Roraima
CUIDANDO DE QUEM CUIDA ALERR fortalece rede de apoio a migrantes em encontro diocesano
Nesta sexta-feira (13), o Programa de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (PDDHC) da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) esteve presente no encontro diocesano da Rede de Apoio e Proteção, realizado na Casa da Caridade Papa Francisco, no centro de Boa Vista. A iniciativa reforça o compromisso do Parlamento estadual com o fortalecimento da rede de acolhimento às pessoas migrantes e com o cuidado daqueles que atuam diretamente nessa missão.
Com o tema “Cuidar do Cuidador”, a atividade integra a programação formativa promovida pela Pastoral dos Migrantes, ligada à Diocese de Roraima que, desde 2019, realiza encontros com agentes que atuam diretamente no acolhimento, orientação e encaminhamento de demandas de pessoas migrantes. O objetivo é fortalecer a rede de apoio e qualificar o trabalho desenvolvido junto a esse público.
Durante o encontro, a diretora do PDDHC, Socorro Santos, destacou a importância de políticas públicas e iniciativas institucionais que garantam direitos, promovam a dignidade humana e ofereçam suporte aos profissionais e voluntários que estão na linha de frente do acolhimento.
Socorro disse que o trabalho desenvolvido ocorre em etapas, com foco no fortalecimento emocional de quem atua diretamente no acolhimento. Ela explicou que o primeiro módulo teve como objetivo conscientizar as entidades sobre a necessidade de olhar para seus próprios profissionais, que lidam diariamente com relatos de violência e situações extremas. Já no segundo momento, o debate avançou para as causas e impactos da violência, chegando agora à fase dos encaminhamentos.
“A gente vai trazer de que forma isso vai acontecer e quais as entidades que vão ser trabalhadas”, acrescentou.
Com sete anos de atuação na linha de frente, a agente social Alexandra Macedo, integrante da Missão Scalabriniana na Diocese de Roraima, destacou os desafios enfrentados por quem trabalha diretamente com a população migrante e a necessidade de atenção constante à saúde emocional dos cuidadores. Ela ressaltou que o contato diário com situações de rua, fome e tráfico de pessoas gera impactos significativos no psicológico de quem presta assistência.
“Muitas histórias tristes vão invadindo o psicológico da gente e, às vezes, a pessoa não percebe que está sendo afetada”, disse.
Para Alexandra, espaços de escuta e troca são fundamentais para o reconhecimento da própria vulnerabilidade. “Quando outra pessoa fala, a gente entra em si e reconhece que precisa de ajuda”, completou.
A coordenadora diocesana da Pastoral dos Migrantes e presidente da Cáritas Diocesana de Roraima, Irmã Terezinha Santin, destacou que a Diocese promove anualmente encontros formativos com agentes de pastoral em municípios de Roraima, abordando temas relacionados à complexidade do cuidado humano. Segundo ela, a escolha do tema “Cuidar do Cuidador” surgiu a partir da compreensão de que quem acolhe também precisa se fortalecer emocionalmente.
“A situação cada vez mais complexa da vida exige que cada cuidador saiba cuidar-se e saiba ver, ouvir e entender com profundidade quem chega e quem nos procura”, frisou.
Ela explicou que a atuação da Pastoral dos Migrantes envolve desde a orientação para a regularização migratória até a acolhida individualizada das pessoas atendidas. O trabalho inclui escuta, encaminhamentos e ações que fortalecem o sentimento de pertencimento em uma nova realidade.
“No fundo, o que trabalhamos é como a pessoa pode se sentir cidadã em uma nova terra, entendendo que pertencer é fundamental para reconstruir a própria vida”, finalizou.
Sobre o Programa de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (PDDHC)
O Programa de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania (PDHC) da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) promove e incentiva a participação da sociedade roraimense na defesa dos direitos humanos por meio do acolhimento e atendimento especializado, além do acompanhamento às pessoas que estão vivenciando opressão e violência em todos os níveis.
O trabalho também é realizado por meio de projetos e ações educativas, garantindo a integralidade das instituições que atuam na defesa dos direitos humanos, em todas as esferas, como escolas, espaços públicos, privados e comunitários, nos quais deve haver o exercício da reflexão e do diálogo na luta contra a violência. O programa faz parte da Superintendência de Programas Especiais, conforme a Resolução Legislativa n º 026//2021.
Canais de Denúncia
Para denunciar violações dos direitos humanos, as vítimas podem procurar atendimento na sede do PDDHC, localizado na avenida Ville Roy, 5717, sala 112, 1º andar, Centro. Também é possível entrar em contato pelo telefone (95) 98402-1493 ou pelos e-mails: programapdhc@gmail.com e traficodepessoas.rr@gmail.com.
