Boa Vista
À BBC Brasil, Denarium transforma crise na Venezuela em ativo político
Por mais de uma década, Roraima convive com os efeitos diretos do colapso político, econômico e social da Venezuela. A migração em massa é um fato, os impactos sobre serviços públicos são reais e a necessidade de apoio federal é incontestável. O problema começa quando um drama humanitário complexo passa a ser reduzido a um discurso de segurança, como fez o governador cassado Antonio Denarium (PP) em entrevista recente à BBC News Brasil.
Denarium acerta ao lembrar que Roraima paga uma conta desproporcional. Erra, no entanto, ao transformar o migrante, especialmente o refugiado venezuelano, em vetor implícito de criminalidade, sem apresentar evidências sólidas que sustentem essa associação. A afirmação de que “criminosos estão entrando como refugiados” é grave. E, como toda acusação grave, exigiria dados públicos, comparativos e verificáveis. Eles não aparecem.
O discurso da “fronteira aberta”, repetida pelo governador, também não se sustenta juridicamente. O Brasil adota regras previstas na Lei de Migração e em tratados internacionais dos quais é signatário. Refugiados, por definição, muitas vezes fogem sem documentos de Estados colapsados. Exigir antecedentes criminais de quem escapa de uma ditadura não é política pública, é desconhecimento do direito internacional ou, pior, discurso populista para agradar aos que pensam que tudo se resolve de maneira simplista, fechando a fronteira.
Mais preocupante ainda é a defesa de um pavilhão ou presídio exclusivo para estrangeiros. A proposta, além de não ter respaldo formal do Judiciário, confronta princípios constitucionais básicos como a igualdade perante a lei e a vedação à discriminação por nacionalidade. Segregar presos pela origem não reduz criminalidade, não resolve superlotação e expõe o Estado a questionamentos jurídicos severos. Serve, isso sim, como sinal político, não como solução técnica.
Ao longo da entrevista, repete-se um padrão: custos são apresentados, ameaças são descritas, mas políticas estaduais estruturantes quase não aparecem. A responsabilidade é empurrada integralmente ao governo federal, como se o Executivo estadual fosse apenas um espectador passivo de uma crise que já dura anos. Planejamento urbano, integração social, interiorização, qualificação profissional e uso estratégico dos recursos federais são temas ausentes.
Há uma contradição central no discurso do governador que fragiliza suas próprias alegações. Ao mesmo tempo em que defende endurecimento da política migratória e sustenta a narrativa de que venezuelanos “entram aos montes” em Roraima, ele próprio reconhece que os dados oficiais apontam uma redução de quase 50% no fluxo de entrada em janeiro, após a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela. A explicação apresentada, de que os venezuelanos estariam em um “período de observação”, é especulativa e não anula o dado objetivo: a pressão migratória diminuiu. Ainda assim, o governador insiste em um tom alarmista, desconectado da realidade imediata, sugerindo que o problema se agrava quando, estatisticamente, ele arrefece. Essa dissonância revela menos sobre a dinâmica migratória e mais sobre a escolha política de manter o tema em ebulição, mesmo quando os números já não sustentam a retórica.
Ao mesmo tempo em que afirma acolher os venezuelanos e manter bom relacionamento com eles, Denarium defende restrições amplas, associa refúgio a crime e propõe segregação no sistema prisional. O resultado é uma narrativa sempre ambígua: humanitária na forma, punitiva no conteúdo. Nada disso ocorre no vazio. As declarações são feitas às vésperas de sua saída do cargo para tentar disputar o Senado, em meio a processos judiciais eleitorais e num contexto em que segurança e imigração rendem visibilidade política nacional. Não é coincidência. Em períodos pré-eleitorais, temas complexos costumam ser simplificados para caber em slogans.
Roraima precisa de apoio federal, coordenação federativa e políticas públicas sérias. O que não precisa é de atalhos discursivos que confundem migração com ameaça e refugiados com suspeitos. Governar uma fronteira exige responsabilidade, não alarmismo. Porque quando a crise vira palanque, quem perde não é apenas o migrante, é o nosso povo e o próprio Estado.
