Boa Vista
Edilson Damião estaria resistente ao nome de Gerlane Baccarin como vice em eventual chapa ao governo
O vice-governador de Roraima, Edilson Damião (Republicanos), tem demonstrado resistência à possibilidade de Gerlane Baccarin (Progressistas) integrar como vice-governadora uma eventual chapa ao governo do Estado. Segundo interlocutores próximos, Damião teria desabafado que a composição com Gerlane dificultaria a construção de apoios políticos.
De acordo com esses relatos, o vice-governador avalia que o fato de Gerlane ser esposa do senador Hiran Gonçalves, não a credencia como politicamente experiente para o cargo, tampouco traz luz para novas (e urgentes) alianças políticas, comprometendo formações consideradas estratégicas.
Ainda conforme pessoas que acompanharam as conversas, Edilson Damião também teria feito críticas à atuação de Gerlane à frente do escritório de representação do Governo de Roraima em Brasília. O posto, que tem status de secretaria de governo, é comandado por ela desde o início da atual gestão. Na avaliação atribuída ao vice-governador, o órgão teria pouca efetividade prática e funcionaria mais como estrutura administrativa, sem resultados concretos perceptíveis, que possam ser usados como case de campanha.
Até outubro passado, o escritório do governo em Brasília empregava a mulher do deputado Arthur Lira (PP-AL), Ângela Lira, que atuou como secretária adjunta de Gerlane Bacarin, fato que chamou a atenção da imprensa nacional, pela falta de ligações da ex-servidora com o governo de Roraima. Virou “O departamento das esposas”, como apelidado por servidores do alto escalão do governo.
Ainda nos bastidores, Damião também teria citado o fato de um filho do senador Hiran também já ocupar cargo de alto salário no governo estadual, apontando a situação como politicamente sensível. Com a família do senador Hiran inteira empregada, além de correligionários diretos, fica difícil defender a nova chapa como sendo formada por pessoas bem intencionadas para o trato do dinheiro público.
Esse histórico, ainda segundo fontes próximas ao vice-governador, reforçaria a percepção de que a estrutura governamental acabou se consolidando como um “cabide de empregos” do PP, avaliação que tem pesado contra a eventual indicação de Gerlane para a chapa majoritária.
Diante desse cenário, Edilson Damião já teria manifestado preferência por uma chapa pura, com nomes do Republicanos, seu partido, nas vagas de governador e vice. A composição cogitada nos bastidores incluiria a concessão das duas vagas ao Senado ao Progressistas, como forma de manter a aliança sem abrir mão do controle da chapa ao Executivo estadual.
A costura política ainda inclui outro ponto sensível: uma das vagas ao Senado na composição pretendida seria destinada ao próprio governador Antonio Denarium, que articula disputar o cargo mesmo estando cassado, apostando na possibilidade de concorrer amparado por decisão liminar enquanto o caso segue em tramitação na Justiça.
Dentro dessa equação, o desafio colocado por aliados do vice-governador passa agora por convencer o senador Hiran Gonçalves de que o nome de sua esposa não é visto, no meio político, como uma alternativa viável para a chapa majoritária. A avaliação manifestada em conversas reservadas é de que Gerlane Baccarin não reúne aceitação suficiente entre lideranças políticas nem agrega eleitoralmente, o que poderia fragilizar a composição e dificultar a formação de uma aliança mais ampla para a disputa ao governo do Estado.
Apesar das resistências e divergências internas, interlocutores ressaltam que as negociações seguem em andamento e que, até a definição final das chapas, ajustes ainda podem ocorrer conforme o avanço das tratativas entre Republicanos e Progressistas. Outros nomes do PP devem ser apresentados por Edilson Damião ao próprio Denarium, como alternativa, caso não se chegue a um consenso.
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Boa Vista
Opinião: Auditoria ou palanque?
Faltando apenas 13 dias para uma eleição suplementar que já entrou para a história de Roraima pela quantidade de disputas judiciais, mais um capítulo chama atenção. Desta vez, não veio dos partidos políticos, das coligações ou dos candidatos. Veio de um órgão técnico de controle. O Ministério Público de Contas (MPC) pediu ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RR) uma auditoria para avaliar mais de R$ 500 milhões investidos em drenagem urbana em Boa Vista entre 2021 e 2026.
