Boa Vista
Roraima tem nova estrutura para gestão de servidores do ex-território após decreto federal
O governo federal criou a Coordenação de Gestão de Pessoal no Ex-Território de Roraima (COGEP RR) e alterou a estrutura de atendimento aos servidores do ex-território no estado. A mudança foi estabelecida pelo Decreto nº 12.904 de 2026 e já está em vigor.
A nova coordenação substitui a antiga Divisão de Gestão de Pessoas (DIGEP) em Roraima e será será chefiada por Erinã Araújo Borges. Apesar da mudança de nome, as atribuições permanecem. A unidade continua responsável pelo cadastro, pela gestão funcional, pelos pagamentos e pelo atendimento aos servidores.
A COGEP RR também segue responsável por acompanhar a inclusão de servidores transpostos, que são aqueles reconhecidos como parte do quadro federal. A análise desses processos continua sendo feita pela Comissão Especial dos Ex-Territórios Federais (CEEXT).
Com a nova estrutura, a coordenação em Roraima passa a ser supervisionada pela Coordenação-Geral de Gestão de Pessoal nos Ex-Territórios (CGPEX), vinculada à Diretoria de Centralização de Serviços de Inativos, Pensionistas e Órgãos Extintos (DECIPEX).
A CEEXT continua ligada à Secretaria de Relações de Trabalho (SRT), mas passa a ter orientação da Coordenação-Geral de Extintos Territórios e Empregados Públicos (CGGPEXT). Segundo o governo, a mudança busca padronizar os processos, melhorar o controle administrativo e dar mais agilidade ao atendimento dos servidores do ex-território.
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Boa Vista
Bancos públicos entram em greve por tempo indeterminado em Roraima
As agências da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banco da Amazônia em Roraima aderiram à greve dos bancários desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira (10). A paralisação ocorre por tempo indeterminado.
A mobilização foi anunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Estado de Roraima (Sintraf-RR) após os trabalhadores rejeitarem as propostas apresentadas pelos bancos para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). As assembleias deliberativas ocorreram nos dias 3 e 4 de setembro.
A greve faz parte da campanha nacional dos bancários e envolve reivindicações por reajuste salarial, manutenção de direitos e melhorias nas condições de trabalho. A categoria também negocia cláusulas específicas dos acordos coletivos de cada instituição.
Greve ocorre em outros estados
A paralisação também foi aprovada por trabalhadores de bancos públicos em diferentes regiões do país. Na Caixa, os empregados rejeitaram a proposta apresentada e aprovaram a greve geral. No Banco do Brasil, os trabalhadores também recusaram a proposta e cobram a retomada das negociações.
Em Roraima, a paralisação atinge as agências dos três bancos públicos mencionados pelo Sintraf-RR. A duração da greve dependerá do andamento das negociações entre os trabalhadores e as instituições financeiras.
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Boa Vista
Mormaço Cultural 2026 começa com show de compositoras roraimenses
O Mormaço Cultural 2026 começou nesta quarta feira (9), no Teatro Municipal de Boa Vista, com uma apresentação do coletivo Som das Manas, formado por cantoras e compositoras da cena independente de Roraima.
O espetáculo foi preparado especialmente para a abertura do festival e reuniu diferentes trabalhos autorais femininos na Sala Roraimeira. O repertório foi escolhido pelas próprias artistas e combinou músicas de diferentes trajetórias e estilos produzidos no estado.
Criado em março deste ano, o Coletivo de Compositoras de Roraima Som das Manas busca ampliar a visibilidade e a colaboração entre mulheres que trabalham com música autoral em Roraima.
Uma das integrantes, Ana Lu, afirmou que a apresentação representa a união de artistas que já desenvolvem trabalhos próprios no estado.
“Todas nós temos uma longa trajetória defendendo nossos trabalhos autorais e nossas composições. A gente se unir representa força feminina, resistência, amor e coragem. Conseguir tirar esse projeto da ideia, trazer para o palco e fazer acontecer é um sonho realizado. Estou muito feliz e orgulhosa de dividir esse momento com as meninas”, disse.