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Boa Vista
Sine Roraima oferta 154 vagas de emprego nesta segunda-feira (25)
O Sistema Nacional de Emprego em Roraima disponibiliza 154 vagas de trabalho nesta segunda-feira (25). As oportunidades são ofertadas pela Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social, por meio do Sine Roraima Casa do Trabalhador.
Vagas ofertadas
- Ajudante de carga e descarga de mercadoria
- Agente de limpeza
- Agente administrativo
- Ajudante de cozinha
- Ajudante de obras
- Assistente de correspondente bancário
- Assistente administrativo na área de licitações
- Atendente de lanchonete
- Auxiliar de armazenamento
- Auxiliar de limpeza
- Auxiliar de padeiro
- Auxiliar de lavanderia
- Auxiliar de departamento pessoal (RH)
- Auxiliar de estoque
- Borracheiro hidráulico
- Bombeiro auxiliar
- Carpinteiro
- Controlador de entrada e saída
- Costureiro em geral
- Cozinheiro de restaurante
- Empregada doméstica
- Faxineiro
- Fiscal de caixa
- Frentista
- Jardineiro
- Leitor de medidor de energia elétrica
- Motorista de automóveis
- Motorista entregador
- Motorista operacional de guincho
- Mecânico de automóvel
- Oficial de serviços em manutenção de edificações
- Operador de escavadeira
- Operador de máquinas
- Pedreiro
- Vendedor no comércio de mercadorias
- Vendedor interno
- Vendedor externo
- Zelador
Vagas para pessoas com deficiência
- Agente de portaria
- Auxiliar de limpeza
- Estoquista
- Merendeiro
- Operador de caixa
- Recepcionista atendente
Onde se candidatar
Os atendimentos do Sine/RR estão localizados nos seguintes endereços:
- Centro de Atendimento ao Cidadão (CEAC) Casa do Trabalhador — Rua Pavão, 206, bairro Mecejana, ao lado da Setrabes. Atendimento de segunda-feira a sexta-feira, das 07h30 às 13h30 e das 14h às 17h30.
- Centro de Atendimento Social (CAS Vila Jardim) — Residencial Vila Jardim. Atendimento de segunda-feira a sexta-feira, das 07h30 às 13h30 e das 15h30 às 17h30.
- Casa do Cidadão (Casa Amarela) — Rua Izídio Galdino da Silva, 2469, bairro Senador Hélio Campos. Atendimento de segunda-feira a sexta-feira, das 07h30 às 13h30.
Documentos necessários
Para se candidatar, é necessário apresentar documento de identidade, CPF, Carteira de Trabalho, comprovante de residência e currículo atualizado. Para vagas que exigem qualificação específica, é preciso apresentar documentação comprobatória.
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Boa Vista
Duas pontes são arrastadas pela força das águas e isolam comunidades indígenas em Bonfim
Duas pontes foram arrastadas pela força das águas na região do Tacutu, em Bonfim, devido às fortes chuvas que atingem Roraima nos últimos dias. O rompimento das estruturas deixou comunidades indígenas isoladas e sem acesso terrestre.
Os danos foram registrados na comunidade indígena Jacamim, onde moradores passaram a enfrentar dificuldades de deslocamento, abastecimento e transporte de mantimentos após a destruição das estruturas de madeira usadas na ligação entre localidades da região.
Entre as comunidades afetadas estão Jacamim, Marupá, Ponto 5, Wapum e Água Boa. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, um morador relata a situação enfrentada por quem tenta sair da área atingida.
“Diretamente daqui do rio Camaleão, tentando ir para Vila Vilhena, porém não dá para passar. Agora ficamos ilhados”, afirmou.
Veja o vídeo:
Defesa Civil atua na região
Por meio de nota, o Governo de Roraima informou que enviou, no sábado (23), equipes da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil para apoiar os trabalhos no município. Bombeiros militares e brigadistas atuam em conjunto com a brigada municipal nos pontos afetados pelas chuvas.
