de câncer de colo do útero, lesões iniciais podem ser tratadas de forma localizada. Em estágios mais avançados, podem ser necessários procedimentos cirúrgicos mais complexos, além de quimioterapia ou radioterapia, definidos por equipe médica especializada.
Já a endometriose não possui um único tipo de tratamento. Em muitos casos, o controle da doença envolve medicamentos para dor, mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico regular. Dependendo da gravidade, pode ser indicado o uso de hormônios ou cirurgia.
“A gente usa uma escada. Existem desde tratamentos com medicamentos para dor, analgésicos, anti-inflamatórios, além da melhora da qualidade de vida, com atividade física e alimentação adequada. Isso é a base do tratamento”, explicou a médica.
Autocuidado e exames
A ginecologista Indra Freitas ressaltou que o cuidado com a saúde precisa ser contínuo e não apenas quando surgem sintomas intensos. Segundo ela, muitas mulheres acabam normalizando dores e alterações menstruais, deixando de procurar atendimento médico por acreditarem que determinadas situações fazem parte da rotina feminina.
“O autocuidado é tão importante para a mulher quanto o nosso dia a dia adequado. Qualidade de vida também envolve se cuidar por dentro”, afirmou.
Para a especialista, o acompanhamento regular com o ginecologista e a realização de exames preventivos são fundamentais para evitar complicações e garantir bem-estar ao longo da vida.
Números reforçam a importância da prevenção
Em Roraima, os dados oficiais reforçam a necessidade de ampliar ações de prevenção e diagnóstico precoce do câncer de colo do útero. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, em 2025 foram registradas 80 novas pacientes para tratamento da doença na Unacon-RR (Unidade de Alta Complexidade em Oncologia), referência estadual no atendimento oncológico.
No mesmo período, 360 mulheres com alterações sugestivas para câncer de colo do útero foram encaminhadas ao Centro de Referência em Saúde da Mulher Maria Luiza Castro Perin para avaliação especializada.
Já a Secretaria Municipal de Saúde de Boa Vista informou que, entre 2025 e 2026, foram realizados 1.553 atendimentos ginecológicos no Centro de Tratamento e Prevenção do Câncer do Colo e Mama. Nesse período, foram confirmados 39 casos de neoplasias de colo do útero e cinco casos de endometriose.
O Laboratório de Citologia Municipal realizou 6.005 exames em 5.635 pacientes, resultando em 1.128 casos de lesões suspeitas e 133 exames com alterações.
Locais de atendimento e referência em Roraima
As mulheres podem procurar qualquer Unidade Básica de Saúde para a realização de exames gratuitos. Conforme o resultado, a paciente é encaminhada às unidades responsáveis pelo tratamento.
O Hospital de Amor também oferece atendimento gratuito e realiza exames para encaminhamento especializado. A unidade está localizada na Via das Flores, 1557, bairro Pricumã.
Em Boa Vista, as pacientes também podem ser encaminhadas para:
- Unacon, que funciona dentro do Hospital Geral de Roraima – Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, 1364, bairro Aeroporto.
- Centro de Referência em Saúde da Mulher Maria Luiza Castro Perin – Avenida Capitão Júlio Bezerra, 1632, bairro Aparecida.
Texto: Monica Gizele
Fotos: Eduardo Andrade / Nonato Sousa
SupCom ALERR
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Roraima
Voto nulo não anula eleição e não impede posse de candidato, esclarecem especialistas
A mobilização de algumas lideranças de Roraima em favor do voto nulo durante a eleição suplementar para o governo estadual reacendeu um dos mitos mais persistentes do processo eleitoral brasileiro: a crença de que uma grande quantidade de votos anulados pelos eleitores seria capaz de invalidar uma eleição.
O assunto ganhou destaque após declarações do deputado federal Nicoletti (PL) e do senador Hiran Gonçalves (Progressistas), que passaram a defender o voto nulo caso o ex-prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique (PL), não participe da disputa em razão das decisões judiciais relacionadas aos requisitos de filiação partidária e desincompatibilização.
Apesar da repercussão política do tema, especialistas em Direito Eleitoral afirmam que a legislação brasileira não prevê a anulação automática de uma eleição em razão do volume de votos nulos ou brancos registrados nas urnas.
Votos nulos não entram na contagem
O advogado especialista em Direito Eleitoral Albert Bantel explica que a interpretação frequentemente utilizada pelos defensores dessa tese decorre de uma compreensão equivocada do artigo 224 do Código Eleitoral.
Segundo ele, o dispositivo legal trata de situações em que votos são anulados por decisão da Justiça Eleitoral em razão de irregularidades praticadas por candidatos, e não da manifestação voluntária do eleitor ao digitar um número inexistente na urna.
“Esse artigo se refere a votos anulados por decisão judicial em razão de uma irregularidade praticada por candidatos, como abuso de poder ou compra de votos. Não tem relação com o voto nulo ou branco registrado pelo eleitor”, afirmou.
Bantel destaca ainda que a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral já consolidou esse entendimento.
“Existem reiteradas decisões do TSE no sentido de que a manifestação do eleitor que anula o próprio voto, ainda que seja adotada pela maioria dos votantes, não provoca a anulação da eleição”, acrescentou.
Mito recorrente nas eleições
O advogado eleitoral Emerson Delgado observa que a ideia de que votos nulos podem invalidar um pleito está entre as informações equivocadas mais disseminadas durante campanhas eleitorais.
“Uma das grandes lendas urbanas dos períodos eleitorais é a de que um número elevado de votos nulos ou brancos anularia a eleição. Isso simplesmente não acontece”, afirmou.