Em qualquer democracia madura, fiscalizar gastos públicos é obrigação das instituições. O problema não está na fiscalização. Está no momento, na narrativa e na consistência dos argumentos apresentados.
A representação não aponta desvio de recursos. Não descreve superfaturamento. Não identifica fraude em licitações. Não menciona enriquecimento ilícito. Não apresenta sequer um contrato específico sob suspeita. O que existe é um pedido para verificar se a política pública foi eficiente. Essa diferença é fundamental.
Quando um órgão de controle identifica indícios de corrupção, irregularidades ou dano ao erário, espera-se uma atuação firme e imediata. Mas quando o próprio documento admite que ainda é necessário investigar para descobrir se houve eficiência ou não, surge a dúvida sobre a leviandade do momento de acusar sem a devida consistência dos atos: por que essa iniciativa apareceu somente justamente agora?
O período analisado compreende praticamente toda a gestão do ex-prefeito Arthur Henrique, hoje candidato ao Governo de Roraima. E o pedido surge a menos de duas semanas da votação. É coincidência? É decisão puramente técnica? Só podemos afirmar que também é legítimo que a sociedade questione o timing de uma medida com tamanho potencial de repercussão política. Com poder direto de decisão às margens de um pleito.
A representação parte de uma premissa aparentemente simples: foram investidos centenas de milhões de reais e ainda existem alagamentos na cidade. Logo, é necessário investigar. O raciocínio parece intuitivo. O problema é que ele não resiste a uma análise mais profunda.
Nenhuma cidade do Brasil, e provavelmente do mundo, eliminou completamente os alagamentos apenas com obras de drenagem. O parâmetro relevante não é a existência ou não de enchentes, mas a comparação entre o cenário anterior e o atual. Quantos pontos críticos existiam antes das obras? o MPC não diz. Quantos existem hoje? O órgão não explicou. Qual foi a redução efetiva? Não se sabe. Qual seria a situação da cidade sem esses investimentos? Não fica claro.
Curiosamente, essas respostas não aparecem como ponto de partida dessa representação.
Também chama atenção o fato de que os episódios recentes de alagamento sejam utilizados como elemento central da narrativa em um momento em que Roraima enfrenta um dos períodos chuvosos mais severos dos últimos anos.
Nove municípios estão em situação de emergência. Rodovias foram interrompidas. Comunidades ficaram isoladas. Famílias precisaram ser removidas em diferentes regiões do estado. Foi até motivo solicitarem o cancelamento o das eleições, dias atrás, para quem não lembra.
Se a simples ocorrência de alagamentos for suficiente para demonstrar o fracasso de uma política de drenagem, poucas cidades brasileiras escapariam da mesma conclusão de Paulo Sérgio.
Outro aspecto preocupante é o risco de transformar instrumentos técnicos em ferramentas de disputa política. Instituições de controle existem para produzir diagnósticos, não manchetes. Para apurar fatos, não sugerir conclusões antes da investigação.
A auditoria ainda não foi realizada. Não existe relatório, decisão, condenação, ou responsabilização. Existe apenas um pedido para investigar.
Porém, no ambiente polarizado de uma campanha eleitoral, a simples abertura de uma discussão já produz efeitos políticos concretos. É justamente por isso que órgãos de controle precisam ser ainda mais cautelosos quando suas ações coincidem com momentos sensíveis.
O Tribunal de Contas tem todo o direito (e o dever) de fiscalizar. O Ministério Público de Contas tem toda a legitimidade para provocar essa fiscalização. O que não pode passar despercebido é a necessidade de que a atuação institucional seja acompanhada da mesma prudência, equilíbrio e rigor técnico que se exige dos agentes públicos fiscalizados.
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Boa Vista
Joilma Teodora pede reforma de ginásios estaduais e aponta problemas de estrutura em espaços esportivos de Roraima
A deputada estadual Joilma Teodora (União Brasil) apresentou uma indicação ao Governo de Roraima solicitando a reforma e revitalização dos ginásios poliesportivos estaduais. A proposta foi direcionada à Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf) e à Secretaria de Estado da Educação e Desporto (Seed).
No documento, a parlamentar pede investimentos para recuperar a estrutura física desses espaços e defende a adoção de ações integradas para garantir condições adequadas à prática esportiva e ao desenvolvimento de atividades educacionais.