Segundo o governo, as equipes realizam serviços de baldeação em dois trechos da comunidade onde houve rompimento das pontes, permitindo a travessia controlada de moradores e o transporte de mantimentos.
Técnicos também fazem avaliação da situação para definir novas medidas emergenciais. Paralelamente, uma equipe da Secretaria Estadual de Infraestrutura esteve na comunidade para vistoriar os danos causados pelas chuvas.
De acordo com o governo, uma das pontes danificadas é antiga e não passava por manutenção recente. A Seinf informou que já iniciou o levantamento técnico necessário para elaboração do projeto de reconstrução da estrutura.
A equipe técnica também avalia se a obra poderá ser executada ainda durante o período chuvoso. Caso sejam necessárias fundações mais complexas, os serviços deverão ser realizados após o inverno amazônico.
A Defesa Civil orientou moradores a evitarem travessias sem acompanhamento das equipes e pediu que motoristas não trafeguem em vicinais atingidas pelas chuvas quando não houver condições seguras.
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Boa Vista
Governo quer criar crédito para garimpeiros e prevê fim do mercúrio no garimpo em até 12 anos
O Governo Federal prepara um plano nacional para apoiar a mineração artesanal de ouro e eliminar o uso de mercúrio no garimpo em até 12 anos. A proposta, elaborada pelo Ministério de Minas e Energia, ainda será submetida à consulta pública e atende compromissos assumidos pelo Brasil na Convenção de Minamata, tratado internacional voltado ao combate da contaminação por mercúrio.
O plano prevê linhas de crédito para garimpeiros e cooperativas comprarem equipamentos considerados menos poluentes, como centrífugas e sistemas de concentração. O financiamento deve priorizar cooperativas formalizadas e envolver bancos públicos, regionais e cooperativas financeiras.
Hoje, o mercúrio é amplamente usado para separar ouro de sedimentos, mas sua utilização é ilegal no Brasil e depende de contrabando. Quando queimado ao ar livre, o metal libera vapores tóxicos que contaminam rios, peixes, solo e populações humanas. Segundo diagnóstico do MME, o garimpo artesanal no país libera entre 11,4 e 12,1 toneladas de mercúrio por ano. Cerca de 26% da produção de ouro ainda utiliza esse método.
A proposta estabelece metas graduais para acabar com o mercúrio. A previsão é reduzir os estoques em 10% nos próximos três anos, 30% em seis anos e eliminar totalmente o uso em até 12 anos.
O plano também prevê a criação de um Cadastro Nacional de Garimpeiros para mapear trabalhadores, cooperativas e operações de mineração artesanal. O governo estima que existam cerca de 200 mil garimpeiros no país, sendo 150 mil permanentes e 50 mil flutuantes. Mais de 90% da atividade ocorre na Amazônia Legal, incluindo regiões do Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas.
Outra medida prevista é a realização de mutirões de regularização para orientar garimpeiros sobre licenciamento ambiental e formalização da atividade. Também estão previstas forças-tarefa para acelerar análises de processos de licenciamento e permissões de lavra.
O plano inclui ainda mecanismos de rastreamento e controle da circulação de mercúrio, além de programas de entrega voluntária do produto para descarte adequado.
O Ibama demonstrou preocupação com o prazo de 12 anos para eliminação do metal e defendeu uma transição mais rápida. O órgão afirmou que é necessário acelerar a adoção de novas técnicas de extração de ouro sem mercúrio.
Desde 2025, segundo o Ibama, as importações legais de mercúrio foram zeradas no Brasil após a desativação do uso do produto na indústria de cloro e soda cáustica.
O Ministério de Minas e Energia afirmou que o objetivo do governo é reduzir e, se possível, eliminar o uso de mercúrio “no menor tempo possível”, mas destacou que o plano precisa considerar o tamanho da atividade garimpeira e a dimensão territorial do país.
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