Segundo Ana Lu, o espetáculo foi organizado para preservar as características individuais das compositoras e, ao mesmo tempo, criar uma apresentação conjunta.
“Preparamos nossas melhores músicas e pensamos toda uma ordem para criar sensações e momentos, com uso de palco e de luz. Queremos trazer as pessoas para o nosso universo roraimense e mostrar que, além de cantar Roraima, cantamos música brasileira, emoção e a nossa verdade. O mais bonito é essa mistura que cada uma traz e que acabou dando certo”, afirmou.
O presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura, Fetec, Dyego Monnzaho, destacou a participação dos artistas locais na abertura da programação.
“Iniciamos com grandes vozes de cantoras e compositoras de Roraima. Foi um show pensado e criado nesse formato exclusivamente para estrear aqui no festival. Superou nossas expectativas, o público adorou e isso é só o início”, declarou.
Ana Lu também avaliou que a participação no Mormaço pode ampliar a circulação dos trabalhos produzidos no estado.
“O Mormaço representa conexão com o que há no mundo em termos de cultura e acessibilidade. Fazer parte disso é uma vitrine e uma oportunidade de amadurecimento para nós. Espero que a gente possa sempre ter artistas da terra trazendo seus projetos e inovando também”, ressaltou.
Turistas acompanham apresentação
Entre o público estavam Alcina Andreo e Adilson Oliveira, de Minas Gerais, que estão viajando pelo país e conheceram a programação do festival antes de chegar a Boa Vista.
“A cultura tem esse poder de conectar e de ligar a vida das pessoas. Viemos para cá e encontramos esse evento, que é uma maneira de nos integrarmos à cultura da cidade. Não somos daqui, mas vamos sair conhecendo muito da cultura e das pessoas. E ter um evento dentro de um teatro como esse, gratuitamente, possibilitando o acesso de todos, é muito bacana”, contou Alcina.
Adilson, que também é músico, disse que procurou eventos culturais durante a passagem pela capital.
“A gente gosta muito de música. Eu também sou músico. Então, procuramos e encontramos esse movimento cultural. Conhecer o teatro também foi uma surpresa muito boa. Estamos muito satisfeitos de estar aqui”, afirmou.
A arquiteta Ana Cláudia, de Boa Vista, também acompanhou o espetáculo e disse que já conhecia o trabalho do coletivo.
“A gente veio ver o show das Manas, que já acompanhamos em outros lugares e gostamos muito. Prestigiar nossas artistas, mulheres de Roraima, é importantíssimo. Todo ano a gente vai ao Mormaço e, desta vez, já estamos começando desde o primeiro dia”, contou.
Abertura teve pop e rock
Antes da apresentação do Som das Manas, o cantor Denison Siqueira se apresentou na área externa do Teatro Municipal, acompanhado de participações de Lu Soares e Regina Lima.
O repertório teve músicas do pop e do rock nacional e internacional. A apresentação começou com uma versão instrumental de “Sweet Child O’ Mine”, do Guns N’ Roses, e terminou com “Cruviana”, composição ligada à música roraimense.
A programação no Teatro Municipal continua nos próximos dias com apresentações musicais e espetáculos de dança, entre eles trabalhos da Focus Cia. de Dança.
Nos dias 18, 19 e 20 de setembro, o Mormaço Cultural terá programação no Parque do Rio Branco.
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Boa Vista
MPF cobra R$ 1,7 bilhão de envolvidos em esquema de cassiterita ilegal na Terra Yanomami
O Ministério Público Federal ajuizou uma ação civil pública contra dez réus por envolvimento na extração ilegal de cassiterita e ouro na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A ação tem valor de R$ 1,7 bilhão e busca a recuperação das áreas degradadas, o pagamento de indenizações e a adoção de medidas para controlar a origem da cassiterita comercializada.
Segundo o MPF, a extração ocorreu entre março de 2021 e dezembro de 2022 na região do Pupunha, localizada na bacia do Rio Mucajaí. Entre os réus estão a White Solder Metalurgia e Mineração, a Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil, a Coopertin, a Cataratas Poços Artesianos e a Tarp Táxi Aéreo.