Segundo a deputada, diversos ginásios apresentam sinais de desgaste e problemas estruturais que comprometem a utilização pela população. Entre as situações apontadas estão quadras danificadas, iluminação inadequada, falhas na cobertura, ausência de acessibilidade e falta de manutenção em banheiros e equipamentos esportivos.
Joilma argumenta que os ginásios desempenham papel importante para o incentivo ao esporte, ao lazer e à convivência social, além de serem utilizados por crianças, adolescentes e jovens em atividades escolares e projetos esportivos.
“Estamos solicitando ao Governo do Estado uma atenção especial para esses espaços, que são fundamentais para nossas comunidades. A revitalização dos ginásios é um investimento direto na juventude, no esporte e na qualidade de vida da população”, afirmou a parlamentar.
A deputada também sustenta que a melhoria da infraestrutura desses locais pode contribuir para ações voltadas à promoção da saúde, prevenção da violência e fortalecimento de projetos sociais desenvolvidos nas comunidades.
A indicação ainda solicita medidas para ampliar as condições de segurança, conforto e acessibilidade nos ginásios, beneficiando atletas, estudantes, professores e demais usuários dos espaços. Ao encaminhar a proposta, Joilma Teodora reforçou o pedido para que o Governo do Estado avalie a demanda e viabilize as intervenções necessárias para garantir o funcionamento adequado dos ginásios poliesportivos em Roraima.
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Boa Vista
Festival de cinema de Roraima terá museu audiovisual com equipamentos históricos e homenagem a Alex Pizano
O Festcine Saberes Amazônicos, primeiro festival de cinema de Roraima, será realizado nos dias 11 e 12 de junho no Centro Amazônico de Fronteiras (CAF) da Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista. A programação começa às 16h e inclui exibições de filmes, mostras temáticas e uma exposição dedicada à memória do audiovisual produzido no estado.
Um dos destaques da programação será a ExpoCine Saberes Amazônicos, que contará com um museu audiovisual instalado no hall do CAF. O espaço reunirá câmeras analógicas, projetores, fitas magnéticas e outros equipamentos utilizados em diferentes períodos da produção cinematográfica, além de registros fotográficos de produções locais e uma homenagem ao cineasta Alex Pizano.
Os equipamentos expostos pertencem a profissionais com atuação no audiovisual roraimense, entre eles Antônio Bentes, Jorge Macedo, Valmique Grandez, Alex Pizano e o professor Anderson Paiva. A curadoria da exposição é de Luiz Duarte.
A proposta é apresentar ao público a evolução das técnicas de produção audiovisual, permitindo a comparação entre os processos analógicos utilizados no passado e os recursos digitais empregados atualmente.
Além da exposição, o festival terá uma Mostra Oficial Competitiva de curtas-metragens. As produções selecionadas disputarão o Troféu Saberes Amazônicos e premiações em dinheiro. A programação também prevê mostras paralelas voltadas a produções indígenas, estudantis, do cinema negro, da população LGBTQIAP+ e de cineastas migrantes.
O evento marcará ainda o encerramento das oficinas de audiovisual promovidas pelo festival em escolas públicas de Boa Vista. Durante as atividades, estudantes do ensino médio produziram curtas-metragens autorais que serão exibidos ao público ao longo da programação.
Fotógrafo e participante da exposição, Jorge Macedo afirmou que o festival representa uma oportunidade para aproximar novos realizadores da história do audiovisual produzido em Roraima.
“É uma grande oportunidade para mostrar para essa turma jovem que está chegando com muita energia o que foi feito no passado e o que está sendo produzido hoje. Tudo isso que vemos agora tem uma origem lá atrás. O Festcine talvez tenha chegado até um pouco tarde, mas chega em um momento importante e tem tudo para se consolidar como um evento anual, valorizando a produção de documentários e cinema em Roraima, que já vem se destacando no Brasil e até fora dele”, pontuou.
Segundo Macedo, a exposição também pode contribuir para que as novas gerações compreendam como funcionavam os processos de produção antes da popularização das tecnologias digitais.
“Muita gente não faz ideia de como era o processo antes da tecnologia digital. Era trabalhoso, exigia técnica e paciência. Hoje tudo é mais rápido, mais acessível. Por isso, essa exposição é fundamental para que essa nova geração entenda de onde tudo começou”, disse.
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