Ele lembra que tanto os votos nulos quanto os votos em branco são desconsiderados no cálculo dos votos válidos, que servem de base para a definição do vencedor.
“Na prática, o candidato eleito será aquele que obtiver a maioria dos votos válidos. Os votos nulos e brancos não entram nessa contagem”, explicou.
O que diz a Justiça Eleitoral
O entendimento dos especialistas acompanha a orientação oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Corte esclarece que votos nulos e votos em branco não são contabilizados para definir o resultado da eleição e não são transferidos para qualquer candidato. Também não produzem efeito jurídico capaz de impedir a diplomação ou a posse do vencedor.
De acordo com o TSE, a hipótese prevista no artigo 224 do Código Eleitoral está relacionada à anulação judicial de votos em situações excepcionais, como casos de abuso de poder econômico, fraude eleitoral, compra de votos ou outras irregularidades que resultem na cassação de candidaturas.
Nesses casos, a Justiça Eleitoral pode determinar a realização de uma nova eleição, cenário completamente diferente daquele em que o eleitor decide anular voluntariamente o próprio voto.
Direito garantido ao eleitor
A legislação eleitoral assegura a todo cidadão o direito de votar em branco ou anular o voto como forma de manifestação política.
Entretanto, conforme ressaltam os especialistas e a própria Justiça Eleitoral, essa escolha não tem o poder de anular uma eleição, impedir a posse de um candidato ou obrigar a convocação de um novo pleito.
Na prática, o resultado continua sendo definido exclusivamente pelos votos válidos atribuídos aos candidatos aptos a disputar a eleição.
Roraima
Soldado Sampaio estreia no horário eleitoral destacando ações de governo e propostas para mandato tampão
O governador e candidato à reeleição, Soldado Sampaio (Republicanos), estreou nesta quarta-feira (3) no horário eleitoral gratuito da eleição suplementar para o Governo de Roraima. No primeiro programa da campanha, o candidato destacou ações realizadas desde que assumiu o Executivo estadual e apresentou propostas para o restante do mandato, que se encerra em dezembro deste ano.
Entre os principais pontos abordados, Sampaio citou o pagamento de débitos herdados de gestões anteriores, o anúncio de concurso público para a Polícia Militar com mais de 600 vagas, a destinação do helicóptero oficial para atendimentos voltados à população e as medidas adotadas na área da Saúde para reduzir filas de procedimentos cirúrgicos.
O programa também ressaltou o esforço concentrado promovido pela rede estadual de saúde, com a realização de cirurgias inclusive aos fins de semana, como parte da estratégia para ampliar o atendimento à população.
A candidata a vice-governadora, Tayla Peres, participou da propaganda eleitoral e defendeu que os eleitores avaliem o histórico e as realizações dos candidatos antes de definir o voto.
Além das ações de governo, a peça eleitoral apresentou a trajetória pessoal e política de Soldado Sampaio, destacando sua atuação na área da Segurança Pública, o trabalho desenvolvido como deputado estadual e a passagem pela presidência da Assembleia Legislativa de Roraima.
O programa também trouxe propostas que, segundo a campanha, podem ser executadas ainda durante o período do chamado mandato tampão.
De acordo com as regras definidas pela Justiça Eleitoral para a eleição suplementar, os programas eleitorais são exibidos às segundas, quartas e sextas-feiras, das 11h50 às 12h e das 18h10 às 18h20. Os candidatos também contam com inserções de 30 segundos distribuídas ao longo da programação das emissoras de rádio e televisão.
Roraima
Davi Medeiros busca fechar o gol do Vila no clássico contra o Goiás, pela semi do Estadual Sub-15
Tem ‘guarda-redes’ titular absoluto na semifinal do Campeonato Goiano, na categoria Sub-15 da temporada 2026. A sensação macuxi do momento no Centro-Oeste do país, se trata do goleiro Davi Medeiros, que defende o time do Oba desde o ano passado, na transição do mirim para o infantil, segue sendo dono da camisa 1 do Tigrão.
Em duelos de ida e volta, o Vila Nova-GO disputa uma vaga na final diante do arquirrival Goiás. Os duelos iniciam a partir das 9h30 desta quinta-feira (4), no Centro de Treinamento do Tigre, em Goiânia.
Dono de uma impulsão invejável e acima da média para sua categoria, o goleiro Davi tem feito defesas importantes e cruciais na caminhada do Vila Nova até o filé mignon da competição. O garoto destaca estar super confiante para mais uma batalha de 180 minutos.
” A gente sabe que vai ser um jogo difícil e serão dois duelos muito pegados, mas estamos trabalhando muito forte e isso nos trás bastante confiança e expectativa para fazer um grande jogo. O Vila Nova-GO desta categoria está trabalhando muito forte para fazer uma grande apresentação dentro de campo”, disse Davi Medeiros.
O primeiro clube federado do goleiro Davi foi antigo Centro Esportivo Wilson Goiano, atualmente chamado oficialmente de Instituto Wilson Goiano. Após passagem pelo Flamengo de Roraima, e pelo Centro de formação ML Treinamento, do ex-preparador físico de Gas e São Raimundo-RR, Moisés Loureiro, o garoto Davi esteve em Goiás para disputa da Go Cup, em Goiânia, pela equipe da ML, chamando atenção dos olheiros do Vila Nova, a ponto de receber o convite para dar sequência na carreira, pelo Timo do Povo.
Criado entre Caranã e Aeroporto, Davi estudou no Sesi, antes de se transferir para Goiás. Em Boa Vista, Davi Medeiros teve seu primeiro treinador, o preparador de goleiros Júnior Gomes, na sequência Felipe Augusto, da WFA Goleiros, de Goiânia.
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