Disque 100
Disque 180
Polícia Civil: 181
Polícia Rodoviária Federal: 191
Polícia Federal: 3621-1515
Plataforma on-line do Sistema IPÊ – Trabalho Escravo: ipe.sit.trabalho.gov.br
Acompanhe as ações do Legislativo
Quer saber tudo o que acontece na Casa Legislativa? Basta acessar o site da Assembleia. Diariamente, a TV Assembleia, canal 57.3, e a Rádio Assembleia, 98,3FM, têm reportagens sobre o que está sendo discutido e aprovado pelos deputados. Se deseja ter toda a programação da emissora legislativa na palma da mão, baixe o aplicativo tvAleRRPlay.
Além disso, você pode acompanhar as redes sociais do Poder Legislativo (@assembleiarr) e o canal no YouTube, onde ficam salvas as sessões plenárias, as audiências públicas, os documentários produzidos pela Superintendência de Comunicação, reportagens, reuniões de comissões e muito mais.
Para ler as propostas de lei ou os textos já aprovados pelos parlamentares, é só visitar o Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL), ferramenta da Casa que permite ter acesso aos documentos que tramitam na Assembleia, verificar quais matérias serão discutidas nas sessões e outros serviços de interesse público. Já as fotos dos eventos do parlamento podem ser conferidas no Flickr.
Texto: Monica Gizele
Fotos: Eduardo Andrade
SupCom ALERR
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Roraima
Salários diminuem pobreza em 22 regiões metropolitanas
Entre 2021 e 2025, mais de 10 milhões de pessoas deixaram a condição de pobreza nas regiões metropolitanas do país,. Os dados são do boletim Desigualdade nas Metrópoles, produzido em parceria pelo Observatório das Metrópoles, a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS).
Segundo o estudo, baseado em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de pobreza em 22 metrópoles brasileiras chegou a 18,4% em 2025, “alcançando, pelo terceiro ano consecutivo, o menor valor da série histórica [desde 2012]”.
“Foi uma redução significativa. Um patamar grande, apesar do nível de pobreza ainda se manter bastante alto no conjunto das metrópoles do Brasil”, afirma, em entrevista à Agência Brasil, o economista e sociólogo Marcelo Ribeiro, professor do Programa de Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisador do Observatório das Metrópoles.
Para o especialista, a redução observada da pobreza tem a ver com a remuneração do trabalho e foi beneficiada com a maior oferta de ocupações no país. “Está muito vinculada com o fato de as pessoas mais pobres terem aumentado o seu nível de renda a partir do rendimento do trabalho.”
Ele descarta que a melhoria tem a ver com os programas sociais de transferência de renda. Os valores pagos pelo Bolsa Família não sofrem alteração desde março de 2023.
Renda domiciliar mensal
Conforme o boletim Desigualdade nas Metrópoles, “a renda média domiciliar per capita do conjunto das metrópoles do país alcançou novo recorde em 2025”. O valor foi de R$ 2.766.
No ano passado, havia nas regiões metropolitanas RM cerca 15,2 milhões de pessoas (15.188.817) em situação de pobreza – que contavam com até R$ 729 por mês (valor resultado da renda domiciliar mensal dividida pelo número de pessoas da família). O volume equivale ao total da população somada do Pará, da Paraíba e de Sergipe.
Desse universo, 2,6 milhões de pessoas estavam em condição de extrema pobreza: contavam com até R$ 229 por mês (renda familiar per capita mensal). O volume equivale ao total de habitantes de Fortaleza ou de Salvador.
O boletim destaca que “a taxa de extrema pobreza caiu para 3,2% no conjunto das metrópoles brasileiras. Esse nível só foi maior do que as taxas registradas em 2013 e 2014.
10% mais ricos ganham 16,1 vezes a mais que os 40% mais pobres
O boletim também avaliou a concentração de renda aferida pelo índice de Gini. Em 2025, o valor foi de 0,511 – conforme o indicador, quanto mais próximo de 1, maior o acumulo do rendimento em menor número de pessoas.
Segundo nota de divulgação do estudo, “o aumento da desigualdade [entre 2024 e 2025] também foi identificado pela razão entre os rendimentos dos 10% mais ricos e dos 40% mais pobres da população. Em 2025, os integrantes do topo da distribuição de renda receberam, em média, 16,1 vezes mais do que aqueles situados na base, reforçando a persistência das disparidades socioeconômicas nas metrópoles brasileiras.”
Para Marcelo Ribeiro, há mais de uma razão para a perpetuação da histórica desigualdade social no Brasil: o mercado de trabalho e os rendimentos de aplicações financeiras. “Para os mais ricos, o mercado de trabalho tem efeito especial. Eles estão nas ocupações de maior remuneração, pois são aquelas de maior escolarização.”
