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Povo indígena Ye’kwana passa a contar com dicionário multimídia da própria língua

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Opovo indígena Ye’kwana agora conta com uma ferramenta fundamental para a preservação de sua identidade linguística e cultural: o Dicionário Multimídia da Língua Ye’kwana.

O material foi consolidado em novembro de 2025, como resultado de um longo processo de pesquisa e documentação linguística realizado pelo Projeto Salvaguarda do Patrimônio Linguístico e Cultural de Povos Indígenas Transfronteiriços e de Recente Contato na Região Amazônica, um projeto de cooperação técnica internacional firmado pelo  Museu Nacional dos Povos Indígenas (MNPI), órgão científico-cultural da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

A ferramenta é resultado do trabalho do Subprojeto Ye’kwana que integra o Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas (ProDoclin). A devolutiva do produto desenvolvido pelo subprojeto aconteceu na comunidade Waichannha (Waikás), do povo indígena Ye’kwana, na Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima.

A pesquisa e documentação da língua Ye’kwana pelo ProDoclin teve início em 2019 com o trabalho do subprojeto que, ao longo de seis anos, contou com a consultoria de pesquisadores indígenas Ye’kwana e produziu mais de 1.400 verbetes multimídia, incluindo palavras e expressões da língua originária Ye’kwana.

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A iniciativa faz parte do projeto de cooperação técnica internacional entre o Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), a Funai, por meio do MNPI, e a Unesco, que visa a salvaguarda do patrimônio linguístico de povos transfronteiriços (que vivem em mais de um país) e de recente contato na Amazônia.

Atividades de campo e novos recursos de divulgação

Foram realizadas oficinas formativas com professores das escolas estaduais Waikás (Alto Alegre), Apolinário Gimenes (comunidade Fuduuwadunha) e Mötaaku (comunidade Kudaatanha), em Roraima. As atividades foram coordenadas  pela pesquisadora linguista Isabella Coutinho, responsável pelo subprojeto, e pelo pesquisador Ye’kwana Edmilson Estevão Magalhães.

O foco das oficinas foi o treinamento para o uso da plataforma Japiim, desenvolvido especialmente pelo projeto e que permite o acesso ao dicionário multimídia Ye’kwana em dispositivos móveis mesmo em áreas sem conexão à internet. A plataforma também hospeda mais de 14 dicionários multimídia de línguas indígenas produzidos.

Atendendo a uma demanda das lideranças indígenas e da Associação Wanassedume Ye’kwana (Seduume), foi  produzido um vídeo tutorial inédito na língua Ye’kwana. Gravado na sede da associação em Boa Vista, em Roraima, o material audiovisual detalha as funcionalidades da plataforma Japiim. O objetivo é facilitar a disseminação do conhecimento para além das salas de aula, alcançando famílias e jovens em diferentes contextos comunitários.

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A conclusão dos trabalhos reforça a missão institucional da Funai, por meio do MNPI, em apoiar processos participativos de documentação que garantam que as línguas indígenas permaneçam vivas e integradas às novas tecnologias de informação.

Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas 

O ProDoclin surgiu no antigo Museu do Índio (atual MNPI) em 2008, como uma resposta estratégica à vulnerabilidade de diversas línguas indígenas no Brasil. O programa foi desenhado para criar um acervo digital de alta qualidade, utilizando tecnologia de ponta para registrar não apenas palavras, mas cantos, narrativas, rituais e conhecimentos tradicionais.

Ao longo de quase duas décadas, o ProDoclin tornou-se uma referência internacional em metodologia colaborativa, onde o indígena deixa de ser apenas objeto de estudo para se tornar o pesquisador de sua própria cultura.

Entre os diversos povos já beneficiados pelas ações de documentação do programa, estão os povos indígenas do  Xingu, como os Kuikuro e Kalapalo, assim como os Karajá, Xavante e Kayapó,  e os da Amazônia e Nordeste,  Incluindo os Baniwa, Ashaninka, Maxakali, Krahô e, mais recentemente, os grupos de recente contato e transfronteiriços, como os Ye’kwana e Korubo.

Pluralidade  linguística 

O Brasil convive com uma pluralidade linguística ainda desconhecida por grande parte da população. São 391 povos e 295 línguas indígenas faladas, de acordo com dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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A pesquisa atualizada em outubro de 2025, mostra que a população indígena passou de aproximadamente  897 mil para quase 1,7 milhão de pessoas, das quais 74,51% declararam seu pertencimento étnico em 2022.

Para a Funai, os números reforçam a necessidade de uma atuação integrada entre União, estados, Distrito Federal e municípios para assegurar o acesso dos povos indígenas a todos os serviços ofertados pelo Poder Público.

A autarquia lembra que todos os entes da federação devem atuar na promoção e proteção dos direitos dos povos indígenas, considerando, entre outros pontos, que o Censo 2022 aponta a presença indígena em 4.833 municípios. Segundo a pesquisa, São Paulo é o estado com o maior número de povos indígenas identificados pelo Censo — 271 ao todo. Em seguida, destacam-se o Amazonas, com 259, e a Bahia, com 233.