Em pedido de urgência, o MPF quer que sejam adotados mecanismos para comprovar a origem do minério adquirido e comercializado. Entre as medidas estão diligências na cadeia de fornecimento da cassiterita, indicação de responsáveis pela conformidade, contratação de auditoria independente e envio periódico de informações à Justiça.
Caso as determinações sejam concedidas e descumpridas, o MPF pede que as atividades dos envolvidos possam ser suspensas.
A ação também cobra a recuperação das áreas atingidas pelo garimpo. O MPF solicita a elaboração de um plano de recuperação ambiental aprovado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas, além de consulta prévia ao povo Yanomami.
Dos valores pedidos como indenização, pelo menos R$ 53,1 milhões são referentes aos danos ao patrimônio mineral da União. Outros R$ 25 milhões são cobrados por dano ambiental residual e R$ 1,62 bilhão por danos morais coletivos.
Para a White Solder, o MPF pede ainda a implantação de um programa permanente e documentado de controle da cadeia de fornecimento da cassiterita. Em relação à Coopertin, a ação solicita um sistema permanente para verificar a origem do minério.
Os pedidos ainda serão analisados pela Justiça Federal e os réus poderão apresentar defesa.
Minério recebia aparência de origem legal
A ação tem como base investigações realizadas pela Polícia Federal durante a Operação Forja de Hefesto. Conforme a apuração, o esquema envolvia desde a retirada da cassiterita dentro da Terra Indígena Yanomami até a transformação do minério e sua posterior comercialização.
Segundo a investigação, escavadeiras eram utilizadas para abrir frentes de lavra, enquanto aviões e uma pista clandestina serviam ao transporte do material.
Em seguida, a cassiterita seria registrada pela cooperativa como produção de cooperados, com emissão de notas fiscais. O minério era encaminhado à metalúrgica, transformado em lingotes de estanho certificados e depois comercializado no Brasil e no exterior com aparência de origem legal.
Documentos contábeis apreendidos registraram a movimentação de 525 toneladas de cassiterita e R$ 54,2 milhões apenas entre maio e agosto de 2021.
Em um período de cinco meses, segundo o MPF, a White Solder teria transferido R$ 166,3 milhões à Coopertin. A investigação aponta, porém, que a filial da cooperativa em Boa Vista não possuía cooperados, empregados ou lavra em funcionamento.
Fornecimento continuou nos anos seguintes
De acordo com o MPF, documentos apresentados pela própria White Solder mostram que a Coopertin permaneceu como principal fornecedora de cassiterita da empresa em 2022, 2023 e 2024.
Nesse período, foram fornecidos mais de 12,4 milhões de quilos do minério, inclusive após o cumprimento de busca e apreensão pela Polícia Federal na sede da empresa.
Quando foi cobrada a comprovar a procedência da cassiterita, segundo a ação, a cooperativa declarou produção inferior ao volume que a metalúrgica informou ter adquirido. Também não foram apresentados documentos como licenças ou relatórios de lavra capazes de demonstrar a origem do material.
O MPF aponta ainda que o garimpo avançou em direção ao Parque Nacional dos Campos Amazônicos. O minério seria transportado pela chamada Estrada do Estanho em direção à cidade onde ficam a fundição e a matriz da cooperativa.
Área degradada
Segundo o MPF, a atividade garimpeira causou destruição ao longo de aproximadamente 1,5 quilômetro de um igarapé e degradou mais de 20 hectares.
A ação também relata assoreamento de cursos d’água e utilização de mercúrio na extração de ouro.
Os danos, conforme o órgão, ocorreram durante o período mais grave da crise humanitária enfrentada pelo povo Yanomami. Até agora, segundo o MPF, nenhuma medida de recuperação da área degradada foi realizada.
A ação foi apresentada pelo 2º Ofício da Amazônia Ocidental, especializado no enfrentamento à mineração ilegal no Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia.
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