Além disso, o economista lembra que no período de análise o país conviveu “com taxas de juros muito elevadas. Somente os grupos de maior poder aquisitivo têm condições de realizar aplicações financeira. Os rendimentos deles, tanto decorrentes do trabalho quanto de aplicações financeiras, contribuíram para o aumento de renda – que foi proporcionalmente maior do que os estratos socioeconômicos mais baixos.”
Desigualdade no mapa
Ribeiro ressalta que a desigualdade tem distribuição geográfica. As metrópoles das regiões Norte e Nordeste têm proporcionalmente mais pobres do que as do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O Distrito Federal, com média de renda mensal de R$4.401, dispõe de um valor 2,7 vezes maior do que a média de renda da grande São Luís (R$ 1.616).
As regiões metropolitanas observadas foram Manaus, Belém, Macapá, São Luís, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vale do Rio Cuiabá e Goiânia, o Distrito Federal e a Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento de Teresina (PI).
As 22 regiões metropolitanas observadas no estudo são formadas por cerca de 300 cidades. Quatro de cada dez pessoas que moram no Brasil vivem nessas áreas.
Roraima
Documentário registra deslocamento do povo Sanöma da Terra Yanomami para a periferia de Boa Vista
O deslocamento de famílias indígenas da Terra Indígena Yanomami para áreas periféricas de Boa Vista ganhou registro audiovisual e acadêmico no curta-metragem Memória da Dor, produção assinada pelo jornalista, pesquisador e realizador audiovisual indígena Paulo Thadeu Franco das Neves, conhecido artisticamente como Paulo Thadeu Kai’kan.
A obra foi apresentada como produto final da Especialização em Estudos Amazônicos, promovida pelo Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM), da Universidade de Brasília (UnB), e tem como base a pesquisa intitulada “Memória da Dor: Uma perspectiva do deslocamento do povo Sanöma, da Terra Indígena Yanomami, para a periferia de Boa Vista, Roraima, Brasil”.
O documentário aborda os impactos humanos, culturais e identitários provocados pelo deslocamento de famílias indígenas, tendo como foco as experiências vividas por integrantes do povo Sanöma.
Diferentemente de produções convencionais, o filme não utiliza diálogos entre os personagens presentes em cena. A narrativa é construída a partir da oralidade, elemento central para a preservação da memória e da tradição dos povos indígenas.
Por meio de relatos, imagens e recordações, a produção estabelece uma ponte entre passado e presente, registrando histórias familiares marcadas pela ruptura territorial, pela adaptação a novos espaços e pela busca de preservação da ancestralidade.
“Direto, sem diálogos entre presentes. Um registro através da oralidade, de vivências. Um documento de resistência de uma família indígena do povo Sanöma. Um trabalho de escuta que cria corpo, imagem-recordação, onde fragmentos são resgatados e organizados para dar sentido ao passado”, define Paulo Thadeu Kai’kan.
Exibição na comunidade retratada
Recentemente, Memória da Dor foi exibido no acampamento Buritizal, localizado na periferia de Boa Vista, onde atualmente reside a família Sanöma retratada na obra.
A sessão teve caráter simbólico, permitindo que os próprios participantes da pesquisa assistissem ao resultado do trabalho e compartilhassem suas impressões sobre as histórias registradas.
Para o pesquisador, o documentário representa apenas o primeiro passo de uma iniciativa mais ampla voltada à documentação dos processos de deslocamento vividos por diferentes povos indígenas da Amazônia.
“A ideia é que, em um outro momento, eu possa conseguir recursos para transformar esse curta-metragem em um projeto maior, ampliando esse olhar para outros povos em processo de deslocamento. São corpos-memórias que constantemente estão em movimento. A pesquisa será encaminhada para todas as organizações que atuam com a pauta de defesa dos povos indígenas”, afirmou.
Pesquisa une memória, território e identidade
Indígena do povo Macuxi, Paulo Thadeu Kai’kan destaca que o trabalho busca fortalecer a memória coletiva dos povos originários e ampliar o debate sobre os efeitos sociais, culturais e territoriais dos deslocamentos forçados na Amazônia.
A pesquisa foi orientada pela professora doutora Célia Kinuko Matsunaga Higawa, do Programa de Pós-Graduação em Design da UnB.
A banca avaliadora contou com a participação da professora doutora Ângela Saldanha, da Associação de Professores de Expressão e Comunicação Visual, de Portugal; da professora doutora Marisa Cobbe Maass, do Programa de Pós-Graduação em Design da UnB; e do professor doutor José Mauro Ribeiro, do Instituto de Artes da Universidade de Brasília.
Produção colaborativa
O curta teve roteiro e direção geral de Paulo Thadeu Franco das Neves. As imagens e a edição foram realizadas por Paulo Thadeu, José Anyolver, Ryan Renato e Mariño.