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Foragido do Maranhão, condenado por estupro é preso na zona rural de Mucajaí

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Um homem de 50 anos, condenado por estupro no Maranhão, foi preso pela Polícia Civil de Roraima na zona rural de Mucajaí, no Sul do estado. A prisão foi realizada por equipes da Delegacia de Polícia Interestadual após investigação que apontou que o foragido estava escondido em Roraima.

Segundo a polícia, o agricultor, identificado pelas iniciais K.R.S., tinha mandado de prisão definitivo em aberto por sentença condenatória já transitada em julgado. Ele foi localizado em uma fazenda na vicinal 17, na região do Roxinho.

De acordo com a diretora em exercício do Departamento de Operações Especiais, Jaira Farias, a equipe recebeu informações sobre a possível presença do foragido no estado e passou a realizar diligências para confirmar o paradeiro.

“Após várias diligências, descobrimos que ele estava trabalhando em uma fazenda na região do Roxinho. Com a confirmação, conseguimos efetuar a prisão”, afirmou.

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Conforme o mandado judicial, o crime ocorreu no ano de 2000, quando o homem teria estuprado uma adolescente de 13 anos. Após o caso, ele fugiu, mas o processo continuou e resultou na condenação a nove anos de prisão em regime fechado.

Depois da prisão, o suspeito foi levado para a sede da Polinter, em Boa Vista, onde teve a ordem judicial formalizada. Ele passou por audiência de custódia no sábado (18), quando a prisão foi homologada pela Justiça, e foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição do Judiciário.

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Entenda as diferenças entre as propostas pelo fim da escala 6×1

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O Congresso Nacional discute três propostas pelo fim da escala 6×1 -seis dias de trabalho com um de descanso. Duas são PECs (propostas de emenda à Constituição) e alteram a Constituição, prevendo redução da carga horária semanal de 44 para 36 horas.

O outro é um projeto de lei do governo Lula alterando pontos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e de outras leis, dentre eles, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e a criação da escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso.

O relator das PECs (propostas de Emenda à Constituição), deputado federal Paulo Azi (União Brasil-BA), apresentou nesta quarta-feira (15) seu parecer recomendando que os textos sejam aprovados na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. Já o projeto de lei do governo, enviado na noite desta terça-feira (14), ainda não começou a tramitar.

As propostas têm algumas diferenças e semelhanças. Nas PECs, além da redução da jornada ser maior, de 44 para 36 horas semanais, não há detalhamento sobre outros direitos. No caso do projeto do governo, há especificidades conforme categorias. A principal semelhança entre os três textos é que, em todos os casos, não poderá haver redução do salário.

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As mudanças na Constituição estão nas PECs 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que foram apensadas. Elas alteram artigo 7º e focam em diretrizes gerais para todos os trabalhadores urbanos e rurais.

O projeto do governo é de lei ordinária, que altera diretamente a CLT e diversas leis específicas (como as leis dos aeronautas, atletas, radialistas e empregados domésticos). Ele detalha regras para regimes especiais, como a jornada 12×36 (12 horas de trabalho e 36 de descanso), exigindo que a média das horas respeite as 40 semanais.

No ano passado, uma PEC do senador Paulo Paim (PT-RS) chegou a ser aprovada na CCJ do Senado, mas tende a ser engavetada.

VEJA AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE AS PROPOSTAS PELO FIM DA ESCALA 6×1

JORNADA DE TRABALHO E ESCALA SEMANAL

– PEC Erika Hilton: propõe redução de 44 para 36 horas semanais, com limite de oito horas de trabalho por dia. A jornada deverá ser de quatro dias por semana – PEC Reginaldo Lopes: propõe jornada de trabalho de 36 horas semanais, com limite de oito horas por dia, mas sem determinar que deverão ser apenas quatro dias de trabalho e três de descanso
– Projeto do governo: limita a jornada de trabalho a 40 horas semanais, com escala 5×2 -cinco dias de trabalho e dois descanso-; o descanso remunerado deve ser aos sábados e domingos de preferência

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SALÁRIO

– PEC Erika Hilton: não há redução de salário
– PEC Reginaldo Lopes: não há redução de salário
– Projeto do governo: não há redução nominal nem proporcional de salário, nem alteração dos pisos vigentes, mesmo em regime especial, avulso ou trabalho de tempo parcial

ESCALA 12×36

– PEC Erika Hilton: não trata diretamente
– PEC Reginaldo Lopes: não trata diretamente
– Projeto do governo: fica mantida a escala 12×36 (12 horas de trabalho por 36 horas de descanso), limitada da 40 horas semanais, com dois dias de descanso na semana, por meio de negociação coletiva

HORAS EXTRAS

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– PEC Erika Hilton: não trata diretamente de horas extras
– PEC Reginaldo Lopes: não trata diretamente de horas extras
– Projeto do governo: não aborda diretamente as horas extras, mas deixa claro que os dois dias descanso preferenciais aos sábados e domingos são remunerados; com isso, conforme diz a CLT, deve haver folga compensatória ao trabalhador ou pagamento da hora extra em dobro