A trilha sonora reúne o som do maracá executado por Paulo Thadeu Kai’kan e a música É pelo Hip Hop, de Mariño.
Participam da obra integrantes da família de Yakisoma Paloma Sanöma e Tissawa Sanöma, com narração de Kassi Sanöma.
Mais do que um trabalho acadêmico, Memória da Dor transforma experiências de deslocamento em um registro histórico, preservando vozes, lembranças e narrativas que ajudam a compreender os desafios enfrentados pelos povos indígenas em contexto urbano na Amazônia contemporânea.
Roraima
Ocupação de pessoas 60+ sobe 53% em 10 anos; ritmo supera o dos jovens
O emprego para pessoas com 60 anos ou mais tem crescido no Brasil proporcionalmente mais do que para outros grupos da população. No entanto, essas vagas vêm acompanhadas de mais informalidade, ou seja, sem carteira e sem proteção trabalhista.
Nos últimos dez anos, o número de pessoas 60+ no mercado de trabalho saltou 53%. No mesmo período, o tamanho dessa população na sociedade brasileira cresceu 37%.
Essa comparação significa que o emprego dos idosos cresce em ritmo mais acelerado que o envelhecimento da população.
A constatação faz parte de um estudo divulgado esta semana pela empresa de pesquisa e de inteligência de dados Nexus.
De 2016 a 2025, o número de idosos no país passou de 25,8 milhões para 35,2 milhões. Eles eram 13% da população, e atualmente são 17%.
Nesse período de dez anos, o contingente de trabalhadores 60+ avançou de 5,7 milhões para quase 8,8 milhões.
No fim do ano passado, uma em cada quatro (25%) pessoa 60+ estava ocupada. Em 2016, a taxa era 22%. O dado de 2025 é o maior dos últimos dez anos.
Na comparação com a população geral, o crescimento populacional foi de 5% no período, subindo de 203,2 milhões de pessoas para 212,6 milhões. Já o número de empregos expandiu-se 14,6%. Ao fim de 2025, o Brasil tinha praticamente 103 milhões de trabalhadores.
Meio cheio, meio vazio
O CEO (diretor executivo) da Nexus, Marcelo Tokarski, avalia os resultados como um “copo meio cheio, meio vazio”.
“Por um lado, a gente pode celebrar o fato de que as pessoas quando chegam aos 60, 70 anos, ainda estão com uma capacidade ativa para o trabalho”, disse à Agência Brasil.
Entretanto, acrescenta ele, há uma precarização do período comumente destinado à aposentadoria, lembrando que a faixa etária inclui pessoas de 75 anos, por exemplo.
“A pessoa que tem 75 anos de idade que, em tese, já deveria estar gozando da sua aposentadoria e muitas vezes precisa continuar trabalhando provavelmente para complementar a sua renda”, diz.
Tipos de trabalho
O levantamento da Nexus foi feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo. Pelos critérios do IBGE, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga.
O CEO da Nexus aponta que, apesar de não saber o grau exato de influência, a reforma da Previdência, de 2019, é um dos motivos que explicam o aumento de pessoas 60+ no mercado de trabalho.
“A última reforma da Previdência subiu a idade mínima e também o tempo de contribuição, isso força as pessoas a trabalharem mais”, analisa.
Sob o argumento de equilibrar as contas da previdência, a reforma passou a exigir, das mulheres, pelo menos 62 anos de idade e 15 anos de contribuição para se aposentar. No caso dos homens, 65 anos de idade e 20 anos de contribuição.
Antes, mulheres podiam se aposentar com 60 anos e não havia, para nenhum dos dois sexos, idade mínima para aposentadoria por tempo de contribuição. Para homens, não houve mudança na idade mínima.
Informalidade
O estudo do Nexus identificou que para mais da metade (53%) dos 60+ no mercado de trabalho, a informalidade é uma realidade superior à de outros estratos da população. Na população geral, o índice é de 38%. Entre os jovens de 18 a 24 anos, 41%.
O IBGE considera informais os empregados sem carteira assinada e autônomos sem CNPJ, por exemplo. Na informalidade, os trabalhadores não têm garantidos direitos como férias, contribuição para a Previdência Social e décimo terceiro salário.
Para Marcelo Tokarski, da Nexus, a informalidade é uma característica estrutural do emprego 60+. “Isso indica uma precarização do trabalho”.
“Um público que não pode se dar ao luxo de permanecer desocupado. Enquanto o jovem, muitas vezes, consegue focar nos estudos ou prolongar a busca pela vaga ideal, o 60+ migra rapidamente para a informalidade”, avalia.
Uma das conclusões da pesquisa é que “a sustentabilidade econômica do país agora depende de políticas públicas de incentivo à formalização e de uma revisão urgente das estruturas corporativas de ergonomia, benefícios e inclusão geracional”.
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