NEGOCIAÇÃO COLETIVA

– PEC Erika Hilton: prevê que a negociação coletiva pode prever compensação de horários e determinar como será a redução da jornada
– PEC Reginaldo Lopes: prevê que acordo ou convenção coletiva de trabalho podem determinar a compensação de horários e como será a redução da jornada
– Projeto do governo: prevê que as negociações coletivas com regras diferentes para jornada, folgas e compensações seguem valendo. Trecho da lei diz que as escolhas dos dias de folga, por exemplo, respeitarão “as peculiaridades de cada atividade ou negociação coletiva de trabalho”

CATEGORIAS ABRANGIDAS

– PEC Erika Hilton: não aborda especificamente, mas vale para todos os trabalhadores
– PEC Reginaldo Lopes: não aborda especificamente, mas vale para todos os trabalhadores
– Projeto do governo: diz que a regra vale para todos os trabalhadores, incluindo comércio, domésticos, profissionais da área da saúde, aeronautas, atletas profissionais, radialistas e outros

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QUANDO COMEÇARÁ A VALER

– PEC Erika Hilton: entra em vigor 360 dias após a data da publicação
– PEC Reginaldo Lopes: começaria a valer dez anos após a data de publicação
– Projeto do governo: entra em vigor na data de publicação

TRAMITAÇÃO

– PEC Erika Hilton: precisa ser aprovada em dois turnos, com 308 deputados e 49 senadores favoráveis em cada uma das votações; é promulgada pelo Congresso
– PEC Reginaldo Lopes: precisa ser aprovada em dois turnos, com 308 deputados e 49 senadores favoráveis em cada uma das votações; é promulgada pelo Congresso
– Projeto do governo: precisa ser aprovado em votação normal na Câmara e no Senado, por maioria simples (50% + um voto); é sancionado pelo presidente da República

JUSTIFICATIVAS

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– PEC Erika Hilton: enfatiza a saúde mental, o combate ao burnout e diz que pode haver criação de 6 milhões de empregos
– PEC Reginaldo Lopes: justifica a mudança como um motor para o consumo e produtividade, citando exemplos de países europeus com jornadas reduzidas
– Projeto do governo: foca na modernização da legislação trabalhista e na garantia de descanso ampliado para categorias específicas, como os comerciários, hoje os que têm a escala de trabalho com menos dias de descanso.

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Dia dos Povos Indígenas: Roraima reúne maior proporção indígena do país e enfrenta desafios entre tradição e futuro

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Neste 19 de abril, Dia dos Povos Indígenas, Roraima se destaca no cenário nacional por concentrar a maior proporção de população indígena do Brasil. O estado abriga dezenas de povos, línguas e modos de vida, espalhados em territórios que ocupam boa parte do mapa roraimense.

De acordo com dados do IBGE, mais de 10% da população de Roraima se declara indígena, índice muito acima da média nacional. Entre os povos mais presentes estão Macuxi, Wapichana, Yanomami, Taurepang e Ingarikó, que mantêm tradições, línguas próprias e formas de organização social distintas.

Grande parte dessa população vive em terras oficialmente reconhecidas, como a Terra Indígena Raposa Serra do Sol e a Terra Indígena Yanomami, duas das maiores do país. Nessas áreas, a vida comunitária se organiza a partir da relação direta com o território, com atividades como agricultura de subsistência, pesca e extrativismo.

Cultura viva e presença nas cidades

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Apesar da forte presença nas comunidades, a população indígena também cresce nas áreas urbanas, especialmente em Boa Vista. Nesse contexto, surgem novos desafios, como acesso a emprego, educação diferenciada e preservação da identidade cultural fora das aldeias.

Em escolas indígenas e também nas cidades, iniciativas buscam manter vivas as tradições, seja por meio do ensino bilíngue, da valorização da história dos povos ou do uso de tecnologias para registrar saberes ancestrais.

Desafios persistentes

Se por um lado Roraima é referência em diversidade indígena, por outro enfrenta problemas históricos. A crise humanitária na Terra Yanomami, com impactos na saúde e na segurança alimentar, expôs fragilidades na assistência pública e na proteção territorial.

Além disso, o avanço do garimpo ilegal, conflitos por terra e dificuldades de acesso a serviços básicos seguem como obstáculos em diferentes regiões do estado.

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Entre políticas públicas e protagonismo indígena

Nos últimos anos, lideranças indígenas têm ampliado a participação em espaços de decisão, seja em conselhos, movimentos sociais ou na política institucional. A discussão sobre autonomia, sustentabilidade e desenvolvimento com respeito às tradições ganha cada vez mais força.

Neste Dia dos Povos Indígenas, especialistas apontam que o principal desafio é equilibrar políticas públicas eficazes com o respeito às especificidades culturais. Em Roraima, onde essa realidade é mais visível, o tema deixa de ser apenas simbólico e se torna central para o presente e o futuro do estado.

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